sábado, 15 de julho de 2017

Coquetel de Remédios

Eu me considero uma pessoa bastante saudável. Sempre pratiquei exercícios físicos com regularidade, me alimentei corretamente e bebi a quantidade de água indicada diariamente. Nunca tive problemas graves de saúde, afora minha companheira sinusite e a prisão de ventre de nascença. Além disso, desenvolvi um gosto por sucos naturais sem açúcar, pouco sal nos alimentos, alimentos integrais, azeite ao invés de óleo, limão ao invés de vinagre. Na minha casa, minha mãe administrava uma dieta bem balanceada, com frutas, verduras, vitaminas, chás e tudo mais. Ela tem a mão boa para cozinhar e detesta fast food e comidas congeladas, por exemplo. Então as poucas vezes que passei mal foi por conta da prisão de ventre, alguma intoxicação alimentar ou uma vez que minha pressão caiu. Por isso, quando caí de cama nesta terça-feira fiquei em choque.

Comecei o dia com a minha rotina normal, mas antes mesmo de ir para o escritório, senti um frio e uma sonolência terrível, deitei-me no sofá para tirar um cochilo, achando que não tinha dormido o suficiente, cobri-me com uma manta, mas mesmo assim o frio não me deixou, pelo contrário, só aumentou, num ponto que senti todo o meu corpo retraindo, e os músculos começaram a reclamar, assim a cabeça, ardendo. Foi torturante. Não sei ao certo o tempo, mas acho que apaguei uma hora depois, dormi até o corpo se aquecer novamente e acordei tonta, com uma forte dor na lombar, no abdômen, na cabeça e um pouco de dificuldade em respirar. Mesmo assim me levantei e fui para o escritório, pois tinha trabalho para fazer, e tinha prazo.

No final da tarde, aconteceu de novo. Pensei que fosse o apartamento que estivesse mais gelado que o normal, que a temperatura havia caído, então me agasalhei mais do que de costume, mandei mensagem para o meu marido e deitei no sofá. Novamente, a falta de ar e tudo mais, só que meus músculos já estavam lesionados, então foi bem pior. Quando meu marido chegou, três horas depois, eu ainda estava no sofá, toda encolhida, e ele me deu um analgésico. Contei o que havia acontecido e seu veredito foi que eu estava com fraqueza. Minha mãe disse o mesmo. Mas a gente conhece nosso corpo, a gente sabe o que é o que é. E não era fraqueza. De qualquer forma, tomei um caldo de fubá, fiz um pouco de inalação, e depois fui dormir, mesmo tendo apagado duas vezes no dia.

No dia seguinte acordei bem, restaurada, pronta para a aula de dança, sem dor nem nada. Estava me aprontando quando de repente senti o estômago embrulhar e a vista escurecer. Esta sensação, pelo menos, me era familiar, eu sabia que minha pressão estava caindo e, felizmente, não estava sozinha em casa. Antes de perder a consciência, sentei-me no chão, abaixei a cabeça e pedi para o meu marido me trazer água e sal e pressionar minha cabeça. Recuperei o fôlego, a temperatura do corpo e tudo mais. De qualquer forma, resolvi não esperar pelo próximo sinal e parti para o hospital. Ao chegar na triagem, as perguntas de praxe: "o que você está sentindo?", tentei explicar o que havia me ocorrido, mas fui interrompida: "o que você está sentindo agora?". Naquele momento eu estava bem, sem dor, com a temperatura estável. Detesto ter que concordar com a minha mãe nisso, mas às vezes tem que mentir no hospital se não você não é atendido. Então disse que estava com dor de cabeça, cólicas, enjoo e tontura.

Claro que o primeiro diagnóstico - de todo mundo - é que eu estava grávida. Qualquer enjoo ou tontura já te perguntam se é isso, se você tem vida sexual ativa. Ao que respondia de prontidão: eu acompanho meu ciclo, eu conheço meu corpo, não tem como eu estar grávida - não, eu não tomo anticoncepcional, é um mal que eliminei da minha vida há um ano e meio. Então o próximo passo era fazer os exames e tomar um coquetel de remédios - dramin, buscopan e mais alguma coisa. Eu nunca havia tomado dramin antes e ninguém me disse que isso me faria dormir. Eu já estava meio atordoada, depois do remédio acabei apagando onde estava: no carro do meu marido, sob o sol, no trânsito. Acordei toda suada com uma enxaqueca terrível. E a sonolência me perseguiu pelo resto da tarde.

Sim, estou com infecção de urina, para você que já notou os sintomas e já teve isso. Pesquisei bastante a respeito, sobre os tipos diferentes (provavelmente a minha é nos rins, ao invés da bexiga ou uretra - ou generalizada, sei lá, os médicos não costumam te explicar essas coisas), sobre como é mais comum nas mulheres devido o nosso órgão reprodutor ser menor e tudo mais (até nisso temos desvantagem, aff). Iniciei o tratamento no mesmo dia, ainda consegui terminar a noite como um humano sadio, no cinema e tals (era quarta-feira, dia de promoção). Na quinta, tomo o primeiro comprimido e sinto um enjoo terrível. Levanto com dor de cabeça, sentido-me meio tonta, com duas mãos esquerdas, dificuldade para me concentrar. De tardezinha, tenho mais um calafrio.

Como uma boa CDF, fui ler a bula dos remédios que estou tomando - 5 comprimidos por dia, durante uma semana (também não te explicam muita coisa sobre - só mandam você tomar e pronto. Queria que os atendimentos médicos fossem como nos filmes, com tudo bem explicadinho, detesto me sentir mal informada). Os efeitos colaterais incluíam confusão mental, sonolência, dor de cabeça, enjoo. A primeira coisa que pensei foi: "droga, deveria ter visto um tratamento natural, algum remédio caseiro. Que merda é essa!". Meu marido - adepto dos remédios e da medicina tradicional desde a infância, tendo ido ao hospital muitas vezes por N motivos - disse-me que era assim só nos primeiros dias, que era meu corpo se adaptando às drogas.

Pior que eu tinha trabalho agendando para sexta-feira e não queria desmarcar. Decidi ir mesmo assim. Mesmo sem conseguir comer direito, sentido-me meio lesada, contando as horas para o próximo comprimido. Fui. Felizmente, correu tudo bem, sem efeitos colaterais muito fortes (de qualquer forma, minha cliente é biomédica pós-graduada em medicina tradicional chinesa, então eu sabia que estava em boas mãos).

Hoje não senti dores de cabeça, já estou me alimentando normal e tudo mais, mas percebi mais um efeito colateral dos remédios: a mudança súbita de humor e os picos de energia ao final do efeito de um para o outro. Então acordei agitada, doida para faxinar a casa, consertar um figurino, super animada. Deu o horário de tomar o remédio e toda a energia se foi, só queria ficar quietinha, depois deitei e tirei um cochilo. Quando acordei, calculei mentalmente meu próximo pico de energia extra, e como previ, ocorreu por volta das nove. Não queria desperdiçar esse tempo, pois sabia que em duas horas teria que tomar o próximo comprimido.

Quando estava deitada no sofá morrendo de dores, tendo que cancelar as aulas de dança com as minhas alunas, só ficava pensando "eu só quero usar a Datura" (o programa de vídeo-aulas online que assino). Quando você acostuma com atividades físicas regulares, seu corpo reclama por ficar sem exercício. E é nesses momentos que percebo como eu realmente adoro dançar. Então entrei no site, escolhi um treino de uma hora, coloquei uma roupa confortável e me deliciei com os movimentos, o ritmo, tudo. Principalmente aquela dor gostosa nos músculos que vem após o treino, que reclamam por terem sido despertados e cutucados. Acho que foi um dos treinos mais curtos que fiz nos últimos tempos, mas um dos que eu mais valorizei.

Agora que terminei este post, vou ficar off - literalmente.


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