sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Manicure de Luxo


Está difícil encontrar boas profissionais em unhas. Muitas manicures trabalham em casa, por gosto; para agregar a sua função principal como cabeleireira, em salões de bairro ou trabalha nos salões dos outros para contar com uma renda extra. Todavia, não buscam investir na área, fazer algum curso de formação ou aperfeiçoamento ou até mesmo comprar as ferramentas certas para o ofício. Acredito que isso se aplica a outras profissões da estética, mas a pauta aqui são as manicures. Li uma vez que o mercado de beleza é um dos que mais fatura no Brasil, mas, sinceramente, também é um dos que mais peca quando se fala em profissionais qualificados.

Certa vez, cansada de jogar dinheiro fora, procurei um centro de estética especializado para fazer minhas unhas pelo dobro do preço que eu pagaria num salão de bairro. Cheguei no horário marcado, a recepcionista me pediu para preencher uma ficha de cadastro e aguardasse. Em seguida, me levaram para fazer um tour no espaço antes de me deixarem na sala da manicure, onde mais uma vez me aconcheguei no sofá para esperar a minha vez.

Logo de cara, surpreendi-me por que ela era uma senhora. Dificilmente vejo manicures com mais de cinquenta anos atuantes no mercado, mas o preconceito traiçoeiro não demorou a bater na minha porta: “quanto mais velho, mais experiência tem, não?”. Resolvi fechar os olhos e entregar minhas frágeis mãos àquela doce senhora, e a primeira coisa que ela me contou foi que começou a trabalhar depois que se aposentou, para matar o tempo.

Começo sempre da direita para a esquerda! Da direita para a esquerda!", repetia sem se cansar. Do mindinho da mão direita para o dedão. Do dedão da mão esquerda para o mindinho.

Terminado a preparação básica das unhas, ela me mostrou sua vitrine de esmaltes. Uma espécie de mostruário de rodinhas com quase um metro de altura, os esmaltes enfileirados e organizados pela marca e por ordem crescente da cor.

Quase uma hora depois, chegou a vez dos pés, e esta foi ainda mais aterrorizante. A senhorinha havia comprado umas geringonças em São Paulo para facilitar seu trabalho e deixar a cliente mais confortável. Então, deitei-me numa maca, ela se apossou de um capacete com uma lente de aumento que se encaixava sobre seus óculos e começou a lixar minhas unhas. Seus olhos ficavam enormes naquele treco e eu tive que conter para não cair na risada.

Terminado o serviço, preenchi outra ficha de satisfação, avaliando o trabalho da manicure e da clínica. Fui até o caixa para pagar a conta com a minha notinha e antes de sair, levei um saquinho com panfletos promocionais, entre outras coisas. Não voltei mais. Mas a ficha de inscrição me rendeu ligações constantes durante alguns meses.

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