sábado, 15 de julho de 2017

Coquetel de Remédios

Eu me considero uma pessoa bastante saudável. Sempre pratiquei exercícios físicos com regularidade, me alimentei corretamente e bebi a quantidade de água indicada diariamente. Nunca tive problemas graves de saúde, afora minha companheira sinusite e a prisão de ventre de nascença. Além disso, desenvolvi um gosto por sucos naturais sem açúcar, pouco sal nos alimentos, alimentos integrais, azeite ao invés de óleo, limão ao invés de vinagre. Na minha casa, minha mãe administrava uma dieta bem balanceada, com frutas, verduras, vitaminas, chás e tudo mais. Ela tem a mão boa para cozinhar e detesta fast food e comidas congeladas, por exemplo. Então as poucas vezes que passei mal foi por conta da prisão de ventre, alguma intoxicação alimentar ou uma vez que minha pressão caiu. Por isso, quando caí de cama nesta terça-feira fiquei em choque.

Comecei o dia com a minha rotina normal, mas antes mesmo de ir para o escritório, senti um frio e uma sonolência terrível, deitei-me no sofá para tirar um cochilo, achando que não tinha dormido o suficiente, cobri-me com uma manta, mas mesmo assim o frio não me deixou, pelo contrário, só aumentou, num ponto que senti todo o meu corpo retraindo, e os músculos começaram a reclamar, assim a cabeça, ardendo. Foi torturante. Não sei ao certo o tempo, mas acho que apaguei uma hora depois, dormi até o corpo se aquecer novamente e acordei tonta, com uma forte dor na lombar, no abdômen, na cabeça e um pouco de dificuldade em respirar. Mesmo assim me levantei e fui para o escritório, pois tinha trabalho para fazer, e tinha prazo.

No final da tarde, aconteceu de novo. Pensei que fosse o apartamento que estivesse mais gelado que o normal, que a temperatura havia caído, então me agasalhei mais do que de costume, mandei mensagem para o meu marido e deitei no sofá. Novamente, a falta de ar e tudo mais, só que meus músculos já estavam lesionados, então foi bem pior. Quando meu marido chegou, três horas depois, eu ainda estava no sofá, toda encolhida, e ele me deu um analgésico. Contei o que havia acontecido e seu veredito foi que eu estava com fraqueza. Minha mãe disse o mesmo. Mas a gente conhece nosso corpo, a gente sabe o que é o que é. E não era fraqueza. De qualquer forma, tomei um caldo de fubá, fiz um pouco de inalação, e depois fui dormir, mesmo tendo apagado duas vezes no dia.

No dia seguinte acordei bem, restaurada, pronta para a aula de dança, sem dor nem nada. Estava me aprontando quando de repente senti o estômago embrulhar e a vista escurecer. Esta sensação, pelo menos, me era familiar, eu sabia que minha pressão estava caindo e, felizmente, não estava sozinha em casa. Antes de perder a consciência, sentei-me no chão, abaixei a cabeça e pedi para o meu marido me trazer água e sal e pressionar minha cabeça. Recuperei o fôlego, a temperatura do corpo e tudo mais. De qualquer forma, resolvi não esperar pelo próximo sinal e parti para o hospital. Ao chegar na triagem, as perguntas de praxe: "o que você está sentindo?", tentei explicar o que havia me ocorrido, mas fui interrompida: "o que você está sentindo agora?". Naquele momento eu estava bem, sem dor, com a temperatura estável. Detesto ter que concordar com a minha mãe nisso, mas às vezes tem que mentir no hospital se não você não é atendido. Então disse que estava com dor de cabeça, cólicas, enjoo e tontura.

Claro que o primeiro diagnóstico - de todo mundo - é que eu estava grávida. Qualquer enjoo ou tontura já te perguntam se é isso, se você tem vida sexual ativa. Ao que respondia de prontidão: eu acompanho meu ciclo, eu conheço meu corpo, não tem como eu estar grávida - não, eu não tomo anticoncepcional, é um mal que eliminei da minha vida há um ano e meio. Então o próximo passo era fazer os exames e tomar um coquetel de remédios - dramin, buscopan e mais alguma coisa. Eu nunca havia tomado dramin antes e ninguém me disse que isso me faria dormir. Eu já estava meio atordoada, depois do remédio acabei apagando onde estava: no carro do meu marido, sob o sol, no trânsito. Acordei toda suada com uma enxaqueca terrível. E a sonolência me perseguiu pelo resto da tarde.

Sim, estou com infecção de urina, para você que já notou os sintomas e já teve isso. Pesquisei bastante a respeito, sobre os tipos diferentes (provavelmente a minha é nos rins, ao invés da bexiga ou uretra - ou generalizada, sei lá, os médicos não costumam te explicar essas coisas), sobre como é mais comum nas mulheres devido o nosso órgão reprodutor ser menor e tudo mais (até nisso temos desvantagem, aff). Iniciei o tratamento no mesmo dia, ainda consegui terminar a noite como um humano sadio, no cinema e tals (era quarta-feira, dia de promoção). Na quinta, tomo o primeiro comprimido e sinto um enjoo terrível. Levanto com dor de cabeça, sentido-me meio tonta, com duas mãos esquerdas, dificuldade para me concentrar. De tardezinha, tenho mais um calafrio.

Como uma boa CDF, fui ler a bula dos remédios que estou tomando - 5 comprimidos por dia, durante uma semana (também não te explicam muita coisa sobre - só mandam você tomar e pronto. Queria que os atendimentos médicos fossem como nos filmes, com tudo bem explicadinho, detesto me sentir mal informada). Os efeitos colaterais incluíam confusão mental, sonolência, dor de cabeça, enjoo. A primeira coisa que pensei foi: "droga, deveria ter visto um tratamento natural, algum remédio caseiro. Que merda é essa!". Meu marido - adepto dos remédios e da medicina tradicional desde a infância, tendo ido ao hospital muitas vezes por N motivos - disse-me que era assim só nos primeiros dias, que era meu corpo se adaptando às drogas.

Pior que eu tinha trabalho agendando para sexta-feira e não queria desmarcar. Decidi ir mesmo assim. Mesmo sem conseguir comer direito, sentido-me meio lesada, contando as horas para o próximo comprimido. Fui. Felizmente, correu tudo bem, sem efeitos colaterais muito fortes (de qualquer forma, minha cliente é biomédica pós-graduada em medicina tradicional chinesa, então eu sabia que estava em boas mãos).

Hoje não senti dores de cabeça, já estou me alimentando normal e tudo mais, mas percebi mais um efeito colateral dos remédios: a mudança súbita de humor e os picos de energia ao final do efeito de um para o outro. Então acordei agitada, doida para faxinar a casa, consertar um figurino, super animada. Deu o horário de tomar o remédio e toda a energia se foi, só queria ficar quietinha, depois deitei e tirei um cochilo. Quando acordei, calculei mentalmente meu próximo pico de energia extra, e como previ, ocorreu por volta das nove. Não queria desperdiçar esse tempo, pois sabia que em duas horas teria que tomar o próximo comprimido.

Quando estava deitada no sofá morrendo de dores, tendo que cancelar as aulas de dança com as minhas alunas, só ficava pensando "eu só quero usar a Datura" (o programa de vídeo-aulas online que assino). Quando você acostuma com atividades físicas regulares, seu corpo reclama por ficar sem exercício. E é nesses momentos que percebo como eu realmente adoro dançar. Então entrei no site, escolhi um treino de uma hora, coloquei uma roupa confortável e me deliciei com os movimentos, o ritmo, tudo. Principalmente aquela dor gostosa nos músculos que vem após o treino, que reclamam por terem sido despertados e cutucados. Acho que foi um dos treinos mais curtos que fiz nos últimos tempos, mas um dos que eu mais valorizei.

Agora que terminei este post, vou ficar off - literalmente.


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Minha Apresentação do TCC

Já que eu escrevi aqui sobre a produção do meu TCC, nada mais justo que postar sobre a experiência da apresentação! Preciso confessar que aprendi muitos "truques" de apresentação na disciplina de Comunicação Oral e Escrita que tive no curso de Assistente Administrativo pelo Senai aos 15 anos. Aprendi a escrever o que vou falar, levar uma "colinha" comigo, ensaiar a apresentação em casa e, principalmente, cronometrar o tempo da apresentação, além de algumas técnicas de respiração (para ter fôlego para falar), como controlar o nervosismo e como se postar diante do público. Tudo isso me foi muito útil ao longo da faculdade, acrescido das técnicas de Jornalismo, não tinha como eu me sair mal na apresentação. Todavia, pequei ao realizar a leitura de uma citação logo no início, esqueci de colocar o slide com a citação em destaque e não fiz uso das técnicas de leitura dinâmica que aprendi ao longo do curso, e é claro que isso não passou despercebido pela professora convidada na banca, que foi justo minha professora de telejornalismo.

Sempre fico nervosa no início de uma apresentação, é num segundo momento que relaxo e tomo controle da situação e, desta forma, consigo desenrolar de forma mais dinâmica. Nem sempre fui bem sucedida, tal como a experiência que tive com a palestra de jornalismo moderno na feira de profissões da minha antiga escola. Aprendi com o erro e também acatei as considerações dos meus colegas e da minha orientadora metodológica no ensaio da apresentação, que aconteceu na semana anterior. Afora esse pequeno deslize no início, o restante da apresentação seguiu tranquilamente, não deixei nada relevante de fora, ainda que me esqueci de abordar alguns tópicos no tempo certo, consegui retomá-los de forma natural. Nunca dez minutos de apresentação levam uma eternidade como acontece na apresentação de um TCC. A carga emotiva é muito forte e influencia em tudo. Seguido da apresentação, os professores fazem seus comentários. A banca avalia tanto nossa apresentação, quanto o trabalho prático e o relatório de fundamentação teórica. Do meu trabalho e relatório, fico feliz em dizer que praticamente não tive comentários negativos. Apesar do receio que se estabeleceu quando apresentei minha proposta, consegui surpreender os professores com o resultado final.

Página inicial dos meus slides
A professora convidada foi a mais crítica, mas ela tem seus motivos: telejornalismo não foi minha melhor disciplina, cheguei até a abandonar as aulas. A considero uma especialista em apresentação, roteiro, pauta, edição, e todos os seus comentários foram relevantes, considerando que é muito atenciosa aos detalhes e sempre almeja a perfeição. Confesso que todo ano nossa turma achava que ela iria se aposentar (esperávamos até), mas ela sempre retornava, mais lúcida do que nunca! Hahaha. Acho que hoje eu consigo compreendê-la melhor e, se retomar a disciplina pendente com ela, acredito que tirarei mais proveito da matéria. Já minha orientadora metodológica, que ficou no meu pé o ano todo, não teve nenhum comentário negativo! Todos os alunos a temem e eu já estava preparada para suas críticas, então foi uma surpresa e tanto. Acho que durante este ano que passei em sua companhia, aprendi a ponderar suas considerações, e posso afirmar que nada me deixa mais grata do que ter conseguido a aprovação dela com a apresentação e o trabalho final.

Fiquei encantada, especificamente, com as palavras do meu orientador específico. O professor Paulo me acompanha desde o primeiro semestre e é o único professor com quem troco e-mails. Já escrevi sobre ele aqui. Meu TCC foi um website multimídia sobre dança tribal, e acredito que meu professor conseguiu captar com exatidão a mensagem que procurei transmitir com o trabalho, pontuando a dança como uma expressão artística muito relevante em tempos de crise econômica e política. Como mestre em semiótica, não poderia deixar de abordar o conceito de "tribal". E senti que falar da década de 60 à 90 (período que compreende a ascensão da dança tribal) o remeteu a alguns episódios de sua juventude, rs. Apesar de tratar da dança como uma prática ritualística, ficou claro que ela surgiu junto aos movimentos contraculturais e subentendido que suas praticantes são mulheres alternativas, adeptas de artes corporais e, principalmente, a movimentos em pró do empoderamento feminino. E meu professor nada bobo sacou isso. Mas ele também captou a essência do meu trabalho com a dança. Falou do mercado da cultura, de como a dança é negligenciada nos veículos de comunicação, de como a arte é comercializada, e ressaltou a importância de ocupar locais públicos e realizar intervenções urbanas.


Tratando de web jornalismo, falamos posteriormente sobre como a maior parte dos sites são poluídos e as matérias são mal escritas, privilegiando a agilidade ao invés da qualidade de conteúdo. Meu website contém notícias, resenhas, artigos, entrevistas e depoimentos de agentes da dança tribal, apresentando não somente em texto, mas também em fotos, vídeos e áudios. Também criei páginas de serviço: mapeamento de ateliers, escolas e grupos especializados em dança tribal; agenda cultural; galeria de mídias e glossário com a desambiguação de algumas terminologias utilizadas na dança tribal. Na apresentação, mostrei um trecho do vídeo de um espetáculo de dança da Shaman Tribal Co., que destaquei como a minha reportagem especial. Também citei o trabalho acadêmico da pesquisadora Joline Andrade, a presença dos homens na dança e o estilo Tribal Brasil, desenvolvido pioneiramente por Kilma Farias, seguido da Shaman Tribal Co. e do dançarino Marcelo Justino, dentre outros. O website "Mulheres que Dançam" está disponível em http://tribalarchive.com/mulheresquedancam




segunda-feira, 12 de junho de 2017

O TCC e meus valores de caráter

Quando comecei a faculdade, eu tinha a ideia romântica de que meu trabalho de conclusão de curso seria a realização de uma aspiração muito importante para mim, todavia não funciona bem assim, ficamos sujeitos às regras e padrões da instituição - quem já passou por esta etapa bem sabe. A relação entre o estudante e seu TCC é um tanto conflitosa - masoquista, eu diria. Uma relação de ódio e prazer, estresse e poder. Ao mesmo tempo que somos subestimados quanto à nossa capacidade, ficamos orgulhosos dos nossos resultados medíocres, no qual damos o sangue para alcançar algum patamar entre a nota mínima e a gratificação pessoal. Com o advento das mídias sociais, não podemos dispensar a ideia de compartilhar tal projeto e recebermos as parabenizações dos amigos e parentes. O que eles vão pensar talvez seja até mais importante do que a sua banca, no seu subconsciente.

Passei os últimos 12 meses fazendo meu TCC, mas penso nele desde que escolhi meu curso. No curso de jornalismo temos a opção de desenvolver uma monografia ou uma reportagem acompanhada de um relatório científico de fundamentação teórica. Eu optei pela reportagem. A princípio, meu desejo era conceber um livro-reportagem sobre dança tribal, unindo, desta forma, meu prazer em escrever com meu grande hobbie e as habilidades que adquiri em comunicação e jornalismo. Todavia, minha orientadora foi contra minha ideia e aprendi logo a não desacatar as orientações dos meus professores, principalmente se tratando de um trabalho final. "Faz o que eles querem, quando terminar a faculdade você vai atrás das suas realizações pessoais", me aconselharam. Entretanto, a orientação que recebi foi desenvolver um projeto fotográfico. Apesar de adorar fotografia, estou longe de dominar a técnica ou a arte, e garanto que o resultado final de nada contribuiria com minhas atividades acadêmicas ou profissionais. Já me indicaram que eu deveria me aperfeiçoar nesta área, e não dispenso a ideia, principalmente por já trabalhar com audiovisual, em especial com filmagens - mas ainda não tenho um nível mínimo desejável para fazer um trabalho de conclusão na área. Sendo assim, apresentei uma nova proposta, a de desenvolver um website jornalístico especializado em dança tribal. Bem específico, não é mesmo?



O site está pronto, e quase não tive custos para fazê-lo. Coloquei em prática pautas que há muito tempo cobiçava para o meu blog. Foi uma provação para mim mesma todo este trabalho. E apesar de ter ido além das minhas próprias expectativas, acredito que o trabalho está longe de se dar por concluído, todavia meu prazo chegou ao fim. Nesta quarta entrego o relatório e a reportagem impressas e em mídia física. Na próxima semana tenho que apresentar o trabalho para a banca. Depois de ouvir as experiências de alguns amigos, sinceramente, estou preparada para o pior. Passei a última semana sem dormir, nem trabalhar, só revisando os últimos detalhes do projeto - para depois ouvir minha mãe dizer que não faço nada além de ficar no computador. Frustrante isso. Mas, enfim, sei que é de praxe a banca pedir inúmeras alterações e estou de corpo e mente aberta para isso.

Como cito nos agradecimentos, presente no site e no relatório, o que meus amigos e conselheiros disseram se fez verdade: a faculdade nos prepara muito além do conhecimento acadêmico, técnico e teórico. Contribui para a nossa formação de caráter, senso crítico e analítico. Amadurece o nosso julgamento sobre os fatos, sobre os outros, mas principalmente sobre nós mesmos. O penúltimo ano, entre 2015 e 2016, foi o mais difícil para mim, passei por muitas coisas que me fizeram questionar o rumo da minha vida a ponto de desejar mudanças drásticas. Elas aconteceram, mas não da forma como eu planejara. Em especial no último ano, passei por uma grande transformação quanto a minha filosofia de vida e minhas crenças. Abandonei de vez o cristianismo, pois há tempos já não sentia deus algum em meu coração. Além do fardo das religiões, também abandonei os rótulos quanto à opções sexuais. E decidi que monogamia é um mito (mas ainda não convenci meu namorido, rs). Também aceitei a dança como um hobbie, e com isso me permiti ajudar outros artistas em ascensão e, se necessário, permanecer nos bastidores - e esta foi, de longe, minha melhor escolha, pois agora tenho a liberdade poética de dançar sem me importar com o julgamento alheio, e sinto que a minha expressão na dança melhorou muito com isso. De forma geral, o que posso dizer é que tenho vivido muito melhor desde estas minhas recentes escolhas - como é gratificante poder me libertar das amarras da mente e, consequentemente, da culpa e do preconceito. Mas ainda tenho muito o que melhorar em termos de inteligência emocional, empatia e autoconfiança.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Imersão

Há dois anos atrás, uma amiga me convidou para fazer uma intervenção numa rave, a Nature Mystic. Apesar de estar um tanto receosa, fiquei muito animada com a ideia e topei. Foi então que comecei a pesquisas festivais de música alternativa e me deparei com um mundo novo e encantador. Cheguei a passar horas assistindo vídeos de eventos que duram até 7 dias, com várias atividades acontecendo simultaneamente, como o Ozora Festival. E mais surpresa ainda ao ver como era comum a participação de dançarinas de tribal, dentre tantos outros artistas, nesses festivais. A música, para além das eletrônicas mixadas, conta também com bandas étnicas alternativas. (Aqui neste post do Tribal Archive traduzo as ideias de uma dançarina que escreve sobre festivais alternativos).

Neste ano, enquanto me preparava para mais uma intervenção na Nature Mystic, frustrada com algumas limitações quanto à organização, uma colega de dança me falou sobre o Mundo de Oz, um festival de 4 dias que acontece em Aparecida/SP. Faltava dois meses para acontecer o evento, ainda assim, pensei que não me custaria nada entrar em contato com a produção e ver no que dava. Fiquei surpresa com o retorno e a atenção que recebi diretamente do organizador. Além de aprovar nossa participação, ele também nos daria ajuda de custo com o transporte e a alimentação. Tudo bem que não receberíamos cachê, mas diante de um festival com porte para receber cerca de 5 mil pessoas, confesso que não esperava essa atenção especial até mesmo para os artistas pequenos, considerando que N outros eventos não nos oferecem o mínimo de condições para trabalharmos.

Infelizmente, nem todos enxergaram a oportunidade da mesma forma que eu. Ainda fica aquela dificuldade em diferenciar um festival de uma rave, e ainda com a rica programação do evento, é um desafio passar 4 dias sem qualquer sinal de comunicação. Uma verdadeira experiência de imersão. No final das contas, fomos eu e a Kayra de dançarinas de SP para ministrar uma oficina, e a May de MG juntamente com seu grupo de música étnica, a Avall’om, para realizar um show; além dos nossos acompanhantes. Além de conseguirmos cumprir nossa proposta com o evento, aproveitamos demais a programação, foi maravilhoso.

Depois das experiências frustradas anteriores, meu namorido também estava bastante receoso com a experiência, mas o preconceito ficou para trás assim que entramos no espaço do Festival. Havia três áreas para camping, mas até o último dia tinha barraca montada nos lugares mais inimagináveis. A ducha era fria, contendo apenas uma quente preferencial para idosos e crianças (mas um banho de cachoeira também é válido, não?). Banheiro químico não tem como fugir, mesmo sendo higienizado três vezes ao dia, a gente sempre acaba se deparando com situações desagradáveis (me pergunto se o pessoal é relaxado assim em suas casas também, viu). A praça de alimentação continha muitas opções, e os valores não estavam assim tão altos quanto imaginamos – já pagamos mais caro por comidas piores em outras condições. Com a ajuda de custo, me cedi o privilégio de comer hambúrguer artesanal todos os dias.


A pista principal, chamada de mainfloor, simplesmente não parou um minuto – exceto por uma pequena queda de energia que foi rapidamente recuperada. Foram 24 horas de batidas com uma lista surpreendente de DJs, já assinalei meus favoritos. No primeiro dia, principalmente na hora de dormir, a gente fica com o som na cabeça, mas ao longo do evento você vai se habituando e chega um momento que o som vira pano de fundo. Além do mainfloor, também havia o chillout, um espaço para eletrônicas mais suaves, um palco alternativo para bandas maiores e um menor para grupos menores – e aqui estamos falando dos nossos espaços favoritos. Dentre os shows, Pedra Branca, Shaman Tribal e Funk como Le Gusta. Ganhamos a viagem apenas por ter visto esses grupos!

Mas a música nem sempre é o foco no evento. Além da cachoeira e piscina, há também o espaço de cura, com uma boa programação ao longo do dia, marcamos presença nas oficinas artesanais, de tai chi chuan e yoga - no último dia, um domingo chuvoso, somente eu cheguei no horário disposta para a atividade, e fiquei desolada por não ver o mesmo entusiasmo nos demais presentes, rs. As crianças também contam com um espaço só para elas e uma programação especial de atividades monitoradas. Aliás, crianças e animais de estimação são bem-vindos no evento, sem pagar nada a mais por isso.

Metódica como eu, antes mesmo de ir já havia definindo uma programação de atividades para cada dia. Entre 6h30 e 7h30 já estávamos de pé, com os primeiros raios de luz enchendo a barraca. Na tardezinha, depois das 17h e de banho tomado, nos permitíamos uma soneca para aproveitar a noite. Não imaginei que fossemos nos adaptar com tanta facilidade, ficamos preocupados em levar livros e videogames para passar o tempo, mas não foi necessário. Nosso corpo e mente entra num ritmo natural do evento, nada de dores musculares, cansaço ou estresse, pelo menos para nós. E o melhor são os efeitos que isso surte no retorno para casa, é como se tivéssemos lavado a alma. Paciência, amor, respeito e solidariedade são frisados durante todo o festival, é impossível não retornar com um pouquinho dessa paz de espírito, dessa serenidade conosco. A Kayra categoria o festival como um retiro espiritual, e a May nos revelou que descobriu uma nova paixão. Acho que eu também!

MainFloor
Espaço Encantado


Chillout e cachoeira

Você podia encontrar diferentes manifestações artísticas com poesia, artes plásticas e esculturas sustentáveis ao longo de todo o espaço do festival <3


Espaço delicioso para fogueira em noites frias!

Área de cura e redução de danos

Delícia!
P.S. Não deu para fazer muitas fotos porque a bateria foi para o brejo. Mas você pode conferir as fotos oficiais na página oficial do festival! ;)

terça-feira, 11 de abril de 2017

2 séries criativas da Netflix para se inspirar

Sempre fui amante das mais variadas linguagens de artes. E com o avanço da tecnologia e acessibilidade, me descobri com um pé em design. O que me atraiu no curso de Comunicação Social foi a grade curricular, envolvendo estudos do homem, das mídias e das artes. Fiquei apaixonada!

Apesar de não ter o espírito de jornalista, dentre as opções de habilitações oferecidas, foi a que mais me agradou. E não me arrependo. As técnicas de jornalismo possibilitaram que eu criasse conteúdo de uma forma diferente de um designer ou publicitário, por exemplo.

Hoje eu atuo com comunicação, mas continuo experimentando outras linguagens, descobrindo novos prazeres. E por isso os documentários da Netflix que exploram a criatividade estão entre os meus favoritos, com episódios que narram trajetórias inspiradoras de empreendedorismo. Confira minha top list!

Abstract: The Art of Design


Claro que eu tinha que abrir com este. Com oito episódios, a série apresenta o processo criativo de diferentes artistas e designers e suas variadas linguagens: design de interiores, automotivo e de tênis, além de arquitetura, ilustração, tipografia, fotografia e cenografia. Impossível não se envolver com a história que protagoniza cada episódio. E o mais interessante é observar como a formação acadêmica e a experiência de vida influencia diretamente na ascensão profissional de cada um.

Tinker Hatfield, o arquiteto apaixonado por esportes que se tornou designer da Nike
Christoph Niemann é ilustrador da New Yoirk que busca meios alternativos de inspiração



Chef's Table


A série está em sua terceira temporada, com um episódio para cada chef das mais variadas regiões do mundo e seus estilos peculiares de criar com a culinária. Não, eu não cozinho, mas adoro apreciar a forma como o fazem. Até o momento, meus favoritos foram o chef brasileiro Alex Atala, do D.O.M., principalmente pela empatia, acredito eu; e o Grant Achatz, do Alinea (Chigaco), um chef híbrido que explora diferentes sensações, fazendo da refeição uma experiência.

Alex Atala, chef do D.O.M. (Brasil), cuja especialidade são pratos que envolvem especiarias do norte e nordeste.
Grant Achatz, do Alinea (Chigaco) traz uma emocionante história de superação, tendo sofrido com câncer de língua e ficado sem paladar.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Oficina de Orientação Profissional e Elaboração de Currículo

A pedido do meu marido, participei da sua oficina de orientação profissional e elaboração de currículo, mas, como ele mesmo disse, dessa vez foi a sua vez de brilhar, rs. De dez mulheres inscritas, contamos com apenas 4 participantes, mas ainda assim as 2h de curso foram bastante produtivas. Iniciamos com uma apresentação sobre os principais erros na elaboração de um currículo, seguido de uma discussão sobre a postura ideal para entrevistas de emprego e depois partimos para a parte prática de criar um currículo e corrigir quem trouxe o seu. Foi, no mínimo, muito divertido!


Slides da apresentação

O Everton, meu namorido, é especializado em gestão de pessoas e atua como servidor público na Biblioteca Nelson Foot. Eu entrei com a minha experiência prática em triagem de currículos, além dos meus estudos no curso de formação continuada em administração pelo Senai e também minha experiência pessoal em processos seletivos. Gosto de destacar que aos 15 anos tive a oportunidade incrível de participar de três meses de orientação profissional e motivacional com o psicólogo e antigo diretor da Microlins de Várzea Paulista, Nereu Veiga, que foi um grande diferencial para minha ingressão no mercado de trabalho.

Reconheço que muitos não oportunidades como esta. Os jovens carecem de mais acessibilidade à cursos de orientação vocacional, etiqueta profissional, instruções quanto à construção de currículos, dentre outros - ensinamentos que estão além do que a formação básica e os cursos profissionalizantes nos oferece. Não dá para esperar que um jovem inexperiente chegue numa agência atendendo todas as exigências sem que ninguém tenha lhe orientado. É por isso que esperamos que este curso se torne regular em espaços públicos como as bibliotecas e CEUs. por exemplo.

A sensação é quase essa, não?

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Desempreendendo


Outro dia cogitei fortemente a ideia de voltar para o mercado de trabalho formal por inconformidade financeira. Quando parei para pensar no quanto estou investindo e no pouco retorno que estou tendo, fui tomada por uma desmotivação esmagadora. E ouvir uns podcasts sarcásticos de desempreendedorismo do Não Salvo não ajudou muito. Um dos "ensinamentos" para fracassar é "siga seus sonhos".

Mas então li um artigo no site da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios que me lembrou porque entrei nessa. Resumidamente, o artigo lista 3 tópicos que são bons e ao mesmo tempo ruins na vida do empreendedor - segundo o autor:
  1. (Não) ter chefe;
  2. Horário (in)flexível;
  3. Deixar (ou não) um legado.
E eu, para variar, descordo totalmente. O tempo todo o autor fala da falta de responsabilidade e organização de um trabalhador autônomo, colocando a falta de regras como algo bom, e não ter um chefe ou um sistema de trabalho rígido para te pôr na linha como algo ruim. E, para matar de vez, ainda diz que se você se você é demitido pelo menos tem direito a vários benefícios, "já os empreendedores que quebram não levam nada." Gente, que absurdo! Nunca vi tanta baboseira, sério.

Para começar, empreendedorismo não é algo que se constroi da noite para o dia. Assim como qualquer carreira, é uma vocação que nasce contigo. A gente trabalha mais sim, mas não é um sacrífico, trabalhamos com prazer. Não é como quando chega a sexta-feira e você passou por poucas e boas no serviço e só pensa na hora de chegar em casa, e a semana mais feliz é quando recebe seu salário ou quando se aproxima da próxima férias ou feriado. Também temos altos e baixos no trabalho autônomo, mas não cogitamos a ideia de "pedir demissão". Temos clientes bons e clientes ruins, mas acabamos desenvolvendo um jeitinho para lidar com eles. Não dá para aguentar aquele chefe mala ou "colega" de trabalho chato por muito tempo. E quando aquele projeto não dá certo, você parte para o próximo! Simples assim. Empreendedorismo não é uma coisa de momento, não é uma fase. Você pode começar empreendendo em casa, no trabalho, na escola, enfim.

Falando por mim e pelo trabalho que faço - em casa, o mais me dói na ideia de voltar para um ambiente de trabalho formal é lidar com as pessoas, sério. Quando não estou bem, durmo até tarde, preparo um chá quente, vou para o escritório mal humorada e de pijama, e trabalho offline. Num ambiente corporativo, não posso me dar ao luxo de ficar triste, ou carrancuda, temos que fingir estar bem o tempo todo, e isso é horrível. Lembro quando chegava aquela semana do mês e todas as mulheres ficavam escrotas, é quando eu recebia broncas da minha supervisora, por exemplo. Não quero passar por isso novamente.

Então, ok, posso estar ganhando bem abaixo do que eu poderia estar ganhando com carteira assinada, pelo menos neste começo de carreira, mas não quero abrir mão da DELICIOSA rotina de autônoma para ter que voltar a lidar com o mercado de trabalho formal. Talvez eu esteja exagerando, já me peguei pensando na empresa ideal, atuando na minha área, liderando uma equipe ou trabalhando remotamente, vestindo a camisa da marca com orgulho, tendo um salário cheio e ótimos benefícios... se eu encontrar este serviço, te aviso. Enquanto isso, fica com um pouquinho de inspiração do grupo Negócio de Mulher, que tem me ajudado bastante a manter o foco ❤


Não precisamos de um motivo

Recentemente eu assisti a nova série da Netflix, 13 Reasons Why, e confesso que a série me deixou um tanto reflexiva. Assisti numa porradela só: foi numa dessas madrugadas em que troquei a noite pelo dia e depois fiquei sem sono. Além da série, assisti também um making of com atores, produtores, psicólogos e ativistas convidados (já falei que amo making of?). Resumidamente, a série tem como protagonista uma adolescente que grava 13 fitas contendo os 13 motivos pelo qual decide tirar a própria vida. Além do suicídio, temas como assédio moral e sexual, depressão e cyberbullyng são fortemente destacados nos episódios, além de todos os dramas adolescentes pelos quais todos nós passamos, e todos os clichés românticos - o primeiro beijo, o primeiro amor, a primeira vez - mas nem sempre é tudo bonito e romântico.

A princípio, fiquei muito incomodada com as questões abordadas e, de certa forma, feliz por alguém ter falado sobre isso - a intenção é essa mesma, incomodar. Se você assiste cenas de violência sexual e não se sente desconfortável com isso, você tem algum problema. Com o feminismo em alta, falar sobre sexo e assédio está deixando de ser um tabu, mas ainda leva a muitas interpretações diferentes, e muitas vezes errôneas. Ninguém fala sobre suicídio, mesmo sendo a 2ª maior causa de morte entre os adolescentes. O cyberbullyng acontece, é real, mas ninguém quer enxergar ou finge que não é contigo - sim, você alega ser contra, mas está lá nas redes sociais marginalizando o próximo e justifica que está apenas expressando seu direito de dizer o que pensa. E a depressão ainda é muito mal compreendida na sociedade moderna.



Eis que estou refletindo sobre tudo isso e chego a uma conclusão. Não precisamos de um motivo. Não se trata de um roteiro pronto. Não precisamos ficar tristes para entrar em depressão. Não precisamos criar a oportunidade para sermos assediadas. Não precisamos de uma desculpa para tirar a própria vida. Pelo contrário: um suicida não fica triste com a ideia de se matar. Ele enxerga a morte como uma solução. Para ele, não é algo ruim, de certa forma. É só uma maneira de silenciar a mente, ficar em paz, dizer adeus à toda sujeira do mundo.

terça-feira, 28 de março de 2017

Oficina "A Música do Filme" com Tony Berchmans

O Centro Unificado de Artes de Várzea Paulista está com um projeto muito legal de exibição de filmes e oficinas do Museu de Imagem e Som de São Paulo. No início do mês, dia 10, pude prestigiar uma oficina de música de cinema com o músico e cinéfilo Tony Berchmans. A oficina foi muito produtiva, mas acabou se estendendo além de horário e precisei sair antes do término, de qualquer forma, consegui aproveitar bastante do conteúdo. Aliás, fui entrevistada para a matéria no site institucional da cidade, disponível aqui. :)


Sobre Tony Bechmans

Iniciou na música ainda criança, mas sua formação foi em engenharia, depois se especializou em comunicação pela ESPM e trabalhou um período com produções publicitárias antes de se dedicar à sua maior paixão: a trilha sonora de filmes. Atualmente, é professor da pós-graduação em Trilha Sonora para Cinema e TV da Universidade Anhembi Morumbi e oficineiro no Museu de Imagem e Som de São Paulo, além de desenvolver o projeto CINEPIANO com apresentações regulares em instituições e festivais.

Sobre a Oficina




Originada do livro de sua autoria, que leva o mesmo título, a oficina "A Música do Filme" tem como intenção apresentar um panorama do universo da composição e produção de trilhas sonoras musicais, com intensa ilustração audiovisual.

O curso abordou um pouco da história do cinema sob o olhar das produções fonográficas, em seguida foi apresentado diversos termos técnicos dos elementos que compõem uma trilha sonora e, por fim, uma sequência de vídeos com recortes de grandes filmes, como explicarei com mais detalhes adiante.

O cinema nasceu mais como uma invenção tecnológica do que uma expressão artística. A trilha sonora só entrou para o cinema 30 anos mais tarde. É comum nos referirmos à trilha como o conjunto de músicas presente num filme, todavia, a trilha engloba toda composição sonora de um vídeo. Tais elementos se dividem em:
  • Background;
  • Sound effects (editoriais/especiais);
  • Foley (som resultante da ação dos personagens);
  • Locução.
Dentre outros. O importante é compreender que a trilha de um vídeo deve apresentar um sincronismo com a intenção narrativa do mesmo. Para conseguir tal qualidade de som, é comum fazer uso de recursos de captação e edição. Cabe ressaltar é editar é um processo diferente de mixar.

A música de filme é funcional, podendo conter uma canção ou ser apenas instrumental, variar entre sons agudos e graves, composições melódicas ascendentes ou descentes, dentre inúmeras outras características.

Um termo que aprendi e gostei bastante é o de "música programática", dividida em latemotif's que, por sua vez, são criados para atribuir uma identidade sonora aos variados elementos presentes num filme. Um grande exemplo são os motivos criados para desenhos animados.

Sobre minha participação

Apesar do release dizer que é direcionada a profissionais da área, cinéfilos, estudantes e amantes do cinema, acredito que o curso foi mais direcionado para os músicos no geral. Como músico, Tony sentiu a necessidade de explicar o conteúdo sonoro antes de cada vídeo, apesar de tornar o curso dinâmico, me senti como se estivesse tomando um spoiler das músicas a todo momento. O curso foi interessante para mim até o momento em que os alunos começaram a divagar entre comentários desnecessários, dando a oportunidade de criticar a indústria cinematográfica contemporânea e difamar os profissionais de jornalismo.

Como graduanda em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e dançarina, desenvolvo um projeto audiovisual de videodança que engloba técnicas de edição de imagem e música, além de todo o trabalho de roteiro, produção e filmagem. Também tenho estudos complementares em roteiro para filmes e dramaturgia, além de ser escritora e romancista. Acredito que o conteúdo do curso foi bastante proveitoso para mim, tanto na forma de narrar quanto no processo de edição de trilha, tenho certeza que farei uso dos artifícios apresentados em meus trabalhos futuros.

sábado, 11 de março de 2017

Oficina de Redes Sociais +50

Depois de quase 5 meses, ministrei mais uma oficina de redes sociais no espaço Recode da Biblioteca Pública Municipal Prof. Nelson Foot, em Jundiaí/SP, mas, desta vez, o público era para quem tivesse mais de 50 anos. Além da experiência gratificante de trabalhar com esta faixa etária, meu marido, que é servidor público no espaço, esteve presente durante toda a oficina, auxiliando na orientação dos participantes. Foi a primeira vez que efetivamente trabalhamos juntos, e só posso dizer que foi muito especial para mim.


Com duração de 3 horas, criamos um e-mail no Gmail para todos os participantes e abordamos configurações de privacidade e segurança no Facebook e Whatsapp, além de ensinar algumas dicas para criação de senhas fortes e navegação privativa. A grande novidade foi, sem dúvida, o Whatsapp Web, que deixaram a mulherada maravilhada. Detalhe: de 10 inscritos + 4 na fila de espera, 80% eram mulheres. Houve apenas um homem presente no curso, que estava acompanhando a esposa, e se contentou com a criação de e-mail e Facebook. No geral, o pessoal adorou e já pediu continuação!




Confesso que estava com um pouco de receio, sem saber que tipo de público iria lidar, mas me surpreendi com a recepção, paciência e carisma das participantes. Todas muito ativas, curiosas e espontâneas. Algumas utilizam as redes sociais por hobbie, mas também contamos com profissionais ativas no mercado de trabalho que faz uso das ferramentas. Acredito, inclusive, que ferramentas de produtividade pode ser um bom tema para oficinas futuras.

No momento, estou realizando estas oficinas voluntariamente, até porque preciso exercitar minha capacidade de instrução para aplicar em cursos privados. Mas já estamos discutindo a possibilidade de tornar essas oficinas contínuas e remuneradas. Espero que dê certo, as faria com o maior prazer!

Apresentação de Proposta de TCC


Na última quinta-feira eu fui à faculdade apenas para realizar a apresentação da minha proposta de TCC na Faculdade Campo Limpo Paulista. Minha orientadora metodológica não estaria disponível no dia, então minha apresentação foi feita para meu orientador específico e a coordenadora do curso. Pensa numa pessoa ansiosa! Passei o dia todo me preparando, revisando o material e ensaiando uma apresentação de, em média, 15 minutos - mas na hora, se falei 5 foi muito. Para ajudar, cheguei com dez minutos de antecedência, e os professores só chegaram vinte minutos mais tarde. A minha sorte é ambos foram muito compreensíveis, acredito que por ter presenciado inúmeros graduandos nesta mesma situação.

Já falei do meu orientador específico aqui, o prof. Paulo Genestreti, um dos únicos professores que me acompanhou durante toda a minha trajetória acadêmica. Ele já chegou dizendo que detesta aquele clima de "inquisição" e que, portanto, para quebrar esse clima, sentaria ao meu lado. Ao final da minha apresentação, ele pediu licença à coordenadora para "antecipar minha defesa" e então me deixou com lágrimas nos olhos ao relembrar alguns episódios e infortúnios que ocorreram no semestre passado e como me saí bem e não desisti do curso, e finalizou dizendo que não negou meu pedido de orientação principalmente por saber que eu não lhe daria trabalho.

Tenho certeza que com a minha orientadora metodológica teria sido muito mais difícil. Já estava um tanto nervosa com a ideia de apresentar minha proposta para a coordenadora do curso, mas as coisas ocorreram bem diferentes do que eu temia. Minha proposta foi a de construir um website jornalístico sobre dança tribal, e ela adorou a ideia. Disse que era um projeto diferente do que já havia passado pela faculdade e que seria um trabalho muito interessante. Fiquei orgulhosa e emocionada! Principalmente porque, sinceramente, reescrevi minha proposta inúmeras vezes até encontrar o formato ideal.

A princípio, eu desenvolveria um livro-reportagem. Era o que eu tinha em mente logo que entrei na faculdade. Todavia, 4 anos de estudo é muito tempo, tempo suficiente para mudarmos nossa forma de ver o mundo e reorganizarmos nossas prioridades. O curso de Comunicação me capacitou para produzir mais em dança, o que antes era apenas um hobbie para mim. Trabalhar com mídias digitais tem sido um grande prazer para mim. Quando minha orientadora me disse que meu projeto era muito visual e propôs que eu fizesse um livro-reportagem-fotográfico, fiquei um tanto com o pé atrás, e vim tentando assimilar esta ideia durante todo este tempo. E, faltando uma semana para apresentar a proposta, resolvi mudar o formato, e foi a melhor coisa que fiz.

A plataforma de web me dará uma liberdade maior para trabalhar o conteúdo em diferentes formatos, possibilitando a inclusão tanto de redação e fotografia quanto de vídeos e podcasts. Estou ansiosa para colocar tudo isso em prática! Mas, tratando-se de um projeto experimental acadêmico, as referências bibliográficas são fundamentais e, como boa jornalista, preciso de boas fontes. Agora, é correr atrás de tudo isso para apresentar os resultados no comecinho de junho!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A mulher em sua casa


Passava os dias sozinha, resguardada em seu lar. Talvez, por este motivo, fosse comum que sua mente começasse a alimentar algumas alucinações. O pior era quando ele chegava, exausto, querendo apenas descansar, e ela quase implorando por um pouco de atenção. Estaria ela sofrendo de solidão?

Voltar para a casa dos pais estava fora de cogitação. O irmão entrava em contato, vez ou outra, preocupado com seu bem estar. Aos poucos, viu seus horários sendo invertidos. Não sentia sono a noite, acordava às duas da tarde, trabalhava até às oito e passava a madrugada tentando se descontrair um pouquinho. Acho que isto não está certo.

Para compensar as jornadas duplas em casa, contentava-se com uma taça de vinho, fechava as cortinas e aumentava o volume da música. Nada de almoços ou jantares. E, assim, conformou-se com este estilo de vida, mesmo não sendo saudável. Alguns meses se passaram antes de descobrir que havia outros como ela.

Uma amiga batera em sua porta. Fazia tanto tempo que não recebia visita que não se deu conta dos móveis empoeirados, do piso pegajoso ou da comida mofando sobre a mesa. Também não se deu conta do quanto empalidecera, de quantos quilos perdera ou de como gritava ao falar, atropelando as palavras. Uma selvagem.

Sair à forte luz do sol era quase uma tortura, os olhos lacrimejavam, a pele ressecava e seus cabelos reclamavam. Desta forma, deixou de receber convites para eventos e, quando surgiu a ocasião, percebeu que suas roupas já não lhe serviam mais. Não é por menos que o marido não lhe olhava com aqueles olhos carnívoros e o espartilho quebrado jazia no fundo da gaveta. Acabou o tesão.

Conversas vazias sobre o cotidiano alheio preenchiam a noite do casal. Não faziam mais planos para o futuro, não sentavam-se à mesa para as refeições, nem deitavam-se juntos no mesmo horário. Pequenos detalhes que faziam parte da rotina e ficaram para trás. Os finais de semana se resumiam em sentarem-se no sofá, frente à televisão. Pegar férias significava conseguir um adiantamento para quitar as contas. Que vida chata, não?

Foi assim que os personagens começaram a surgir em sua mente, alimentados pela sua imaginação, fruto do tédio que sofria continuamente. Descartado a ideia de terem filhos, começou com um animal de estimação, em seguida veio uma amiga e depois o amante. Era com ele que sonhava. Dócio, carinhoso, atencioso, ouvia suas queixas e sussurrava palavras sujas em seu ouvido. Era a personificação da solidão.

"Que minha solidão me sirva de companhia. Que eu tenha a coragem de me enfrentar, que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo."  Clarice Lispector

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Um problemático para chamar de meu

Sua pele coberta de cicatrizes escondem os segredos de um passado obscuro, uma alma perturbada, mas o sofrimento se revela através dos seus olhos rebeldes, ou quando range os dentes à noite. Seu sorriso é superficial, sua boca está sempre curvada para baixo, seus toques são breves e ele não gosta de receber carinho – teu corpo já fora muito maltratado. Ele já sentiu o sangue arder na pele, o calor queimar sua superfície, a lâmina cortar fundo e deixar uma ferida aberta e incurável, mas as sequelas maiores são as psicológicas: ele já viveu a agonia de esquecer, sua mente traiçoeira não lhe permite saber o que foi real ou não; e a agonia de reviver todos os dias as lembranças dolorosas, carregadas de mágoa e rancor. Oscilando entre o amor e o ódio, não há mais lágrimas a derramar porque a fonte já secou, a frieza abraça teu coração de tal modo que ele se tornou impenetrável.

Somente quando roça tua barba em meu rosto, quando me deixa te abraçar enquanto dorme ou quando me olha com ansiedade antes de eu partir é que sei que ele me ama. Desisti de esperar por um beijo teu, mas todas as manhãs sinto teus lábios em meu rosto, numa despedida demorada, às vezes acompanhada de um cafuné gostoso. Preciso aprender a respeitar teu espaço, da mesma forma que sinto a necessidade de ter toda sua atenção somente para mim, sei que seu amor possessivo me domina de tal forma que só tenho olhos e ouvidos para suas palavras, inclusive as que não são ditas, ou para as que se perdem nas entrelinhas. Repreender-me através de sermões é a sua maneira de demostrar que se preocupa comigo; a gente briga só para poder fazer as pazes depois.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Vida de Home Office

Desde que saí do meu último estágio, venho tentando trabalhar em casa. Morar num lugar tranquilo, ter meu próprio escritório e passar o dia sozinha (com o gato) ajuda bastante. Mas, para me adaptar, precisei criar uma rotina e às vezes atropelo minhas próprias regras. De qualquer forma, está dando certo para mim.

Minha mãe tem uma característica muito forte que a diferencia bastante de outros pais: ela nos incentiva e motiva a fazer o que gostamos e queiramos, mas com disciplina e foco. Ela é a minha principal inspiração quando o assunto é trabalho, pois sempre foi independente, empreendedora e sempre buscou soluções alternativas para arcar com todos os gastos da casa e dos filhos sem a ajuda de ninguém. Mas também devo creditar meu namorido, que apesar de já ter expressado que seria ótimo se eu tivesse um emprego "normal", me apoia em minhas decisões (ou se conforma? rs).

Todavia, não posso dizer o mesmo da sua família, que não vê um trabalhador informal com bons olhos. As pessoas tem o mau hábito de praticamente desconsiderarem que ser estudante também é uma condição que demanda muito tempo e esforço. Meu namorido sempre trabalhou e nunca deixou de estudar. Mas minha criação foi diferente, minha mãe nunca nos impôs esta rotina exaustiva e estressante: ela sempre deu prioridade aos estudos. Talvez por este motivo, conciliar o estudos com trabalhar fora em período integral nunca foi meu forte. Então, encontrei no home office o modelo ideal de trabalho para mim.

Muitas empresas já aderiram ao home office como uma alternativa para cortar gastos desnecessários com funcionários que moram longe ou necessitam de um horário alternativo de trabalho. Infelizmente, a agência onde eu atuava não admitia este sistema  de trabalho muito bem. Mas, deixando de lado a necessidade de atualização e adaptação das empresas, trago aqui um pouquinho da minha rotina:


Dividir o tempo entre trabalho, estudo e lazer pode ser um problema se você não tiver disciplina.
Criar uma rotina ajuda: eu começo o dia com uma lista de tarefas, que incluem também os afazeres domésticos e pequenas pausas para lanches.

Sua família não compreende muito bem o tempo que você passa em casa.
"Você passa o dia todo sem fazer nada?"
Sim, exatamente! :) (falar o quê)

Nada de trabalhar na cama ou na sala. (e muito menos ficar de pijama)
Da mesma forma que meu marido se recusa a usar o escritório quando está em casa - afinal, ele passa o dia em um - eu não consigo jogar The Sims ou navegar quando estou no escritório, rs.

Alimentação e exercícios: saúde em primeiro lugar!
Nada de se acostumar com comidas congeladas e não se exercitar. Você já sabe o resultado disso, né?

Quem cedo madruga, Deus ajuda. Ou não.
Não é porque as outras pessoas levantam entre às sete para trabalhar que você precisa fazer isto também. Meu horário mais produtivo é de manhã, sem dúvidas, mas estar de pé antes das 8h é impossível para mim. Da mesma forma, para algumas pessoas, acordar tarde e trabalhar até às 4 da manhã funciona melhor. O que não vale é fazer jornada dupla sem descanso.

Isolamento leva à depressão.
Para quem é anti-social e/ou prefere um ambiente calmo para trabalhar, fazer home office é uma ótima forma de vazão aos seus desejos sombrios de se isolar da sociedade. Mas fica offline o tempo todo e recusar convites para almoços não faz bem à sua saúde mental.

Softwares e aplicativos de gestão podem te deixar viciado.
Principalmente se você já tiver mania de organização como eu. Sistemas e aplicativos colaborativos de gerenciamento de projetos como listas e planilhas fazem parte da minha rotina.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Sobre Colar Grau

A colação de grau é uma cerimônia solene e simbólica que as faculdades oferecem aos alunos que estão se graduando. Eu, particularmente, nunca me dei muito bem com eventos formais. Não tive festa de 15 anos e não participei da minha formatura do ensino médio. Na 4ª série, tive uma espécie de cerimônia para encerrar o 1º ciclo do ensino fundamental, fui escolhida para ficar fantasiada de anjinho em cima do palco e confesso que não foi nada agradável. Sempre fui muito tímida e tenho um sério problema com ansiedade. Então, confesso, não estava muito empolgada para a colação de grau. Todavia, surpreendi-me: a energia dos estudantes é contagiante. E, mesmo sabendo que fazem isto todo ano e por mais de um dia, os professores e diretores se esforçam para parecerem alegres. Os pais se emocionam. E a organização do espaço, da música e tudo mais torna tudo muito bonito.



Mas calma, pois, como eu disse, é uma cerimônia simbólica. Para se formar, ainda é preciso eliminar as pendências em disciplinas, atividades complementares, estágio e trabalho de conclusão de curso. Ou seja: ainda tem chão, gente. Apesar de eu ter sido convidada a colar grau, conheci estudantes que ingressaram no curso há quase uma década atrás - acredito que para eles a emoção era ainda maior, não? Também conheci gente se formando pela segunda ou terceira vez (será que a emoção é a mesma?). Não sei se tenho pique para outra graduação, mas cogito fazer uma especialização ou cursos complementares - necessito. Meu marido está se preparando financeiramente para um mestrado, e ver a mesa dos professores o deixou mais motivado (que orgulho <3).




Financeiramente falando, vai dinheiro que nem água no término da faculdade. Apesar da colação ser gratuita, o serviço de fotografia custa horrores, ainda não sei se terei condições para isso, afinal, ainda tenho um semestre de mensalidade e preciso pensar nos gastos com o meu TCC. Baile de formatura esquece, nem pensar. Para quem gosta de uma festa, vale a pena investir no baile, mas eu não faço questão não, sinceramente. Minha mãe estava doida para comprar um anel de formatura, mas está aí outra coisa que acho desperdício de dinheiro, rsrs. Prefiro guardar num cofrinho para poder continuar estudando!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Desventuras em Série


Sou uma dessas pessoas que conheceram Desventuras em Série através do filme produzido em 2004 com Jim Carrey como protagonista e depois se apaixonou pela saga literária. Ainda não compreendo porque o longa não foi bem recebido pelo público, gosto muito do ator e adorei a forma como adaptaram os três primeiros livros da série - o elenco, os figurinos, a sonoplastia, os cenários, enfim - apesar de não seguirem a literatura à risca (mas qual adaptação o faz?). Fiquei realmente triste por não ter tido a merecida continuação.


Quando soube que a Netflix produziria a série, fiquei ao mesmo tempo emocionada e com um pé atrás. Cada mídia traz o seu encanto, todavia é inevitável não compararmos uma com a outra. Quem assistiu o filme tem uma visão diferente de quem leu os livros e certamente de quem preferiu esquivar-se de referências para assistir à série sem julgamentos. Como amante dos livros, posso afirmar que o teaser produzido por fãs em 2015 imprimiu com exatidão a nossa expectativa.


Assim que começaram a sair imagens das gravações, os burburinhos começaram entre os internautas, principalmente quanto à escolha dos figurinos, com cores vivas. Apesar dos trailers "alegres" e tudo mais, mantive minha esperança de que a série me surpreenderia com uma boa dose de humor negro, uma dramédia, uma áurea um pouco mais sombria. Diria que o roteiro foi bem dosado para criar uma série leve e cômica, num sentido irônico, "para toda a família", como aponta a crítica no site Jovem Nerd (aqui).



Todavia, concordo com a crítica da Veja (aqui) quando diz que os episódios se arrastam num "ritmo cansativo", impossibilitando a realização de uma maratona, como eu pretendia, e completa que "as diversas interrupções do narrador quebram o clima" tornando tudo mais didático que o necessário. Enquanto o filme produzido em 2004 foi criticado por condensar três volumes literários, a série dedicou dois episódios para cada obra, resultando em 8 episódios sobre as 4 primeiras obras de Daniel Handler, o que certamente foi uma boa escolha, mas mais uma vez concordo com a Veja ao dizer que "um formato mais livre" poderia tornar a trama mais fluída e ágil, sem perder a essência.


Sobre o elenco, minhas atuações favoritas foram a de Neil Patrick (Conde Olaf), da Joan Cusack (Juíza Strauss) e das senhoras gêmeas da companhia teatral. A família do  K. Todd (sr. Poe) também foi bem representada. Ainda não sei o que pensar sobre o Patrick Warburton (Lemony Snicket), o personagem não se revela muito nos livros, mas acho que vou acabar me afeiçoando ao ator. (Não tenho o que declarar sobre os demais atores, hahaha). E, apesar de amar os atores que representaram as crianças no filme, a realidade é que as crianças da série, representadas por Louis Hynes, Malina Weissman (fofa!) e Presley Smith, foram literalmente extraídas do livro - a Sunny continua sendo minha bebê favorita de todos os tempos! Queria que ela tivesse mais falas! rs


Os pontos altos e baixos da série dividem opiniões, mas aqui está uma listinha de 5 coisas que eu particularmente não gostei:


5 coisas que não gostei na série:

  1. A presença de musicais! Mas isto é de mim, não sou muito fã mesmo :P
  2. A intromissão constante do narrador, explicando cenas sem necessidade;
  3. Os efeitos especiais mal-feitos (propositalmente). Todavia, é compreensível que queiram acostumar nossos olhos para o que virá a seguir...
  4. Senti falta de mais maquinários para dar vida à cultura Steampunk (humm, apesar de que, na verdade, esta é uma forte característica do filme e não propriamente dos livros...);
  5. A inclusão de personagens que não existem nos livros (ok, aqui estou sendo a nerd chata).
Agora, uma coisa que realmente amei foi terem incluído as dedicatórias à Beatrice! E finalizo dizendo que estou ansiosa para a próxima temporada *-*

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Guia de Sobrevivência para Acampamentos em Grupo

Sim, inventei de acampar na virada do ano e, pior, viajar em grupo. Estava afim de novas experiências para aliviar a frustração de não ir para Extrema e porque não pegar estrada? Foi só ouvir que íamos para Minas Gerais que topei na hora, tamanha saudade da água gelada de cachoeira. Fomos num dia para voltar no outro, mas deu para aproveitar duas das 33 cachoeiras de Bueno Brandão. A pousada onde "acampamos" é uma gracinha, chama Mirante.

Pousada Mirante

Chalés encantadores e área para camping

Área social

Laisla, a mascote da casa <3

"Acampamos" está entre aspas porque, como todo ano, deu aquela tempestade e arruinou a brincadeira de muitos - alguns dormiram no carro, outros deram um jeitinho no alagamento e muitos que já não pretendiam dormir mesmo, madrugaram. O churrasco, que era o ponto alto da noite, acabou ficando em segundo plano. E a ideia romântica de cantar em volta de uma fogueira quentinha, esquece.

Mas, apesar dos imprevistos, valeu muito a pena. O dia seguinte foi nublado, mas muito mais proveitoso. E o gostoso é que daqui um tempo, se não já, vamos olhar para trás e rir de tudo isso. Conhecer lugares novos, fazer novas amizades e viver novas experiências: é isso que importa. Estar com um pessoal desencanado e bem-humorado tornou tudo melhor.

Cachoeira Machado

Queda d'água

Cachoeira Santa Rita
Eu e meu namorido não éramos os únicos acampando pela primeira vez. Lemos uma série de recomendações, mas a mais importante foi algo do tipo "por mais preparado que você pareça estar, um acampamento é sempre imprevisível", e veio a calhar. Espero que a minha experiência tenha te servido de algo, hahaha.

Click trash xD
O convite veio da Carlinha, minha aprendiz de Dança Tribal, organizadora da Feira Entre Mundos e super parceira. Na noite do revèillon ela disse que a chuva veio para lavar nossas almas, pois 2016 encerra um ciclo e, segundo a numerologia, 2017 é um ano de revoluções. Acontece que um dia desses topei com um artigo que falava sobre isso, e foi muito inspirador. Pela primeira vez em anos, sinceramente, não sei o que esperar para 2017, não fiz lista de metas e desejos nem nada disto. Mas aguardo a evolução!
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