segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Guerra às Mídias Sociais

Criei meu blog em 2009 (este mesmo), aos 14 anos, cerca de dois anos depois de eu aprender a usar um computador e descobrir o universo das redes sociais. Comecei com um perfil no Orkut, MSN e um blog no Tumblr. Apesar dos escândalos por trás dos nicknames fakes, acredito que o cyberbullyng não era tão enraizado como é hoje. Hoje as pessoas dizem o que pensam e mostram a cara, sem temer as consequências.


A palestra que assisti sobre cyberpsicologia tratou muito disto (veja aqui). E nós que estudamos jornalismo estamos sempre debatendo sobre a questão de produzir conteúdo humanizado, pensando em como isto vai afetar o público. Mas o que mais tem na internet são conteudistas sem este senso crítico, formadores de opinião causando tumultos nas redes sociais apenas para gerar engajamento. Enquanto atuava cuidando das contas de terceiros, a regra era: falem bem ou falem mal, o importante é ver as estatísticas crescerem.

Tem uma frase no filme "No Filter" que resume tudo: tudo o que os clientes querem são likes, é com isso que eles se importam, em como a empresa transparece nas mídias sociais, independente do que realmente acontece no dia a dia. No filme, que eu já comentei aqui, a protagonista atua como supervisora de marketing digital numa agência de publicidade e está à beira de um colapso nervoso.

Também assisti uma série nesta semana, "Haters Back Off", que apesar de ser de humor, traz um fundinho de realidade que nos toca (pelo menos eu). A protagonista, Miranda Sings, é uma personagem criada pela youtuber Colleen Ballinger, que, a meu ver, consiste numa crítica social sobre até onde os criators são capazes de ir para ganharem visibilidade.

E, por fim, 2 episódios da terceira temporada da antologia Black Mirror sintetiza o que está acontecendo em nosso mundo moderno. Sim, já está acontecendo, e não é de agora: adolescentes cometendo suicídio devido ao bullyng nas redes sociais, sociedades se movimentando para afetar aqueles que supostamente estão no poder, vítimas serem perseguidas devido a um mal-entendido.

Sinto que presenciei isso através de um concurso de fotos com mães neuróticas que, sinceramente, não tem mais o que fazer da vida para levar um simples concurso a um nível tão pessoal, a ponto de tentar prejudicar a agência e a loja organizadora. Foi uma loucura e nunca tinha acontecido nada igual em mais de 10 anos de campanha.


Nosedive



Em um mundo dominado por avaliações on-line sobre cada pessoa, uma mulher desesperada para ser notada nas mídias sociais acha que tirou a sorte grande ao ser convidada para um casamento luxuoso com pessoas do mais alto escalão, mas nem tudo sai como planejado.

A princípio, achei a ambientação tão fofinha, um mundo futurista, mas envolto de cores candy, onde todas as pessoas são educadas umas com as outras. Mas depois você percebe que isso é uma paranoia total. As pessoas são avaliadas o tempo todo, por tudo o que fazem, de 1 a 5, e o seu status social interfere diretamente na sua qualidade de vida. Pessoas com média acima de 3 são consideradas normais e pessoas com médias acima de 4,5 são consideradas influenciadoras e obtém êxito em tudo o que fazem: desde conseguir um emprego até fazer uma compra. Os "psicanalistas" atuam justamente para te orientar a subir de status, analisando as estatísticas o tempo todo.


Hated in the Nation



Após uma tragédia nas mídias sociais, uma detetive e sua assistente especializada em tecnologia fazem uma descoberta assustadora.
Este vai um pouco mais a fundo no que chamamos de "haters". Enquanto o episódio citado anteriormente trata da ética mascarada nas redes sociais, neste episódio vemos exatamente o contrário: em como a sociedade atua no cyberbullyng. Pois "hater" são se refere somente a um caso pessoal, a partir do momento que você difama uma pessoa, ataca uma pessoa, seja ela uma pessoa pública ou não, você é um hater. [SPOILER] No episódio, um hacker cria um game nas redes sociais lançando a hashtag #MorteA. A ideia é que as pessoas postem a hashtag com a foto da pessoa que odeiam naquele momento, e a pessoa mais citada é eliminada. Todavia, o principal alvo do hacker não são as pessoas públicas, mas sim os haters.
P.S. Curiosamente, a primeira vítima dos haters é uma jornalista.

Hashtags, haters, status social, avaliações: tudo isso já faz parte do nosso universo. Não que seja uma coisa ruim, mas quando priorizamos essas métricas nos esquecemos de viver, nos sentimentos oprimidos e passamos a ter receio de nos expressarmos - independente de qual lado você esteja: seja criando conteúdo - como um influenciador, compartilhando conteúdo (que também faz de você um agente influenciador) ou absorvendo conteúdo.

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