quarta-feira, 5 de abril de 2017

Desempreendendo


Outro dia cogitei fortemente a ideia de voltar para o mercado de trabalho formal por inconformidade financeira. Quando parei para pensar no quanto estou investindo e no pouco retorno que estou tendo, fui tomada por uma desmotivação esmagadora. E ouvir uns podcasts sarcásticos de desempreendedorismo do Não Salvo não ajudou muito. Um dos "ensinamentos" para fracassar é "siga seus sonhos".

Mas então li um artigo no site da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios que me lembrou porque entrei nessa. Resumidamente, o artigo lista 3 tópicos que são bons e ao mesmo tempo ruins na vida do empreendedor - segundo o autor:
  1. (Não) ter chefe;
  2. Horário (in)flexível;
  3. Deixar (ou não) um legado.
E eu, para variar, descordo totalmente. O tempo todo o autor fala da falta de responsabilidade e organização de um trabalhador autônomo, colocando a falta de regras como algo bom, e não ter um chefe ou um sistema de trabalho rígido para te pôr na linha como algo ruim. E, para matar de vez, ainda diz que se você se você é demitido pelo menos tem direito a vários benefícios, "já os empreendedores que quebram não levam nada." Gente, que absurdo! Nunca vi tanta baboseira, sério.

Para começar, empreendedorismo não é algo que se constroi da noite para o dia. Assim como qualquer carreira, é uma vocação que nasce contigo. A gente trabalha mais sim, mas não é um sacrífico, trabalhamos com prazer. Não é como quando chega a sexta-feira e você passou por poucas e boas no serviço e só pensa na hora de chegar em casa, e a semana mais feliz é quando recebe seu salário ou quando se aproxima da próxima férias ou feriado. Também temos altos e baixos no trabalho autônomo, mas não cogitamos a ideia de "pedir demissão". Temos clientes bons e clientes ruins, mas acabamos desenvolvendo um jeitinho para lidar com eles. Não dá para aguentar aquele chefe mala ou "colega" de trabalho chato por muito tempo. E quando aquele projeto não dá certo, você parte para o próximo! Simples assim. Empreendedorismo não é uma coisa de momento, não é uma fase. Você pode começar empreendendo em casa, no trabalho, na escola, enfim.

Falando por mim e pelo trabalho que faço - em casa, o mais me dói na ideia de voltar para um ambiente de trabalho formal é lidar com as pessoas, sério. Quando não estou bem, durmo até tarde, preparo um chá quente, vou para o escritório mal humorada e de pijama, e trabalho offline. Num ambiente corporativo, não posso me dar ao luxo de ficar triste, ou carrancuda, temos que fingir estar bem o tempo todo, e isso é horrível. Lembro quando chegava aquela semana do mês e todas as mulheres ficavam escrotas, é quando eu recebia broncas da minha supervisora, por exemplo. Não quero passar por isso novamente.

Então, ok, posso estar ganhando bem abaixo do que eu poderia estar ganhando com carteira assinada, pelo menos neste começo de carreira, mas não quero abrir mão da DELICIOSA rotina de autônoma para ter que voltar a lidar com o mercado de trabalho formal. Talvez eu esteja exagerando, já me peguei pensando na empresa ideal, atuando na minha área, liderando uma equipe ou trabalhando remotamente, vestindo a camisa da marca com orgulho, tendo um salário cheio e ótimos benefícios... se eu encontrar este serviço, te aviso. Enquanto isso, fica com um pouquinho de inspiração do grupo Negócio de Mulher, que tem me ajudado bastante a manter o foco ❤


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