domingo, 20 de setembro de 2015

Andando a Esmo

Às vezes, é assim que me sinto: caminhando em círculos, correndo sem sair do lugar, andando a esmo e todas essas expressões chulas que dão início às palestras motivacionais.

Faz dois anos que estou na faculdade, mas fora a minha primeira oportunidade de estágio, não passei em nenhum processo seletivo desde então. O mesmo acontece com relação à dança, não consigo fixar-me num lugar, ver minha turma avançar de nível. Estou super triste por ter desapontado as minhas alunas, que estão comigo desde o início do ano. Com os eventos não é diferente: difícil formar um público. Também tentei trabalhar de forma autônoma, arrumar alguns serviços freelancers, iniciar projetos ligados à dança e/ou literatura em espaços culturais, bibliotecas, escolas públicas. Nada.

Sinto falta de ter meu próprio dinheiro. Comprar as coisas que cobiço. Ser mais independente. Queria poder ajudar mais a minha família. Recompensar todos os esforços que a minha mãe já gastou comigo. Finalmente tirei a minha habilitação para dirigir, com o pensamento positivo de que conseguiremos pelo menos um carro velho e usado para quebrar um galho: levar minha mãe para fazer despesas pra sua mercearia, não vê-la mais carregando as coisas nos braços; fazer em vinte minutos o trajeto da minha casa ao studio de dança que levo quase duas horas de ônibus; em finais de semana quentes como este, fazer um passeio com a minha família.

Prometi a mim mesma que iria começar a cultivar novas amizades, e estou fazendo isso. Marquei presença na casa de diferentes amigas neste mês, coisa que não fazia há séculos. Mas não posso convidar ninguém para vir a minha casa, por problemas com a infraestrutura do meu bairro.

Eu e o meu namorado estamos planejando morar juntos. Será uma boa ele ter seu próprio cantinho, ele tem condições para isso. Mas não sei se quero ir com ele. Não para ficar nas custas dele. E por que eu sempre quis sair de casa para ter o meu próprio canto, não pra ir pra casa de outra pessoa. Além disso, ele e a minha mãe não se falam, e é horrível me sentir como se estivesse escolhendo entre um e outro.

Não gosto quando decepciono as pessoas. Ou quando tentam se aproveitar de mim. Fico péssima quando brigam comigo. As coisas não estão legais na faculdade, sempre fico sobrando na hora de formar um grupo de trabalho. Também não estou evoluindo no inglês, a escola é ótima, eu que sou péssima com isso, e não está sendo nada barato fazer este curso. Apesar de receber elogios dos professores de que minha produção está na média esperada, gostaria de fazer melhor do que isso. O limite, para mim, é a nota máxima. Não gosto desta coisa de média.

Se eu não tivesse a ajuda de terceiros, não estaria mais na faculdade agora, e isso me envergonha, pois me sinto na obrigação de fazer as coisas direito, como se tivesse ganho uma dessas bolsas do governo. Tenho poucos amigos sinceros. Mas não dá para contar com eles pra tudo. Às vezes tudo o que eu queria era ter alguém pra conversar sobre tudo, sem omitir informações, esconder meus sentimentos com receio de receber julgamentos.

Acho que não tenho ninguém assim.

Às vezes dá vontade de desistir tudo. Ficar na cama e esquecer que existe um mundo lá fora. Desistir da dança. Desistir da literatura. Desistir dos relacionamentos. Meu namorado diz que não tenho amigos por que sou chata. Acho que ele está certo. Podia desistir do namoro também, poupá-lo da minha chatice.

Desistir de viver, quem sabe. Mas não posso, não quero decepcionar as pessoas. Quero que meus pais me vejam formada. Quero poder acompanhar meu namorado numa viagem ao exterior. Minha eterna professora de dança ficaria muito triste se me visse desistir de tudo que ela me ensinou.

Acho que a diferença quando você é financeiramente independente é que não deve satisfações a ninguém do que faz com o seu dinheiro. Poderia ter reprovado no exame da habilitação sem receio por que quem pagaria um novo exame seria eu, por exemplo.

Mas não posso, não posso, não posso.

Não posso amar as pessoas que eu quiser.
Mas ninguém me ensinou a receita para esquecer.

Uma vez eu fiz uma lista de coisa para fazer quando me sentisse depressiva. Ler, dançar, ouvir música, comer chocolate, tomar sorvete, beber algumas taças de vinho, aproveitar o ar livre, ficar sozinha sem nada cortante por perto. Não tomar decisões, não falar com ninguém, evitar sair de casa, principalmente para tarefas importantes.

Às vezes funciona, às vezes não. Desta vez não funcionou, já fiz merda. De qualquer forma, no final tudo passa, pelo menos fico mais racional. O jeito é esperar essa razão me preencher e torcer para que no mês seguinte esse turbilhão de sentimentos não me abale novamente.

4 comentários:

  1. Me, hoje vim aqui com um aperto no peito. Ler seu texto me corroeu a alma. Queria poder ser esse ouvido, ser essa pessoa com quem você pode falar sem medo de dizer. Talvez eu esteja sendo agora mesmo, ao ler seu texto.

    Quando a vida for dura assim, deixe que dure, mas não endureça seu coração. Você é tão boa com as palavras. Sinta-as, deixe-as sair de você. As melhores criações acontecem quando a gente está assim, pra baixo...

    E tudo nessa vida é fase. Espero que passe logo, não sem antes fazer você ainda mais incrível que já é! Sucesso!

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    1. Muito obrigada pelas palavras, Gisa. Também adoraria que fôssemos mais próximas! Você é o tipo de pessoa que vale a pena cultivar uma amizade.

      Realmente, gosto muito de escrever quando estou mal. E de dançar, rs. Parece que as coisas melhoram muito depois que colocamos pra fora de alguma forma, mesmo que não seja conversando com alguém.

      Mesmo tendo consciência de que estou me expondo ao escrever um post assim em meu blog, é como se ele fosse meu meio de vazão, principalmente quando um leitor atendo como você percebe o texto e comenta. Não sabe como isso me realiza!

      Parabéns pelos seus projetos, estou acompanhando sua page e o canal do youtube, Beijoos <3

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    2. Voltei, enfim, para ver se você tinha respondido meu comentário.
      Como você está? Está melhor? Sei que essa vazão que a gente dá nos textos aqui é o que nos ajudam a esclarecer as ideias e começar a pensar coisas novas. Espero que a fase tenha passado.

      você saiu da publicidade? Está fazendo jornalismo? :D

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    3. Oi, Gisa. Estou bem, resistindo ao meu monstro interior e tentando não me privar de contato humano, kkk. Não vejo a hora que a faculdade acabe!! E lamento quando digo que não posso contar com ninguém. Tem pessoas adoráveis a minha volta que sempre me dão a mão quando preciso, seja de uma palavra amiga ou de um carinho. Você é uma dela XD

      Apesar de ter feito estágio numa agência de publicidade, sempre cursei jornalismo ;)

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