segunda-feira, 12 de junho de 2017

O TCC e meus valores de caráter

Quando comecei a faculdade, eu tinha a ideia romântica de que meu trabalho de conclusão de curso seria a realização de uma aspiração muito importante para mim, todavia não funciona bem assim, ficamos sujeitos às regras e padrões da instituição - quem já passou por esta etapa bem sabe. A relação entre o estudante e seu TCC é um tanto conflitosa - masoquista, eu diria. Uma relação de ódio e prazer, estresse e poder. Ao mesmo tempo que somos subestimados quanto à nossa capacidade, ficamos orgulhosos dos nossos resultados medíocres, no qual damos o sangue para alcançar algum patamar entre a nota mínima e a gratificação pessoal. Com o advento das mídias sociais, não podemos dispensar a ideia de compartilhar tal projeto e recebermos as parabenizações dos amigos e parentes. O que eles vão pensar talvez seja até mais importante do que a sua banca, no seu subconsciente.

Passei os últimos 12 meses fazendo meu TCC, mas penso nele desde que escolhi meu curso. No curso de jornalismo temos a opção de desenvolver uma monografia ou uma reportagem acompanhada de um relatório científico de fundamentação teórica. Eu optei pela reportagem. A princípio, meu desejo era conceber um livro-reportagem sobre dança tribal, unindo, desta forma, meu prazer em escrever com meu grande hobbie e as habilidades que adquiri em comunicação e jornalismo. Todavia, minha orientadora foi contra minha ideia e aprendi logo a não desacatar as orientações dos meus professores, principalmente se tratando de um trabalho final. "Faz o que eles querem, quando terminar a faculdade você vai atrás das suas realizações pessoais", me aconselharam. Entretanto, a orientação que recebi foi desenvolver um projeto fotográfico. Apesar de adorar fotografia, estou longe de dominar a técnica ou a arte, e garanto que o resultado final de nada contribuiria com minhas atividades acadêmicas ou profissionais. Já me indicaram que eu deveria me aperfeiçoar nesta área, e não dispenso a ideia, principalmente por já trabalhar com audiovisual, em especial com filmagens - mas ainda não tenho um nível mínimo desejável para fazer um trabalho de conclusão na área. Sendo assim, apresentei uma nova proposta, a de desenvolver um website jornalístico especializado em dança tribal. Bem específico, não é mesmo?



O site está pronto, e quase não tive custos para fazê-lo. Coloquei em prática pautas que há muito tempo cobiçava para o meu blog. Foi uma provação para mim mesma todo este trabalho. E apesar de ter ido além das minhas próprias expectativas, acredito que o trabalho está longe de se dar por concluído, todavia meu prazo chegou ao fim. Nesta quarta entrego o relatório e a reportagem impressas e em mídia física. Na próxima semana tenho que apresentar o trabalho para a banca. Depois de ouvir as experiências de alguns amigos, sinceramente, estou preparada para o pior. Passei a última semana sem dormir, nem trabalhar, só revisando os últimos detalhes do projeto - para depois ouvir minha mãe dizer que não faço nada além de ficar no computador. Frustrante isso. Mas, enfim, sei que é de praxe a banca pedir inúmeras alterações e estou de corpo e mente aberta para isso.

Como cito nos agradecimentos, presente no site e no relatório, o que meus amigos e conselheiros disseram se fez verdade: a faculdade nos prepara muito além do conhecimento acadêmico, técnico e teórico. Contribui para a nossa formação de caráter, senso crítico e analítico. Amadurece o nosso julgamento sobre os fatos, sobre os outros, mas principalmente sobre nós mesmos. O penúltimo ano, entre 2015 e 2016, foi o mais difícil para mim, passei por muitas coisas que me fizeram questionar o rumo da minha vida a ponto de desejar mudanças drásticas. Elas aconteceram, mas não da forma como eu planejara. Em especial no último ano, passei por uma grande transformação quanto a minha filosofia de vida e minhas crenças. Abandonei de vez o cristianismo, pois há tempos já não sentia deus algum em meu coração. Além do fardo das religiões, também abandonei os rótulos quanto à opções sexuais. E decidi que monogamia é um mito (mas ainda não convenci meu namorido, rs). Também aceitei a dança como um hobbie, e com isso me permiti ajudar outros artistas em ascensão e, se necessário, permanecer nos bastidores - e esta foi, de longe, minha melhor escolha, pois agora tenho a liberdade poética de dançar sem me importar com o julgamento alheio, e sinto que a minha expressão na dança melhorou muito com isso. De forma geral, o que posso dizer é que tenho vivido muito melhor desde estas minhas recentes escolhas - como é gratificante poder me libertar das amarras da mente e, consequentemente, da culpa e do preconceito. Mas ainda tenho muito o que melhorar em termos de inteligência emocional, empatia e autoconfiança.

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