sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Um problemático para chamar de meu

Sua pele coberta de cicatrizes escondem os segredos de um passado obscuro, uma alma perturbada, mas o sofrimento se revela através dos seus olhos rebeldes, ou quando range os dentes à noite. Seu sorriso é superficial, sua boca está sempre curvada para baixo, seus toques são breves e ele não gosta de receber carinho – teu corpo já fora muito maltratado. Ele já sentiu o sangue arder na pele, o calor queimar sua superfície, a lâmina cortar fundo e deixar uma ferida aberta e incurável, mas as sequelas maiores são as psicológicas: ele já viveu a agonia de esquecer, sua mente traiçoeira não lhe permite saber o que foi real ou não; e a agonia de reviver todos os dias as lembranças dolorosas, carregadas de mágoa e rancor. Oscilando entre o amor e o ódio, não há mais lágrimas a derramar porque a fonte já secou, a frieza abraça teu coração de tal modo que ele se tornou impenetrável.

Somente quando roça tua barba em meu rosto, quando me deixa te abraçar enquanto dorme ou quando me olha com ansiedade antes de eu partir é que sei que ele me ama. Desisti de esperar por um beijo teu, mas todas as manhãs sinto teus lábios em meu rosto, numa despedida demorada, às vezes acompanhada de um cafuné gostoso. Preciso aprender a respeitar teu espaço, da mesma forma que sinto a necessidade de ter toda sua atenção somente para mim, sei que seu amor possessivo me domina de tal forma que só tenho olhos e ouvidos para suas palavras, inclusive as que não são ditas, ou para as que se perdem nas entrelinhas. Repreender-me através de sermões é a sua maneira de demostrar que se preocupa comigo; a gente briga só para poder fazer as pazes depois.


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