Enfim, não vale a pena
investir dinheiro do meu bolso em projetos artísticos, até por que o retorno é
muito lento, isso se houver um retorno. Conheço pessoas que se dedicaram à
carreira artística, entregando-se a uma rotina maçante de trabalhos árduos para
hoje, anos depois, poder colher um pouco dos frutos. Como por exemplo, o meu
amigo que é ator profissional e somente depois de cinco anos elaborando
projetos e apresentações, conseguiu vencer um concurso e recebeu um prêmio de
estímulo para dividir com seu grupo, mas vale citar que durante esse tempo
muitos integrantes abandonaram o barco.
E, uma das minhas maiores inspirações,
minha professora Sol Gadaq, formada em danças folclóricas com ênfase em Dança
do Ventre. A Sol é funcionária pública e professora voluntária de cerca de 100
alunas. Ela vai para São Paulo quase toda semana buscar material para ministrar
aulas e tecidos para confeccionar trajes de dança, além de organizar eventos e
levar as meninas para festivais e tudo mais. Tudo o que ela pede é a quantia da
produção dos trajes e uma contribuição com a apresentação, que é para nosso
próprio beneficio, e ainda assim sei que muitas vezes ela cobre os custos
completando com dinheiro do próprio bolso, sem falar em todo o tempo que se
dedica na aula e fora dela. Se eu pudesse fazer com que alguém reconhecesse
todo o esforço dessa mulher! Um trabalho como o dela precisa e merece muito.
Se para projetos grandes, como
os citados acima e, para complementar, o jornal laboratorial da minha
faculdade, já é difícil conseguir patrocínio, imagine uma jovem como eu
conseguir algum apoio. Difícil, mas não impossível. Há muito tempo atrás
conheci alguém que me estendeu a mão. Mas eu estava sem foco e não soube
aproveitar bem a oportunidade. Penso nessa pessoa todos os dias. Meu namorado
me incentiva de todas as formas. Sei que se ele pudesse me daria o mundo, mas
não acho justo atrapalhar seus planos pelos meus sonhos.
Opa, estamos falando de
sonhos. Mas qual a definição de um sonho? Para mim, sonho é um desejo forte e
distante, cuja realização nos faria alcançar os céus devido a tanto empenho
dedicado a ele. Para uns, sonho é fazer uma faculdade, ter uma casa própria ou
casar. Para outros, é poder entrar na escola, ter um lugar para morar e não ser
um deficiente físico. Para mim, é ver meus livros publicados, e fazer da dança
mais que um hobbie.
Isso não significa que meu
sonho é seguir carreira artística. Mas fazer minha arte ganhar vida. Eu amo
escrever, e não há nada mais prazeroso que ter um público leitor. Eu descobri
que tenho uma queda forte pelo mundo do Tribal Fusion, que é uma vertente da
Dança do Ventre conhecida como Dança Étnico Contemporânea, e não há nada mais
prazeroso ter um público para apreciar a minha dança.
Todavia, eu preciso do apoio
de pessoas físicas ou jurídicas para realizar meus sonhos. Nem sempre o patrocínio
quer dizer investimento financeiro. Muitas vezes o auxílio na produção ou na
divulgação ajuda muito mais. Por exemplo, se um anfiteatro disponibilizasse seu
espaço gratuitamente para pequenos grupos de dança, teatro e música poderem
realizar uma apresentação de qualidade estaria contribuindo para a melhoria do
desempenho deste grupo nos palcos, eles estariam se preparando para grandes
apresentações. Se recém-formados se unisse para trabalhar em equipe num projeto
profissional, estariam ajudando um artista ao mesmo tempo em que desenvolveriam
um portfólio para o mercado de trabalho.
Aprendi que o patrocínio nunca
deve ser em vão. Pelo contrário, é uma troca: um pode investir, outro pode
transmitir conhecimento, como o artista pode retribuir? Na publicação de um
livro, já encontrei a solução: eu posso fortalecer a marca através da citação
desta. Se uma empresa me patrocina, seu nome sai impresso em todo material
impresso ou virtual. Se um profissional oferece seus serviços, seu nome é
citado nos agradecimentos e na lista da produção editorial. Se uma pessoa
custeia a produção, eu posso dar seu nome para um personagem. Mas e a dança?
Como conseguir patrocínio para a dança? E que tipo de retorno eu poderia dar?
É difícil encontrar bons
instrutores de Tribal Fusion que sejam acessíveis e não cobrem tão alto. Há um
custo para se inscrever em festivais de dança que inclui figurino, transporte
e, às vezes, hospedagem. Para publicar um livro com qualidade é preciso
investir numa boa editora. Enfim, tudo requer verba.
Não quero ser uma dançarina
consagrada, nem penso em grandes produções literárias, afinal meu objeto não é
enriquecer e muito menos ganhar fama. Eu quero poder desenvolver meu próprio
público, ensinar o que sei para iniciantes, mostrar que a leitura pode ser
prazerosa. Eu quero alcançar os pequenos. Assim como eu, sei que tem fotógrafos
que gostaria apenas de ter uma câmera profissional, ou músicos que sonham em
entrar num escola de qualidade. Quando você sente que seu trabalho está sendo
reconhecido de alguma maneira, perde a necessidade de ser “conhecido”. E é
nesse momento que o sucesso bate em sua porta.

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