quarta-feira, 5 de abril de 2017

Não precisamos de um motivo

Recentemente eu assisti a nova série da Netflix, 13 Reasons Why, e confesso que a série me deixou um tanto reflexiva. Assisti numa porradela só: foi numa dessas madrugadas em que troquei a noite pelo dia e depois fiquei sem sono. Além da série, assisti também um making of com atores, produtores, psicólogos e ativistas convidados (já falei que amo making of?). Resumidamente, a série tem como protagonista uma adolescente que grava 13 fitas contendo os 13 motivos pelo qual decide tirar a própria vida. Além do suicídio, temas como assédio moral e sexual, depressão e cyberbullyng são fortemente destacados nos episódios, além de todos os dramas adolescentes pelos quais todos nós passamos, e todos os clichés românticos - o primeiro beijo, o primeiro amor, a primeira vez - mas nem sempre é tudo bonito e romântico.

A princípio, fiquei muito incomodada com as questões abordadas e, de certa forma, feliz por alguém ter falado sobre isso - a intenção é essa mesma, incomodar. Se você assiste cenas de violência sexual e não se sente desconfortável com isso, você tem algum problema. Com o feminismo em alta, falar sobre sexo e assédio está deixando de ser um tabu, mas ainda leva a muitas interpretações diferentes, e muitas vezes errôneas. Ninguém fala sobre suicídio, mesmo sendo a 2ª maior causa de morte entre os adolescentes. O cyberbullyng acontece, é real, mas ninguém quer enxergar ou finge que não é contigo - sim, você alega ser contra, mas está lá nas redes sociais marginalizando o próximo e justifica que está apenas expressando seu direito de dizer o que pensa. E a depressão ainda é muito mal compreendida na sociedade moderna.



Eis que estou refletindo sobre tudo isso e chego a uma conclusão. Não precisamos de um motivo. Não se trata de um roteiro pronto. Não precisamos ficar tristes para entrar em depressão. Não precisamos criar a oportunidade para sermos assediadas. Não precisamos de uma desculpa para tirar a própria vida. Pelo contrário: um suicida não fica triste com a ideia de se matar. Ele enxerga a morte como uma solução. Para ele, não é algo ruim, de certa forma. É só uma maneira de silenciar a mente, ficar em paz, dizer adeus à toda sujeira do mundo.

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