segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O Ódio e A Diferença

É certo dizer que o texto jornalístico pode causar comoção se o autor for capaz de propiciar essa empatia entre personagem e leitor através da escrita narrativa. É natural do ser humano que, ao se deparar com a história de outra pessoa, tenha como reação imediata imaginar-se na mesma situação. Mas esta reação é a mesma indiferentemente do veículo em que a mensagem é transmitida, seja impressa ou digital? Segundo o artigo “O Poder da Emoção” (CJR, 2015), “o leitor entende o espaço bidimensional do impresso, já a internet é de uma ordem distinta”. Ou seja, tanto faz você se deparar com uma notícia que lhe choca num dado momento quanto no instante seguinte estar se entretendo com outra coisa totalmente diferente, colocando em segundo plano o que acabara de ler, sendo que no papel ficamos fixos àquele contexto por tempo suficiente para assimilarmos o fato, digerirmos o conteúdo, nos emocionarmos.

A tecnologia nos mantém ocupado o suficiente para nos isolarmos da convivência humana, talvez por isso nossa geração não saiba lidar bem com as próprias emoções. Diante dos casos recentes de vandalismo e marginalidade, o número crescente de assassinos a sangue frio, multidões querendo fazer justiça com as próprias mãos: isso é uma amostra de que as relações interpessoais precisam ser trabalhadas. O ódio é algo espontâneo e natural, um recurso do nosso corpo para alertar que algo está errado, parte integrante do nosso mecanismo de defesa, pela sobrevivência física e para preservar os valores que prezamos. O sentimentalismo mal resolvido pode resultar em grandes estragos físicos e emocionais, levado a calamidades.

Talvez todos tenhamos um pequeno monstro dentro de nós, esperando para ser alimentado, para crescer e se libertar. Começa com a raiva, um sentimento crescente decorrente de uma mágoa, um rancor guardado no peito que, evoluindo, exige uma reação imediata e por vezes desmedida, ganha forma, se personifica, e então escolhe um alvo, como um veneno fomentando a agressividade, a maldade e a vingança, despertando toda sorte de sentimentos ruins e desumanos. É nesse contexto que vivenciamos o século XXI.

0 comentários:

Postar um comentário

Created By Sora Templates