quarta-feira, 22 de junho de 2016

Retratos da Vila Real #3

O garoto se converteu. Deixou de frequentar a avenidas nas madrugadas e largou os maus hábitos. Até aí, tudo bem, tinha ficado feliz por ele. O problema é que o garoto começou a pregar para os outros garotos, convidando-os a ir para a igreja, e o rendimento dos negócios começou a cair. Então, teve que ir falar com a mãe do garoto.

Guilherme* é um jovem aspirante a traficante, mas muito astuto. Não achou nada normal quando os "clientes" vieram com uma ideia de que era melhor "parar". Até ficava feliz pela força de vontade deles, era cristão também, mas isso era ruim para os negócios.

Foi falar com a mãe do pregador, poderia até soar ameaçador, mas conhecia a velha e tinha respeito por ela.

Diz pro seu filho que se ele não parar de afastar a freguesia..." deve ter dito ele.

Tinha uma dívida para pagar. E essa dívida era eterna: se não pagasse em dinheiro, pagaria com a vida.

Obs. Os nomes reais foram omitidos para preservar a identidade dos entrevistados.

sábado, 18 de junho de 2016

O Tal do "Coaching"

De 2015 para cá, ouvi falar muito sobre coaching. Começou quando meu namorido estava fazendo pós em Gestão de Pessoas e me ensinou o que sabia sobre o assunto. A partir de então, consegui identificar técnicas de coaching em diferentes ambientes e acabei me interessando mais sobre o assunto.

Quando estava participando do processo seletivo da Natura, havia um coach na sala motivando os concorrentes durante todo o processo, especialmente no final, quando falou de forma geral com todos que não foram aprovados para o próximo estágio do processo, contando causos pessoais e tudo mais.

Quando tentei cancelar meu curso de inglês em dezembro do ano passado, se aproveitaram da minha transparente fraqueza emocional para me induzirem a permanecer no curso, mesmo eu justificando minhas condições atuais.

Mas, afinal, o que é coaching?

Coaching não é psicologia nem terapia, nem tem como intenção fazer um tratamento emocional. Trata-se de um processo composto por planos estratégicos para alcançar objetivos, eliminando os empecilhos que nos limitam, alinhamento os pensamentos proporcionando definição e clareza das ideias.
  1. Foco
  2. Prazo
  3. Plano
  4. Tarefa
  5. Melhoria (contínua)
Recentemente, participei de um workshop motivacional com Francine Barbosa (Coach especialista em Voz e Comunicação), Camila Andrade (Personal Coach e Nutricionista) e Jacir Junior (Personal, Executive e Business Coach) na Biblioteca Pública Municipal de Jundiaí Profº Nelson Foot.

O workshop começou com o coach Jacir Junior explicando o que é coaching e dando algumas referências de profissionais que fizeram uso da técnica para alcançar seus objetivos. Em seguida, Camila Andrade mediou duas atividades, a Dreamlist e a Roda da Vida. Por fim, Francine Barbosa fez o fechamento do work.


Agora estou lendo o livro Dominando o Mentoring e o Coaching com Inteligência Emocional por Patrick E. Marlevede e Denis C. Bridoux, que acredito ser muito útil para a minha realização pessoal e para o trabalho que desenvolvo conciliando comunicação e dança. O livro inclui:
  • Questionários de coaching e mentoring para avaliar o nível de habilidades.
  • Técnicas de grande eficácia para intervenções a curto e longo prazo.
  • Dicas e exercícios práticos.
  • Estratégias adequadas para mentores e coaches.
  • Recursos convenientes para treinandos e clientes.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Facebook é o novo SAC

Recentemente tive uma péssima experiência de compra online. Atendimento ruim, assistência técnica pior. Aí percebo que o quão importante é o papel do SAC. A empresa a qual represento nas redes sociais durante o meu estágio não deixa o cliente esperando, ouve o que o cliente tem a dizer, prioriza o cliente. Nada é passado para traz, todas as mensagens e comentários, por menor que sejam, são respondidos e atribuídos a atenção necessária.



Mais importante do que a venda hoje, é o feedback. Infelizmente. muitas empresas, das grandes às médias e pequenas, pecam neste aspecto.

Houve uma vez que uma lanchonete que gostamos muito cometeu um tremendo erro. Um tanto receosa, recorri ao Facebook como uma forma de contato com a empresa, já que não tinha um endereço de e-mail para SAC. Além de ter os lanches reavidos, o mais importante para mim foi a explicação do empresário, que me fez entender a situação e, desta forma, continuei comprado no estabelecimento. Estabeleceu-se uma relação de confiança.

Mas imagino que quem havia estado lá pela primeira vez, talvez não retornou. Imagino quem tomou a primeira má impressão como certa e difamou a empresa entre os conhecidos. Por isso adicionei uma nova frase ao falar com os clientes da marca que represento quando estes entram em contato para fazer uma reclamação:

obrigada por entrar em contato.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Paulo Genestreti

"Você vai ter que escolher entre fazer alguma coisa de qualidade e ser o primeiro a fazer." Paulo Genestreti
Todo mundo tem um professor favorito que marca os diferentes momentos da sua vida acadêmica. Na minha infância, foi a Isabel, um doce de mulher que me acolheu com todos os meus traumas. No ensino fundamental, tive a profª Valéria, entre tantos outros professores maravilhosos que marcaram os três anos que estudei na Monsenhor. Já do ensino médio, posso citar a Rosana e as viagens que fazíamos em suas aulas de geografia. Além destes, tive também o Nereu, praticamente um orientador para o mercado de trabalho.

Na faculdade, tenho o Paulo, que marcou minha memória desde a primeira aula. Escritor de prosa livre, ilustrador e fotógrafo, o Paulo está entre os melhores professores do curso de graduação em Comunicação Social pela Faccamp, mas sua personalidade divide opiniões. Gosta de discursar nas aulas e vire e mexe conta algum causo cômico do seu passado, ou de seus dias atuais. Quem já teve uma aula com ele ouvir falar em algum momento da Rua Augusta ou do(da?)  Demônio, seu cachorro de estimação, adotado ainda filhote.

O que mais gosto em suas aulas é o conteúdo diversificado da grade, sempre multimídia - com músicas, vídeos, slides, fotografias e citações literárias - e com atividades práticas extraclasse, além de trazer profissionais renomados como palestrantes convidados. Ah, ele também é aquele professor que responde e-mail e te dá a liberdade de argumentar nas aulas (só não tente discutir com ele).


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Retratos da Vila Real #2

Ele era pai de família e amava suas crianças. Mas estava desempregado, sofrendo humilhações da esposa e só se sentia bem quando estava sob o efeito de drogas.
Não tem o que comer em casa. Faz três dias que estou fora, não consigo parar de usar. (SIC)
Faz de tudo para criar um homem de bem, quer que seu filho tenha oportunidades na vida, mas o garoto não vai bem na escola quando os pais brigam. "Faça o que eu digo e não o que faço" é o modelo de educação que eles seguem.

Recentemente, o casal recebeu queixas da escola de que o garoto andava agressivo, briguento, respondendo mal aos professores.
Se eu não mostrar que eu sou durão, eles vão querer fazer comigo que nem fazem com os meninos fracos, viadinhos. (SIC)
"Eles" são os alunos mais velhos.

A mulher deu à luz uma menina, há poucos meses. Ela ama a família e tudo que pede é que o marido tome jeito. Afinal, o menino precisa dele, vê o pai como um herói, típico de uma criança.

Mas a criança está crescendo e não vai gostar nada do que vai ver quando passar a enxergar com os olhos de um jovem. Talvez ainda haja tempo de moldar o seu caráter para ser um homem de bem amanhã, mas se não fizerem nada a respeito hoje, amanhã pode ser tarde demais.

Obs. Os nomes reais foram omitidos para preservar a identidade dos entrevistados.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Sem-Teto


A família se foi, derrubaram a casa e abandonaram o Pretinho, mas ele continuou ali porque acreditava que aquele era o seu lar, tinha esperança de que aquelas pessoas que ele acreditava ser sua família retornassem.

Quando chovia, se escondia debaixo do teto onde um dia foi um banheiro. Quando sentia frio, se enroscava nos panos velhos deixados ali. Os vizinhos trocavam sua água e deixavam restos de comida para ele.

Mal nutrido, Pretinho começou a definhar, mas mantinha o brilho de menino no olhar. Até tentaram lhe adotar, mas Pretinho não quis arredar o pé dali, pois ali era sua casa, e ele esperava pacientemente sua família retornar.

Um dia apareceu algumas pessoas estranhas, avaliaram o terreno, quanto trabalho daria para limpar. Um menino rechonchudo tentou colocar o Pretinho para fora, debaixo de pontapés. Acuado, o Pretinho se escondeu, mas foi só a família ir embora que ele retornou para o que acreditava ser seu lar.

Noutro dia, apareceram as máquinas e derrubaram o único teto sob onde o Pretinho dormia. Ele ficou mais triste do que bravo, era muito manso e dócil para sentir qualquer resquício de raiva. Mesmo assim, ele continuou passando as noites no entulho que um dia chamou de casa.

Certa manhã, fui levar comida para o Pretinho, mas ele não estava mais lá. Ou levaram ele embora, contra sua vontade, ou morreu de solidão. Não sei o que seria pior. Ou ainda, talvez, quem sabe, morrera feliz em seu lar. No que você prefere acreditar?

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A Pauta

Entre minhas últimas atividades acadêmicas antes de encerrar o semestre meio que por conta própria, prestigiei uma palestra com o fotógrafo e jornalista Nílton Pavin, a convite do professor de Fotojornalismo, Paulo Genestretti.

A palestra foi muito além da técnica ensinada nas aulas de Redação Jornalística. Pavin falou sobre a pauta do ponto de vista conceitual. Uma verdadeira imersão cultural de onde pudemos tirar muito aprendizado!

“Pauta é você descobrir algo que ninguém sabe, é pensar em algo que ninguém pensou.”
A pauta pode surgir de qualquer lugar, inclusive de um release. A pauta pode ser alterada durante o percurso. E também pode ser roubada. Por isso, a pauta nunca deve ser divulgada. As fontes nunca devem ser reveladas.

"Um bom jornalista tem que ter boas fontes”
Ele também falou sobre a necessidade de averiguação, algo tão primordial, mas que está ficando em segundo plano no jornalismo digital, e não deveria. É preciso ter certeza do que está fazendo, não simplesmente ouvir e divulgar por aí. E sempre deve conferir em mais de um veículo, nunca acreditar numa fonte. Daí a necessidade de estar plugado em todos os meios: jornal, revista, internet, televisão e rádio, principalmente.

“Sempre venda o seu trabalho, jamais a sua consistência.”
Pavin afirmou que quem mantém os veículos de comunicação hoje são as assessorias de imprensa. E comprovou o que disse com grandes exemplos. Os exemplos foram citados para nos passar uma lição enquanto ainda temos a ideia romantizada do jornalismo.

Imagem via Folha da Região

Sob o olhar solitário de um fotógrafo

Para finalizar, fomos brindados com uma grande exibição dos registros de sua viagem para Butão, com passagens pelo Tibete, Nepal, Chile e Índia, intituladas, respectivamente, como “O Reino do Dragão”, “No Topo do Mundo”, “A Montanha Sagrada”, “O Umbigo do Mundo” e “A Terra do Conflito Eterno”, além dos causos contados sobre a experiência.

Pavin foi o primeiro jornalista brasileiro a registrar imagens do cotidiano religioso de Butão. Suas fotografias estiveram em cartaz em todo o Brasil sob o título “Paraísos Proibidos do Himalaia” e a experiência resultou também em dois livros, “Imagens Proibidas: uma viagem aos mistérios do Tibete e do Butão” e “Imagens da Paz: uma viagem ao místico sudeste asiático”.
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