sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O Impacto da Internet e Novas Tecnologias na Produção de Conteúdo: Palestra com Rafael Depieri

Rafael Depieri, natural de Jundiaí/SP, se formou em Rádio e TV pela Anhembi Morumbi, trabalhou como roteirista em emissoras como a SBT e a Band e estudou Cinematografia em Santa Fé (Novo México). Hoje, aos 28 anos, ele é proprietário da produtora de vídeos para TV e Web Oficina Mídia onde é feito vídeos corporativos, institucionais, promocionais, comerciais, entre outros. Em palestra realizada para os alunos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da FACCAMP (Faculdade Campo Limpo Paulista) na última quarta-feira (18) a convite do professor Paulo Genestretti, Depieri compartilhou suas experiências pessoais como profissional em comunicação, destacou as diferenças do trabalho no Brasil e nos EUA, falou sobre a modernização do mercado e exibiu uma série de vídeos, alguns produzidos por sua produtora e outros de youtubers que ganharam visibilidade na web.


Interatividade

Com as cartas, o telefone, o fax e o e-mail já era possível contar com o feedback nos sistemas de comunicação, principalmente entre um veículo e seu espectador. Todavia, a chegada das redes sociais e a acessibilidade às novas tecnologias facilitaram muito essa interatividade do produtor com o receptor de conteúdo.

Atualmente, tudo se encontra na internet. Qualquer informação que você precise, é só caçar por lá. As organizações perceberam que também precisam estar lá, acessível, mas nem sempre contam com mão de obra qualificada para desempenhar essa função. E a maneira como você se apresenta na web é que vai atribuir credibilidade a sua marca. As avaliações em uma página e os comentários funcionam como um termômetro desse crédito.

Para que usar um portal “reclame aqui” se o retorno pelo Facebook é muito mais ágil quando se está com algum problema? Todos temem ter o seu nome exposto negativamente na web e muitas organizações ainda não aprenderam como lidar com essas crises.


Democratização na Produção de Conteúdo

Três pontos contribuíram com a democratização na produção de conteúdo para web: a chegada da banda larga; a criação das mídias sociais e o surgimento das câmeras DSL, que inovaram a qualidade das fotos e filmagens amadoras. As pessoas civis ganharam voz e espaço para compartilhar o que quer que seja. E a cada momento novos personagens se tornam visíveis ao público massivo. Aqueles com mais capacidade técnica perceberam que era possível ter fins lucrativos com isso, e então vieram os bloguers, vloguers e podcasters da vida.

Num passado não muito distante, conteúdo de internet era considerado coisa de amador. Mas isso vem mudando de uns tempos para cá, as pessoas já estão se cansando do “lixo virtual”, e com isso vem surgindo a necessidade da profissionalização na internet. Hoje é muito fácil encontrar conteúdo na internet com mais qualidade do que o que vemos em outros veículos de comunicação.


Internet x Televisão

O Rafael citou dois tipos de programas de televisão: os programas “parasitas”, que dependem do conteúdo da internet para ter o que transmitir, como é o caso do quadro Zap Zap do programa Encrenca (RedeTV!), o que não é de todo ruim, exceto quando a programação se limita a isso e quando não é feito uma boa filtragem do material obtido nem consultado a veracidade das informações transmitidas; e os programas que se adaptaram à presença dos internautas. Nunca havia parado para pensar nisso, mas quando um programa acaba na TV, não significa que também acabou na web: as pessoas continuam acessando, curtindo e comentando por um período de tempo após o término do programa.

Profissionais Limitados

Aqui no Brasil estamos com um grave problema com o que chamarei de “sistema de produção em massa”: a limitação de funções dentro de um cargo e a acomodação de um funcionário que não tem interesse de aprender além do que a sua função exige, e não estou falando apenas das gerações passadas. As leis trabalhistas atuais colaboram com esse monotrabalho. Um bom exemplo citado é que muitos jornalistas nem chegam perto da edição dos seus trabalhos.

Nos Estados Unidos, conforme a experiência do Rafael, existe bem menos burocracia para trabalhar, consequentemente, tem mais agilidade no ambiente corporativo, os funcionários são pró-ativos e multitarefas, inclusive a aposentadoria não funciona como aqui em nosso país, muitos idosos continuam trabalhando num bom ritmo mesmo depois da chegada da 3ª idade.

Uma das coisas que eu mais ouço as agências de comunicação reclamarem é o número de alterações solicitados pelo cliente antes de chegarem num consenso para o produto final. É como se todos da equipe quisessem participar de alguma maneira, “todo mundo tem que dar seu toque de genialidade” (SIC), disse o Rafael. Na maioria das transações entre sua produtora e uma agência, ele destaca que o cliente está mais preocupado com a logística do que com a criação, sendo assim, ele inovou criando o “Manual do Cliente” que é uma espécie de guia de como o cliente deve se portar durante as transações.


Considerações Pessoais

Adorei conhecer o Rafael e assistir sua palestra só alimentou meu prazer em trabalhar com comunicação. Eu adoraria voltar a estagiar, pois não aguento mais ficar fora desse mercado! Sinto-me um tanto alienada por não ter acesso a algumas tecnologias e, principalmente, estar sem internet em casa.

Penso em como poderia melhorar a qualidade dos meus eventos se tivesse um tripé para as filmagens de apresentações, uma caixa de som portátil e uma câmera semi-profissional. Na parte de edição, aos poucos estou incorporando o pacote Adobe no meu notebook, mas quando executo certos programas tudo fica lento. Todavia, sem chances de comprar um macbook! Não no Brasil, pelo menos. Acho que gastar com material escolar não me convém mais, nem ficar tendo que imprimir minhas referências, preferiria ter tudo acessível em um tablet.

Depois da palestra, pedi alguns toques para o Rafael para a produção do meu projeto experimental independente de videodança, que já está em andamento. Fiquei muito empolgada com todas as informações obtidas, mas reconheço que ainda tenho muito o que aprender. Não vejo a hora de ter aulas práticas de fotografia! Também quero fazer um curso de extensão em edição de imagens. Não vejo a hora de aprender a diagramar com um programa próprio para isso, assim poderei concretizar meu desejo interno de ser autora independente.

Enfim, espero que até o final do curso eu esteja com mais mobilidade técnica para desenvolver meus projetos. Investir num automóvel ajudaria na locomoção e ainda não desisti de ter meu próprio canto, só tive que adiar um pouco, fazer um planejamento financeiro a longo prazo. Conhecer pessoas que estão se saindo bem mesmo com tantos obstáculos em nosso país é uma grande fonte de inspiração e motivação para continuar almejando tudo o que quero ser e ter.

domingo, 15 de novembro de 2015

Não tem idade para começar a fazer faculdade

Depois de ser diagnosticado com uma limitação física nas pernas que o impede de fazer muito esforço, José Lopes, aos 39 anos, aproveitou o momento para ingressar no ensino superior.


Melissa: O que te levou a começar a faculdade?

José: Foi meio forçado. Tenho um problema na perna e não posso fazer muita força, então resolvi aproveitar para estudar.


M: Quais são os seus hobbies?

J: Adoro tocar violão e contrabaixo. Começou como um hobbie, hoje toco profissionalmente. Já toquei de tudo, inclusive rock e sertanejo, mas hoje tenho uma banda gospel, tocamos em eventos familiares, como casamentos. Também gostava de fazer academia, jogar bola, mas depois do problema na perna eu parei.


M: Mas então, por que escolheu estudar Jornalismo ao invés de Música?

J: Estava em dúvida entre estudar Música, Jornalismo ou Educação Física. Quando consegui a bolsa de 50% pelo Prouni para estudar Jornalismo, despertou um sonho antigo de ser correspondente de guerra.


M: Mas você já havia cogitado ingressar no ensino superior antes?

J: Quando fiz o 2º grau era diferente, não tinha esse incentivo do governo que temos hoje. Aí, aos vinte e seis anos, casei, tive dois filhos, então não teve jeito.


M: E sua família, apoia que você estude?

J: Sim, claro, me esposa me apoia e meus filhos me veem como um herói. O mais velho tem 13 anos e o outro tem 10, eles gostam de comparar o que estão aprendendo na escola com o que eu estou aprendendo na faculdade.


M: O ensino superior te fez falta no início da sua carreira?

J: Sim, muita. Se meus filhos não quiserem estudar, eu vou obrigá-los. Por que até quem tem ensino superior está aí sofrendo para arrumar um bom emprego.
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