quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O Jornalista e o Escritor

“Minha vida daria um ótimo livro!”, acho que essa é uma das frases que eu mais ouço depois da publicação do meu primeiro romance. No começo, ficava emburrada: poxa, essas pessoas não entendem que eu sou romancista de ficção? Não quero escrever história de ninguém! Pensava. E cá estou eu, estudando jornalismo, onde nosso principal papel é dar voz aos personagens da vida real.

Hoje eu percebi o quanto as pessoas tem essa necessidade de serem ouvidas. Quando convido alguém para uma entrevista ou uma reportagem experimental, a princípio se intimidam, mas aos poucos os sentimentos ruins dão lugar à emoção de terem uma oportunidade de contarem a sua história, não importa se se trata apenas de um trabalho acadêmico.

Por haverem muitos jornalistas de má índole neste ofício, que manipulam informações, as pessoas desenvolveram certo receio de se abrirem com um jornalista, temem serem expostas, mal interpretadas e julgadas por outro ângulo. Com o escritor isso não acontece: temos uma ideia romantizada de quem escreve, você pode contar com um escritor para ele transpor suas palavras com transparência, sem véus que ofuscam o texto, sem aqueles olhos sanguinários que buscam uma pequena brecha, uma informação única e nova, algo que dê uma boa notícia. Não temos essa pressão das grandes mídias, não resumimos nossas histórias em caracteres, não seguimos técnicas de lead ou triângulo invertido.

Apesar de ambos trabalharem com a escrita, o escritor é um artista, o jornalista nem sempre. Mas quando o jornalista aprende a contar histórias, ele ganha o carisma do público. Foi mais ou menos assim que o jornalismo literário me conquistou: pela arte de contar uma história... real. 

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