domingo, 22 de outubro de 2017

Caminhos Possíveis: Autoconhecimento e Coaching

Neste sábado eu participei de uma oficina de autoconhecimento com duração de 4 horas na InterArt, mediada pela relações públicas Celília Infanti e pela psicóloga Clarissa Domingues, ambas coach e dançarinas. A proposta era unir ferramentas de coaching direcionadas para a autopercepção e técnicas expressivas da dança, todavia só foi possível abordar a primeira parte durante o período trabalhado, após um coffe break deram continuidade à segunda parte com o restante das participantes presentes. De qualquer forma, foi muito proveitoso para mim.

Apesar de já ter participado de workshops de coaching, palestras de psicologia, além de ter realizado inúmeras leituras e estar sempre estudando temas com enfoque em autoconhecimento, inteligência emocional, dentre outros tópicos, é sempre bom revisitar alguns assuntos e repetir exercícios de tempos em tempos. A gente vai avançando e descobrindo coisas que podem ter passado despercebidas em outras ocasiões. Adoro fazer a roda da vida, listas de ação e planos de vida. Na oficina, trabalhamos com o conceito de valores e a janela de johari.

Conhecer a si mesma é ter ciência de suas características pessoais, é reconhecer seus valores e objetivos e poder observar suas ações, entrar em contato com as emoções e fazer escolhas baseadas no que realmente lhe importa, aumentando assim as chances de alcançar um estado de paz e bem-estar na vida. Trabalhar o autoconhecimento ajuda a desenvolver a autoestima, qualidade de quem se valoriza, se contenta com seu modo de ser e possui autoconfiança em seus atos.
O workshop teve início com uma série de apresentações, típicas de dinâmicas de grupo para quem já está habituado com processos seletivos. Filósofos como Sócrates, Freud e Yung foram citados enquanto temas como conhecimento x autoconhecimento, espiritualidade e inteligência emocional entravam em pauta.

Por muito tempo, potencializou-se a análise quantitativa do conhecimento, o famoso QI; mas nos tempos atuais o conhecimento subjetivo vem ganhando força, principalmente devido aos maus do século, resultado de anos de negligência mental e emocional. Disciplinas básicas no ensino fundamental tem sido discutidas em favor de disciplinas voltadas para as esferas das artes, por exemplo. A falta de autoconhecimento acarreta sentimentos como medo, inveja, rancor, mágoa, que por sua vez leva a reações explosivas, timidez, estresse, ansiedade e depressão.

Um exercício simples que pode evitar muitas coisas é a prática de escrever diários. Pela primeira em mais de dezessete anos, eu não escrevi um diário. Ainda que mantenho este blog, depois de tanto tempo usando a escrita íntima como uma forma de desabafo, é claro que o exercício me fez falta. Principalmente nos dias em que me sinto sozinha, ou quando tenho pensamentos que não quero compartilhar com ninguém. Não faço e nunca fiz terapia, então o diário é a minha forma de desabafar. Um dos motivos de ter tentado não fazê-lo é porque já sou, de certa forma, adulta, e fico me confrontando porque ainda escrevo para mim - e para outros. Bem, dane-se, vou comprar um diário para 2018.

Quem eu sou?

A janela de johari trabalha com 4 quadrantes: eu aberto, eu secreto, eu cego e eu desconhecido. Este estudo me remete muito ao conceito dos 3 eus: eu real, eu ideal e eu aparente. Em outras palavras: quem eu sou para mim, quem eu sou para os outros e quem eu realmente sou.
  • Eu aberto: visível para mim e para os outros também. São sentimentos e comportamentos que as pessoas conhecem e nós também, normalmente alimentado através do companheirismo e pela sinceridade. Pessoas com o eu aberto costumam ser espontâneas para falar e agir.
  • Eu secreto: visível para mim, mas escondido para os outros. São sentimentos que escondemos por medo ou vergonha, para não recebermos julgamento. Sendo assim, usamos máscaras como uma forma de defesa. Pessoas com o eu secreto costumam ser inseguras para falar e agir.
  • Eu cego: visível para os outros, mas escondido para mim eu. São sentimentos e comportamentos que as pessoas percebem, mas nós temos dificuldade para acessar e costumam nos causar problemas a nível social e emocional. Pessoas com o eu cego tem dificuldade em receber feedback.
  • Eu desconhecido: invisível para mim e para os outros. São sentimentos e habilidades ocultas e subconscientes, normalmente aprisionados e silenciados por traumas e experiências duras, que precisam ser desencadeados para poderem ser trabalhados.
Vivi muito tempo com sentimentos, habilidades e experiências aprisionadas entre o eu cego e o eu desconhecido. Felizmente, pude contar com orientadores, amigos e familiares que me auxiliaram em períodos de redescobertas. Ainda estou trabalhando no meu autoconhecimento, acho que esse processo nunca acaba, mas sinto que evolui muito emocional e espiritualmente nos últimos anos. Como disse neste post, a faculdade também me serviu muito neste propósito, considerando que tive disciplinas de filosofia, psicologia, sociologia, antropologia, linguagem e artes, dentre outros.

Por muitos anos, eu escondi meu gosto pela dança, por exemplo. Sempre fui vista como a menina estudiosa, que gostava de ler e escrever, mas levou muito tempo para eu assumir que gostava de dançar. Normalmente, uma coisa não está associada a outra. Por este motivo, eu não me encaixava em nenhuma tribo. As meninas com quem ia para a balada não tinham perspectiva de carreira e estudo, e as meninas com quem eu estudava não costumavam sair de casa ou ouvir música, pelo menos. Eu preferia as baladas ao invés dos shows de rock, porque apesar de gostar de ambos os estilos musicais, não me sentia a vontade para dançar em shows de rock. Preciso eu conhecer o tribal, para me descobrir dançarina e começar a fazer as coisas acontecerem. Enfim, encontrei minha tribo.

Quando comecei esse blog, minha vida era um livro aberto, publicava tudo o que eu sentia e pensava sem me importar se as pessoas iriam ler e o que iriam achar. Só comecei a receber acessos de verdade quando publiquei meu livro e cometi o erro de divulgar o endereço do blog. De repente, meus amigos e familiares começaram a ler meus posts e, o pior, pessoas desconhecidas começaram a ler. Nossos conhecidos pensam para falar conosco, falam com cautela; pessoas desconhecidas não. Então comecei a receber comentários negativos, e não tiro a razão das pessoas. Então comecei a pensar para escrever, o que não foi de tanto ruim - pelo menos hoje não tenho o hábito de postar opinião em redes sociais e evito muitas dores de cabeça assim. O curso de jornalismo me deu ferramentas para me expressar com segurança. Eu aprendi a defender minhas ideias através de argumentos construtivos, sem atacar ninguém.

Hoje eu assumo abertamente meu gosto pela dança, pela escrita e também por design, tecnologia e empreendedorismo. Também não tenho mais medo de admitir que não sou mais cristã, nem tenho vergonha de falar sobre os meus pensamentos sobre os relacionamentos modernos. Eu não acredito em monogamia, sou a favor de relações abertas, acredito que o amor romântico é uma construção social e que o ciúmes é um sentimento egoísta (meu marido ainda não partilha destas filosofias, mas tudo bem). Quanto a minha personalidade, reconhecer que eu sou tímida e que isso é resultado de experiências da infância já é um grande passo para lidar com a minha insegurança. Por exemplo, adoraria formar um grupo de mulheres, mas não me sinto segura em opinar sobre certas áreas e meditar atividades sem estar capacitada academicamente o suficiente.

Mas durante o workshop abri minha visão para uma outra área em específico. Não costumo falar em público, uma coisa é eu estar mediando uma atividade, outra é estar sendo mediada, neste caso, prefiro apenas observar, tomar notas e guardar minha opinião comigo. Mas houve um momento que tocaram num assunto que me deixou muito incomodada, a ponto de querer falar, mesmo sentindo as mãos tremendo e sabendo que a atenção estava toda voltada para mim. A discussão era sobre os nossos valores e falaram sobre quando a pessoa com quem você convive tem valores diferentes do seu e isso acaba te afetando de alguma forma. Começou sobre casa e família e então passou para o ambiente de trabalho.

Todas as vezes que pedi demissão foi por não saber lidar com pessoas que eram inconsequentes com os seus afazeres. Eu me importava com meu trabalho a ponto de fazer o que estava além do meu alcance e acabava me sobrecarregando. Mas ao invés de conversar ou reportar aos meus superiores, esperava que eles tomassem alguma ação ou que meus colegas de trabalho "se tocassem", claro que isso nunca acontecia. E então, eu preferia pedir demissão. Se eu relatasse, seria mal vista pelas colegas de trabalho e talvez até mesmo pela chefia, mas pedindo demissão também fiquei mal vista como alguém que não se importava com a empresa, quando na verdade estava apenas priorizando meus valores, minha saúde. Hoje eu não sinto vontade de voltar ao mercado de trabalho, só de pensar em passar por todo esse processo novamente, me dá agonia.

Ao longo do último mês, recebi uma massagem terapêutica, me consultei com um mago, participei de um workshop de expressão corporal e, agora, para somar, participei desta oficina de autoconhecimento. Por que ainda não me sinto melhor?

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Elaboração de Projetos Culturais


Na primeira quarta-feira do mês, 04, participei do curso de Elaboração de Projetos Culturais com a Profª Drª Isaria Maria Garcia de Oliveira oferecido pela SisEB (Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo) na Biblioteca Pública Municipal de Jundiaí Profº Nelson Foot, com carga horária total de 6 horas.

Apesar do curso ser destinado à profissionais de bibliotecas, salas de leitura e programas de incentivo à leitura, o tema de elaboração de projetos culturais foi abordado como um todo, não somente com sua ênfase em bibliotecas. Do conceito às etapas de um projeto cultural, planejamento e elaboração, passando pelo título, justificativa, objetivos, metas, cronogramas, orçamentos e resultados; indicação das possíveis fontes de captação de recursos e patrocínios, bem como os fatores valorizados pelas empresas que patrocinam projetos; e fundamentos de marketing.

Exibição, circulação, difusão e distribuição cultural: oferecer, facilitar e qualificar a fruição artística pelo público beneficiado.

Um dos motivos de eu ter me inscrito foi por ter me identificado com o perfil da ministrante, visto que tem formação em Comunicação Social e doutorado em Artes, atua como professora na área de Gestão Cultural e Mídias Digitais, além de produzir espetáculos de dança e festivais de música, com publicações sobre produção cultural e hospitalidade, dentre outros. Dei início à produção de projetos em 2015, com o projeto audiovisual independente Vídeo & Dança e os pequenos eventos na área da Dança Tribal. Neste ano, fui convidada a integrar uma equipe de produção de eventos de médio porte, então o curso me foi bastante oportuno.
Práticas culturais tem por objetivo promover a sensibilização através do fazer artístico.

Muito do conteúdo citado eu aprendi na prática, mas teve algumas coisas que eu não sabia e com certeza farão diferença em projetos futuros. Identificar uma demanda ou oportunidade; definir um cronograma da data do evento aos dias atuais; realizar um diagnóstico para avaliar a probabilidade do evento - relevância social, acessibilidade, antecedentes; definir uma sazonalidade; buscar parcerias, apoiadores, patrocinadores, publicar chamamentos; definir uma meta; investir na capacitação dos mediadores; promover integrações artísticas e culturais; definir um orçamento com base em custos fixos e variáveis; fazer uma avaliação de desempenho posterior - mensurar os resultados através de pesquisa quantitativa e qualitativa.

Já assisti uma palestra sobre captação de recursos para projetos culturais com uma ex-aluna convidada do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, visto que trabalhar com projetos é uma das diversas funções atribuídas ao profissional de comunicação numa empresa privada. Relembrar alguns fatores importantes sobre o assunto foi de extrema importância no curso de Elaboração de Projetos. Resumidamente, a captação de recursos através de leis de incentivos e editais, tais como a Lei Rouanet e o Proac, se dá em 2 passos:
  1. Inscrever o projeto nos programas de incentivo disponíveis e obter autorização para captação de recursos.
  2. Apresentar o projeto para pessoas físicas e jurídicas que possam financiar o projeto.
Considerando que as empresas podem financiar até 100% do valor do projeto com até 4% do imposto de renda. A captação de recursos também pode ser feita através de contribuintes individuais ou utilização de recursos próprios. Um projeto/evento bem feito só necessidade de investimento em seu lançamento, sempre almejando tornar-se autossustentável.

Para fechar o post, mais uma citação:
O projeto não pode ser pensado como fim em si mesmo, mas como um meio para alcançar algo maior.

domingo, 27 de agosto de 2017

Reflexões de Agosto

Agosto é um mês intenso. Não só porque é o mês mais longo do ano, mas também por marcar definitivamente o início do segundo semestre para os estudantes, após as férias de julho (assim como, para muitos, o ano só começa em fevereiro). Neste mês, além de completar 23 anos, também completei 4 anos de namoro e entreguei a versão final do meu TCC. Nenhum desses eventos foram comemorados com uma festa, uma saída noturna, uma viagem ou algo do tipo. Não estamos com condições financeiras para nos dar ao luxo de comemorações do tipo - mas por bons motivos.

O ano ainda não acabou, mas é só entrar no segundo semestre que começamos aquele processo de despedida. Realizei muitas coisas boas neste ano, em detrimento de outras. É incrível pensar que ainda não fui ao teatro nenhuma vez, deixei de assistir congressos e espetáculos, nem participei de nenhum curso neste ano. Espero poder realizar uma destas coisas antes do ano acabar. Em compensação, descobri o prazer de participar dos festivais de cultura alternativa. Também estou encantada com eventos de temática medieval. Mas o meu maior orgulho são os eventos que eu mesma fiz/participei da produção, ainda que pequenos.

Infelizmente tive muitos projetos cancelados pela baixa procura, mas que espero poder realizar num futuro próximo. Acredito que tudo tem o seu momento e sou muito paciente para aguardar por este momento. O problema nem sempre é o financeiro, o espaço, a disponibilidade de horário, mas conhecer as pessoas certas. E foi isso que os últimos eventos me proporcionou: contatos valiosos, pessoas incríveis que surgem na sua vida para somar e, talvez, tornar-se uma amizade próspera. Os amigos que a dança me trouxe são os melhores, sem dúvidas. As alunas, as parcerias, os clientes. Cada uma dessas pessoas são especiais para mim e sinto um imenso apreço por elas, carinho e gratidão.

Mas sei que nem sempre é possível agradar a todos, da mesma forma que é inevitável nos decepcionarmos, ainda mais quando elevamos nossas expectativas. Quando amamos algo ou alguém é doloroso ouvir críticas negativas, mas necessário. Desenvolvi uma paixão sincera pela dança, adoro produzir eventos, sinto um prazer enorme em ensinar e gerenciar o meu blog sobre dança, o Tribal Archive. Fico muito triste quando não tenho o retorno esperado do público, clientes, alunos ou leitores. Só quem acompanha essas atividades ao meu lado - e devo a essas pessoas o sucesso de cada uma delas - é que sabe o empenho que emprego para fazer tudo com qualidade. O que todo artista espera como pagamento é reconhecimento.

E aí vem aquele desejo enorme de sumir. O que é quase impossível quando estamos muito envolvidas. Não vejo a hora, sinceramente, de conseguir me mudar para uma casinha tranquila, adotar um cachorrinho e colocar uma rede no quintal. Ir para Minas está fazendo uma falta tremenda para mim, estou sentindo as consequências. Tudo o que eu queria agora era ter um bosque para me refugiar. Minha mente não pára, e isso é agonizante às vezes. Ainda com a dança, a ansiedade toma conta. Estou aguardando o próximo festival para tentar lavar a alma e esvaziar a mente. Pena que será apenas por 3 dias. Quem dera pudesse viver uma imersão sem data de término.


sábado, 15 de julho de 2017

Coquetel de Remédios

Eu me considero uma pessoa bastante saudável. Sempre pratiquei exercícios físicos com regularidade, me alimentei corretamente e bebi a quantidade de água indicada diariamente. Nunca tive problemas graves de saúde, afora minha companheira sinusite e a prisão de ventre de nascença. Além disso, desenvolvi um gosto por sucos naturais sem açúcar, pouco sal nos alimentos, alimentos integrais, azeite ao invés de óleo, limão ao invés de vinagre. Na minha casa, minha mãe administrava uma dieta bem balanceada, com frutas, verduras, vitaminas, chás e tudo mais. Ela tem a mão boa para cozinhar e detesta fast food e comidas congeladas, por exemplo. Então as poucas vezes que passei mal foi por conta da prisão de ventre, alguma intoxicação alimentar ou uma vez que minha pressão caiu. Por isso, quando caí de cama nesta terça-feira fiquei em choque.

Comecei o dia com a minha rotina normal, mas antes mesmo de ir para o escritório, senti um frio e uma sonolência terrível, deitei-me no sofá para tirar um cochilo, achando que não tinha dormido o suficiente, cobri-me com uma manta, mas mesmo assim o frio não me deixou, pelo contrário, só aumentou, num ponto que senti todo o meu corpo retraindo, e os músculos começaram a reclamar, assim a cabeça, ardendo. Foi torturante. Não sei ao certo o tempo, mas acho que apaguei uma hora depois, dormi até o corpo se aquecer novamente e acordei tonta, com uma forte dor na lombar, no abdômen, na cabeça e um pouco de dificuldade em respirar. Mesmo assim me levantei e fui para o escritório, pois tinha trabalho para fazer, e tinha prazo.

No final da tarde, aconteceu de novo. Pensei que fosse o apartamento que estivesse mais gelado que o normal, que a temperatura havia caído, então me agasalhei mais do que de costume, mandei mensagem para o meu marido e deitei no sofá. Novamente, a falta de ar e tudo mais, só que meus músculos já estavam lesionados, então foi bem pior. Quando meu marido chegou, três horas depois, eu ainda estava no sofá, toda encolhida, e ele me deu um analgésico. Contei o que havia acontecido e seu veredito foi que eu estava com fraqueza. Minha mãe disse o mesmo. Mas a gente conhece nosso corpo, a gente sabe o que é o que é. E não era fraqueza. De qualquer forma, tomei um caldo de fubá, fiz um pouco de inalação, e depois fui dormir, mesmo tendo apagado duas vezes no dia.

No dia seguinte acordei bem, restaurada, pronta para a aula de dança, sem dor nem nada. Estava me aprontando quando de repente senti o estômago embrulhar e a vista escurecer. Esta sensação, pelo menos, me era familiar, eu sabia que minha pressão estava caindo e, felizmente, não estava sozinha em casa. Antes de perder a consciência, sentei-me no chão, abaixei a cabeça e pedi para o meu marido me trazer água e sal e pressionar minha cabeça. Recuperei o fôlego, a temperatura do corpo e tudo mais. De qualquer forma, resolvi não esperar pelo próximo sinal e parti para o hospital. Ao chegar na triagem, as perguntas de praxe: "o que você está sentindo?", tentei explicar o que havia me ocorrido, mas fui interrompida: "o que você está sentindo agora?". Naquele momento eu estava bem, sem dor, com a temperatura estável. Detesto ter que concordar com a minha mãe nisso, mas às vezes tem que mentir no hospital se não você não é atendido. Então disse que estava com dor de cabeça, cólicas, enjoo e tontura.

Claro que o primeiro diagnóstico - de todo mundo - é que eu estava grávida. Qualquer enjoo ou tontura já te perguntam se é isso, se você tem vida sexual ativa. Ao que respondia de prontidão: eu acompanho meu ciclo, eu conheço meu corpo, não tem como eu estar grávida - não, eu não tomo anticoncepcional, é um mal que eliminei da minha vida há um ano e meio. Então o próximo passo era fazer os exames e tomar um coquetel de remédios - dramin, buscopan e mais alguma coisa. Eu nunca havia tomado dramin antes e ninguém me disse que isso me faria dormir. Eu já estava meio atordoada, depois do remédio acabei apagando onde estava: no carro do meu marido, sob o sol, no trânsito. Acordei toda suada com uma enxaqueca terrível. E a sonolência me perseguiu pelo resto da tarde.

Sim, estou com infecção de urina, para você que já notou os sintomas e já teve isso. Pesquisei bastante a respeito, sobre os tipos diferentes (provavelmente a minha é nos rins, ao invés da bexiga ou uretra - ou generalizada, sei lá, os médicos não costumam te explicar essas coisas), sobre como é mais comum nas mulheres devido o nosso órgão reprodutor ser menor e tudo mais (até nisso temos desvantagem, aff). Iniciei o tratamento no mesmo dia, ainda consegui terminar a noite como um humano sadio, no cinema e tals (era quarta-feira, dia de promoção). Na quinta, tomo o primeiro comprimido e sinto um enjoo terrível. Levanto com dor de cabeça, sentido-me meio tonta, com duas mãos esquerdas, dificuldade para me concentrar. De tardezinha, tenho mais um calafrio.

Como uma boa CDF, fui ler a bula dos remédios que estou tomando - 5 comprimidos por dia, durante uma semana (também não te explicam muita coisa sobre - só mandam você tomar e pronto. Queria que os atendimentos médicos fossem como nos filmes, com tudo bem explicadinho, detesto me sentir mal informada). Os efeitos colaterais incluíam confusão mental, sonolência, dor de cabeça, enjoo. A primeira coisa que pensei foi: "droga, deveria ter visto um tratamento natural, algum remédio caseiro. Que merda é essa!". Meu marido - adepto dos remédios e da medicina tradicional desde a infância, tendo ido ao hospital muitas vezes por N motivos - disse-me que era assim só nos primeiros dias, que era meu corpo se adaptando às drogas.

Pior que eu tinha trabalho agendando para sexta-feira e não queria desmarcar. Decidi ir mesmo assim. Mesmo sem conseguir comer direito, sentido-me meio lesada, contando as horas para o próximo comprimido. Fui. Felizmente, correu tudo bem, sem efeitos colaterais muito fortes (de qualquer forma, minha cliente é biomédica pós-graduada em medicina tradicional chinesa, então eu sabia que estava em boas mãos).

Hoje não senti dores de cabeça, já estou me alimentando normal e tudo mais, mas percebi mais um efeito colateral dos remédios: a mudança súbita de humor e os picos de energia ao final do efeito de um para o outro. Então acordei agitada, doida para faxinar a casa, consertar um figurino, super animada. Deu o horário de tomar o remédio e toda a energia se foi, só queria ficar quietinha, depois deitei e tirei um cochilo. Quando acordei, calculei mentalmente meu próximo pico de energia extra, e como previ, ocorreu por volta das nove. Não queria desperdiçar esse tempo, pois sabia que em duas horas teria que tomar o próximo comprimido.

Quando estava deitada no sofá morrendo de dores, tendo que cancelar as aulas de dança com as minhas alunas, só ficava pensando "eu só quero usar a Datura" (o programa de vídeo-aulas online que assino). Quando você acostuma com atividades físicas regulares, seu corpo reclama por ficar sem exercício. E é nesses momentos que percebo como eu realmente adoro dançar. Então entrei no site, escolhi um treino de uma hora, coloquei uma roupa confortável e me deliciei com os movimentos, o ritmo, tudo. Principalmente aquela dor gostosa nos músculos que vem após o treino, que reclamam por terem sido despertados e cutucados. Acho que foi um dos treinos mais curtos que fiz nos últimos tempos, mas um dos que eu mais valorizei.

Agora que terminei este post, vou ficar off - literalmente.


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Minha Apresentação do TCC

Já que eu escrevi aqui sobre a produção do meu TCC, nada mais justo que postar sobre a experiência da apresentação! Preciso confessar que aprendi muitos "truques" de apresentação na disciplina de Comunicação Oral e Escrita que tive no curso de Assistente Administrativo pelo Senai aos 15 anos. Aprendi a escrever o que vou falar, levar uma "colinha" comigo, ensaiar a apresentação em casa e, principalmente, cronometrar o tempo da apresentação, além de algumas técnicas de respiração (para ter fôlego para falar), como controlar o nervosismo e como se postar diante do público. Tudo isso me foi muito útil ao longo da faculdade, acrescido das técnicas de Jornalismo, não tinha como eu me sair mal na apresentação. Todavia, pequei ao realizar a leitura de uma citação logo no início, esqueci de colocar o slide com a citação em destaque e não fiz uso das técnicas de leitura dinâmica que aprendi ao longo do curso, e é claro que isso não passou despercebido pela professora convidada na banca, que foi justo minha professora de telejornalismo.

Sempre fico nervosa no início de uma apresentação, é num segundo momento que relaxo e tomo controle da situação e, desta forma, consigo desenrolar de forma mais dinâmica. Nem sempre fui bem sucedida, tal como a experiência que tive com a palestra de jornalismo moderno na feira de profissões da minha antiga escola. Aprendi com o erro e também acatei as considerações dos meus colegas e da minha orientadora metodológica no ensaio da apresentação, que aconteceu na semana anterior. Afora esse pequeno deslize no início, o restante da apresentação seguiu tranquilamente, não deixei nada relevante de fora, ainda que me esqueci de abordar alguns tópicos no tempo certo, consegui retomá-los de forma natural. Nunca dez minutos de apresentação levam uma eternidade como acontece na apresentação de um TCC. A carga emotiva é muito forte e influencia em tudo. Seguido da apresentação, os professores fazem seus comentários. A banca avalia tanto nossa apresentação, quanto o trabalho prático e o relatório de fundamentação teórica. Do meu trabalho e relatório, fico feliz em dizer que praticamente não tive comentários negativos. Apesar do receio que se estabeleceu quando apresentei minha proposta, consegui surpreender os professores com o resultado final.

Página inicial dos meus slides
A professora convidada foi a mais crítica, mas ela tem seus motivos: telejornalismo não foi minha melhor disciplina, cheguei até a abandonar as aulas. A considero uma especialista em apresentação, roteiro, pauta, edição, e todos os seus comentários foram relevantes, considerando que é muito atenciosa aos detalhes e sempre almeja a perfeição. Confesso que todo ano nossa turma achava que ela iria se aposentar (esperávamos até), mas ela sempre retornava, mais lúcida do que nunca! Hahaha. Acho que hoje eu consigo compreendê-la melhor e, se retomar a disciplina pendente com ela, acredito que tirarei mais proveito da matéria. Já minha orientadora metodológica, que ficou no meu pé o ano todo, não teve nenhum comentário negativo! Todos os alunos a temem e eu já estava preparada para suas críticas, então foi uma surpresa e tanto. Acho que durante este ano que passei em sua companhia, aprendi a ponderar suas considerações, e posso afirmar que nada me deixa mais grata do que ter conseguido a aprovação dela com a apresentação e o trabalho final.

Fiquei encantada, especificamente, com as palavras do meu orientador específico. O professor Paulo me acompanha desde o primeiro semestre e é o único professor com quem troco e-mails. Já escrevi sobre ele aqui. Meu TCC foi um website multimídia sobre dança tribal, e acredito que meu professor conseguiu captar com exatidão a mensagem que procurei transmitir com o trabalho, pontuando a dança como uma expressão artística muito relevante em tempos de crise econômica e política. Como mestre em semiótica, não poderia deixar de abordar o conceito de "tribal". E senti que falar da década de 60 à 90 (período que compreende a ascensão da dança tribal) o remeteu a alguns episódios de sua juventude, rs. Apesar de tratar da dança como uma prática ritualística, ficou claro que ela surgiu junto aos movimentos contraculturais e subentendido que suas praticantes são mulheres alternativas, adeptas de artes corporais e, principalmente, a movimentos em pró do empoderamento feminino. E meu professor nada bobo sacou isso. Mas ele também captou a essência do meu trabalho com a dança. Falou do mercado da cultura, de como a dança é negligenciada nos veículos de comunicação, de como a arte é comercializada, e ressaltou a importância de ocupar locais públicos e realizar intervenções urbanas.


Tratando de web jornalismo, falamos posteriormente sobre como a maior parte dos sites são poluídos e as matérias são mal escritas, privilegiando a agilidade ao invés da qualidade de conteúdo. Meu website contém notícias, resenhas, artigos, entrevistas e depoimentos de agentes da dança tribal, apresentando não somente em texto, mas também em fotos, vídeos e áudios. Também criei páginas de serviço: mapeamento de ateliers, escolas e grupos especializados em dança tribal; agenda cultural; galeria de mídias e glossário com a desambiguação de algumas terminologias utilizadas na dança tribal. Na apresentação, mostrei um trecho do vídeo de um espetáculo de dança da Shaman Tribal Co., que destaquei como a minha reportagem especial. Também citei o trabalho acadêmico da pesquisadora Joline Andrade, a presença dos homens na dança e o estilo Tribal Brasil, desenvolvido pioneiramente por Kilma Farias, seguido da Shaman Tribal Co. e do dançarino Marcelo Justino, dentre outros. O website "Mulheres que Dançam" está disponível em http://tribalarchive.com/mulheresquedancam




segunda-feira, 12 de junho de 2017

O TCC e meus valores de caráter

Quando comecei a faculdade, eu tinha a ideia romântica de que meu trabalho de conclusão de curso seria a realização de uma aspiração muito importante para mim, todavia não funciona bem assim, ficamos sujeitos às regras e padrões da instituição - quem já passou por esta etapa bem sabe. A relação entre o estudante e seu TCC é um tanto conflitosa - masoquista, eu diria. Uma relação de ódio e prazer, estresse e poder. Ao mesmo tempo que somos subestimados quanto à nossa capacidade, ficamos orgulhosos dos nossos resultados medíocres, no qual damos o sangue para alcançar algum patamar entre a nota mínima e a gratificação pessoal. Com o advento das mídias sociais, não podemos dispensar a ideia de compartilhar tal projeto e recebermos as parabenizações dos amigos e parentes. O que eles vão pensar talvez seja até mais importante do que a sua banca, no seu subconsciente.

Passei os últimos 12 meses fazendo meu TCC, mas penso nele desde que escolhi meu curso. No curso de jornalismo temos a opção de desenvolver uma monografia ou uma reportagem acompanhada de um relatório científico de fundamentação teórica. Eu optei pela reportagem. A princípio, meu desejo era conceber um livro-reportagem sobre dança tribal, unindo, desta forma, meu prazer em escrever com meu grande hobbie e as habilidades que adquiri em comunicação e jornalismo. Todavia, minha orientadora foi contra minha ideia e aprendi logo a não desacatar as orientações dos meus professores, principalmente se tratando de um trabalho final. "Faz o que eles querem, quando terminar a faculdade você vai atrás das suas realizações pessoais", me aconselharam. Entretanto, a orientação que recebi foi desenvolver um projeto fotográfico. Apesar de adorar fotografia, estou longe de dominar a técnica ou a arte, e garanto que o resultado final de nada contribuiria com minhas atividades acadêmicas ou profissionais. Já me indicaram que eu deveria me aperfeiçoar nesta área, e não dispenso a ideia, principalmente por já trabalhar com audiovisual, em especial com filmagens - mas ainda não tenho um nível mínimo desejável para fazer um trabalho de conclusão na área. Sendo assim, apresentei uma nova proposta, a de desenvolver um website jornalístico especializado em dança tribal. Bem específico, não é mesmo?



O site está pronto, e quase não tive custos para fazê-lo. Coloquei em prática pautas que há muito tempo cobiçava para o meu blog. Foi uma provação para mim mesma todo este trabalho. E apesar de ter ido além das minhas próprias expectativas, acredito que o trabalho está longe de se dar por concluído, todavia meu prazo chegou ao fim. Nesta quarta entrego o relatório e a reportagem impressas e em mídia física. Na próxima semana tenho que apresentar o trabalho para a banca. Depois de ouvir as experiências de alguns amigos, sinceramente, estou preparada para o pior. Passei a última semana sem dormir, nem trabalhar, só revisando os últimos detalhes do projeto - para depois ouvir minha mãe dizer que não faço nada além de ficar no computador. Frustrante isso. Mas, enfim, sei que é de praxe a banca pedir inúmeras alterações e estou de corpo e mente aberta para isso.

Como cito nos agradecimentos, presente no site e no relatório, o que meus amigos e conselheiros disseram se fez verdade: a faculdade nos prepara muito além do conhecimento acadêmico, técnico e teórico. Contribui para a nossa formação de caráter, senso crítico e analítico. Amadurece o nosso julgamento sobre os fatos, sobre os outros, mas principalmente sobre nós mesmos. O penúltimo ano, entre 2015 e 2016, foi o mais difícil para mim, passei por muitas coisas que me fizeram questionar o rumo da minha vida a ponto de desejar mudanças drásticas. Elas aconteceram, mas não da forma como eu planejara. Em especial no último ano, passei por uma grande transformação quanto a minha filosofia de vida e minhas crenças. Abandonei de vez o cristianismo, pois há tempos já não sentia deus algum em meu coração. Além do fardo das religiões, também abandonei os rótulos quanto à opções sexuais. E decidi que monogamia é um mito (mas ainda não convenci meu namorido, rs). Também aceitei a dança como um hobbie, e com isso me permiti ajudar outros artistas em ascensão e, se necessário, permanecer nos bastidores - e esta foi, de longe, minha melhor escolha, pois agora tenho a liberdade poética de dançar sem me importar com o julgamento alheio, e sinto que a minha expressão na dança melhorou muito com isso. De forma geral, o que posso dizer é que tenho vivido muito melhor desde estas minhas recentes escolhas - como é gratificante poder me libertar das amarras da mente e, consequentemente, da culpa e do preconceito. Mas ainda tenho muito o que melhorar em termos de inteligência emocional, empatia e autoconfiança.
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