domingo, 9 de outubro de 2016

Demito-me

Já percebi que as pessoas não encaram muito bem essa coisa de pedir demissão, independente das circunstâncias. E, se você não está trabalhando de carteira assinada, você obrigatoriamente deve estar procurando um emprego (!).

Em 2015 eu estava precisando muito de um emprego, pois além da faculdade, estava fazendo curso de inglês e tirando habilitação para dirigir, ou seja, estava tendo gastos demais para ficar sem uma renda fixa. Tanto que, em janeiro deste ano, decidi que se não conseguisse um emprego iria trancar a faculdade e me mudar para Minas. Mas a vida sempre nos surpreende, não é mesmo? Além de conseguir uma oportunidade de estágio na minha área, eu e meu namorado decidimos morar juntos. Mais do que meu amor, ele é meu grande amigo, uma pessoa com quem eu sempre posso contar. Durante todos esses meses, cuidou da casa, do gato e de mim. Ainda não entendo porque ele ficou tão inconformado quando lhe enviei uma mensagem de texto dizendo que iria pedir demissão. Nossas prioridades mudam, mas o pensamento popular é que, independente de qualquer coisa, você deve permanecer no seu emprego.

Não foi a primeira vez e com certeza não será a última que pedi demissão. Assim como um funcionário deve estar preparado para ser mandado embora a qualquer momento, uma empresa também deve saber lidar com a saída inesperada de um funcionário, principalmente quando se trata de um estagiário que não precisa cumprir aviso prévio.

A primeira que vez que pedi demissão eu estava trabalhando numa lanchonete. A princípio, trabalhava aos domingos e feriados apenas. Depois, estava trabalhando aos sábados e em dias da semana também. Eu ainda estava no ensino médio e aquela rotina estava acabando comigo. Então, pedi demissão. Minha chefe ficou muito magoada e chegou a me dizer "é isso que os jovens fazem quando lhe damos uma oportunidade". Assim que terminei o ensino médio, consegui o emprego dos sonhos: trabalhava com rotina administrativa no escritório de uma indústria de cosméticos. Mas, seis meses depois, por uma série de motivos que não cabe justificar aqui, pedi demissão.

Também fui demitida, e a gente nunca espera ser demitida, a menos que façamos coisas propositalmente que levem a isso. Fui dispensada de um freela numa associação comercial porque pedi um contrato de prestação de serviços. Na época, eu tinha agendado uma microcirurgia para extração do dente do siso, que não aconteceu até hoje. Minha segunda demissão foi do meu primeiro estágio em comunicação, fiquei triste demais. Trabalhar na Projecto foi uma das melhores experiências que tive, sem dúvidas. E o mesmo posso dizer da Agência Carvalho. Doeu demais pedir as contas, mas era necessário, por mais que minha família tão tenha aceitado muito bem.

Com as contas em dia e eliminado os problemas de acesso à internet e locomoção que eu estava tendo quando morava com minha mãe, finalmente me vi disposta a dar início a outros projetos, como por exemplo, o meu trabalho de conclusão de curso. Além disso, por mais que me neguei a ministrar aulas e recusei diversos convites para eventos, a vida de bailarina não me abandona. Às vezes as pessoas esquecem que você tem uma vida pessoal fora do trabalho. Em resumo, não existe o momento ideal para sair de um emprego, e sempre será um parto doloroso. Todavia, acredito que quando nossa qualidade de vida não está satisfatória, precisamos reorganizar nossas prioridades e fazer escolhas. Às vezes, um corte é necessário.


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