quinta-feira, 22 de junho de 2017

Minha Apresentação do TCC

Já que eu escrevi aqui sobre a produção do meu TCC, nada mais justo que postar sobre a experiência da apresentação! Preciso confessar que aprendi muitos "truques" de apresentação na disciplina de Comunicação Oral e Escrita que tive no curso de Assistente Administrativo pelo Senai aos 15 anos. Aprendi a escrever o que vou falar, levar uma "colinha" comigo, ensaiar a apresentação em casa e, principalmente, cronometrar o tempo da apresentação, além de algumas técnicas de respiração (para ter fôlego para falar), como controlar o nervosismo e como se postar diante do público. Tudo isso me foi muito útil ao longo da faculdade, acrescido das técnicas de Jornalismo, não tinha como eu me sair mal na apresentação. Todavia, pequei ao realizar a leitura de uma citação logo no início, esqueci de colocar o slide com a citação em destaque e não fiz uso das técnicas de leitura dinâmica que aprendi ao longo do curso, e é claro que isso não passou despercebido pela professora convidada na banca, que foi justo minha professora de telejornalismo.

Sempre fico nervosa no início de uma apresentação, é num segundo momento que relaxo e tomo controle da situação e, desta forma, consigo desenrolar de forma mais dinâmica. Nem sempre fui bem sucedida, tal como a experiência que tive com a palestra de jornalismo moderno na feira de profissões da minha antiga escola. Aprendi com o erro e também acatei as considerações dos meus colegas e da minha orientadora metodológica no ensaio da apresentação, que aconteceu na semana anterior. Afora esse pequeno deslize no início, o restante da apresentação seguiu tranquilamente, não deixei nada relevante de fora, ainda que me esqueci de abordar alguns tópicos no tempo certo, consegui retomá-los de forma natural. Nunca dez minutos de apresentação levam uma eternidade como acontece na apresentação de um TCC. A carga emotiva é muito forte e influencia em tudo. Seguido da apresentação, os professores fazem seus comentários. A banca avalia tanto nossa apresentação, quanto o trabalho prático e o relatório de fundamentação teórica. Do meu trabalho e relatório, fico feliz em dizer que praticamente não tive comentários negativos. Apesar do receio que se estabeleceu quando apresentei minha proposta, consegui surpreender os professores com o resultado final.

Página inicial dos meus slides
A professora convidada foi a mais crítica, mas ela tem seus motivos: telejornalismo não foi minha melhor disciplina, cheguei até a abandonar as aulas. A considero uma especialista em apresentação, roteiro, pauta, edição, e todos os seus comentários foram relevantes, considerando que é muito atenciosa aos detalhes e sempre almeja a perfeição. Confesso que todo ano nossa turma achava que ela iria se aposentar (esperávamos até), mas ela sempre retornava, mais lúcida do que nunca! Hahaha. Acho que hoje eu consigo compreendê-la melhor e, se retomar a disciplina pendente com ela, acredito que tirarei mais proveito da matéria. Já minha orientadora metodológica, que ficou no meu pé o ano todo, não teve nenhum comentário negativo! Todos os alunos a temem e eu já estava preparada para suas críticas, então foi uma surpresa e tanto. Acho que durante este ano que passei em sua companhia, aprendi a ponderar suas considerações, e posso afirmar que nada me deixa mais grata do que ter conseguido a aprovação dela com a apresentação e o trabalho final.

Fiquei encantada, especificamente, com as palavras do meu orientador específico. O professor Paulo me acompanha desde o primeiro semestre e é o único professor com quem troco e-mails. Já escrevi sobre ele aqui. Meu TCC foi um website multimídia sobre dança tribal, e acredito que meu professor conseguiu captar com exatidão a mensagem que procurei transmitir com o trabalho, pontuando a dança como uma expressão artística muito relevante em tempos de crise econômica e política. Como mestre em semiótica, não poderia deixar de abordar o conceito de "tribal". E senti que falar da década de 60 à 90 (período que compreende a ascensão da dança tribal) o remeteu a alguns episódios de sua juventude, rs. Apesar de tratar da dança como uma prática ritualística, ficou claro que ela surgiu junto aos movimentos contraculturais e subentendido que suas praticantes são mulheres alternativas, adeptas de artes corporais e, principalmente, a movimentos em pró do empoderamento feminino. E meu professor nada bobo sacou isso. Mas ele também captou a essência do meu trabalho com a dança. Falou do mercado da cultura, de como a dança é negligenciada nos veículos de comunicação, de como a arte é comercializada, e ressaltou a importância de ocupar locais públicos e realizar intervenções urbanas.


Tratando de web jornalismo, falamos posteriormente sobre como a maior parte dos sites são poluídos e as matérias são mal escritas, privilegiando a agilidade ao invés da qualidade de conteúdo. Meu website contém notícias, resenhas, artigos, entrevistas e depoimentos de agentes da dança tribal, apresentando não somente em texto, mas também em fotos, vídeos e áudios. Também criei páginas de serviço: mapeamento de ateliers, escolas e grupos especializados em dança tribal; agenda cultural; galeria de mídias e glossário com a desambiguação de algumas terminologias utilizadas na dança tribal. Na apresentação, mostrei um trecho do vídeo de um espetáculo de dança da Shaman Tribal Co., que destaquei como a minha reportagem especial. Também citei o trabalho acadêmico da pesquisadora Joline Andrade, a presença dos homens na dança e o estilo Tribal Brasil, desenvolvido pioneiramente por Kilma Farias, seguido da Shaman Tribal Co. e do dançarino Marcelo Justino, dentre outros. O website "Mulheres que Dançam" está disponível em http://tribalarchive.com/mulheresquedancam




segunda-feira, 12 de junho de 2017

O TCC e meus valores de caráter

Quando comecei a faculdade, eu tinha a ideia romântica de que meu trabalho de conclusão de curso seria a realização de uma aspiração muito importante para mim, todavia não funciona bem assim, ficamos sujeitos às regras e padrões da instituição - quem já passou por esta etapa bem sabe. A relação entre o estudante e seu TCC é um tanto conflitosa - masoquista, eu diria. Uma relação de ódio e prazer, estresse e poder. Ao mesmo tempo que somos subestimados quanto à nossa capacidade, ficamos orgulhosos dos nossos resultados medíocres, no qual damos o sangue para alcançar algum patamar entre a nota mínima e a gratificação pessoal. Com o advento das mídias sociais, não podemos dispensar a ideia de compartilhar tal projeto e recebermos as parabenizações dos amigos e parentes. O que eles vão pensar talvez seja até mais importante do que a sua banca, no seu subconsciente.

Passei os últimos 12 meses fazendo meu TCC, mas penso nele desde que escolhi meu curso. No curso de jornalismo temos a opção de desenvolver uma monografia ou uma reportagem acompanhada de um relatório científico de fundamentação teórica. Eu optei pela reportagem. A princípio, meu desejo era conceber um livro-reportagem sobre dança tribal, unindo, desta forma, meu prazer em escrever com meu grande hobbie e as habilidades que adquiri em comunicação e jornalismo. Todavia, minha orientadora foi contra minha ideia e aprendi logo a não desacatar as orientações dos meus professores, principalmente se tratando de um trabalho final. "Faz o que eles querem, quando terminar a faculdade você vai atrás das suas realizações pessoais", me aconselharam. Entretanto, a orientação que recebi foi desenvolver um projeto fotográfico. Apesar de adorar fotografia, estou longe de dominar a técnica ou a arte, e garanto que o resultado final de nada contribuiria com minhas atividades acadêmicas ou profissionais. Já me indicaram que eu deveria me aperfeiçoar nesta área, e não dispenso a ideia, principalmente por já trabalhar com audiovisual, em especial com filmagens - mas ainda não tenho um nível mínimo desejável para fazer um trabalho de conclusão na área. Sendo assim, apresentei uma nova proposta, a de desenvolver um website jornalístico especializado em dança tribal. Bem específico, não é mesmo?



O site está pronto, e quase não tive custos para fazê-lo. Coloquei em prática pautas que há muito tempo cobiçava para o meu blog. Foi uma provação para mim mesma todo este trabalho. E apesar de ter ido além das minhas próprias expectativas, acredito que o trabalho está longe de se dar por concluído, todavia meu prazo chegou ao fim. Nesta quarta entrego o relatório e a reportagem impressas e em mídia física. Na próxima semana tenho que apresentar o trabalho para a banca. Depois de ouvir as experiências de alguns amigos, sinceramente, estou preparada para o pior. Passei a última semana sem dormir, nem trabalhar, só revisando os últimos detalhes do projeto - para depois ouvir minha mãe dizer que não faço nada além de ficar no computador. Frustrante isso. Mas, enfim, sei que é de praxe a banca pedir inúmeras alterações e estou de corpo e mente aberta para isso.

Como cito nos agradecimentos, presente no site e no relatório, o que meus amigos e conselheiros disseram se fez verdade: a faculdade nos prepara muito além do conhecimento acadêmico, técnico e teórico. Contribui para a nossa formação de caráter, senso crítico e analítico. Amadurece o nosso julgamento sobre os fatos, sobre os outros, mas principalmente sobre nós mesmos. O penúltimo ano, entre 2015 e 2016, foi o mais difícil para mim, passei por muitas coisas que me fizeram questionar o rumo da minha vida a ponto de desejar mudanças drásticas. Elas aconteceram, mas não da forma como eu planejara. Em especial no último ano, passei por uma grande transformação quanto a minha filosofia de vida e minhas crenças. Abandonei de vez o cristianismo, pois há tempos já não sentia deus algum em meu coração. Além do fardo das religiões, também abandonei os rótulos quanto à opções sexuais. E decidi que monogamia é um mito (mas ainda não convenci meu namorido, rs). Também aceitei a dança como um hobbie, e com isso me permiti ajudar outros artistas em ascensão e, se necessário, permanecer nos bastidores - e esta foi, de longe, minha melhor escolha, pois agora tenho a liberdade poética de dançar sem me importar com o julgamento alheio, e sinto que a minha expressão na dança melhorou muito com isso. De forma geral, o que posso dizer é que tenho vivido muito melhor desde estas minhas recentes escolhas - como é gratificante poder me libertar das amarras da mente e, consequentemente, da culpa e do preconceito. Mas ainda tenho muito o que melhorar em termos de inteligência emocional, empatia e autoconfiança.
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