domingo, 24 de maio de 2015

A linha tênue entre público e privado: escrita íntima na internet

“Você tem uma única identidade.” Mark Zuckerberg, criador do Facebook
Em sua obra mais recente, a publicitária Camila Fremder e a apresentadora de rádio e TV Jana Rosa afirmam que “não existem redes sociais sem mentiras”.¹
Talvez pelo layout mais clean do Facebook e pelas pessoas que começaram a usar o Orkut para fazer perfis maldosos e ameaças, nos últimos anos fomos treinadas a agir de caso pensado. (...) Já estava de bom tamanho a paranoia que criamos no Twitter, fingindo o tempo todo sermos engraçadas, inteligentes e ocupadas, e aí apareceu o Instagram para acabar com tudo. Nossa pele nunca mais teve cor de pele, nossos animais de estimação são objetos de exposição e pedimos comida pensando em tirar foto.¹
No início da era das redes sociais, o e-mail era o principal meio de comunicação e falar com sinceridade sobre sua vida e seu jeito de pensar em um blog era muito comum. Hoje, a comunicação é estratégica, tem um público alvo e descobre potenciais empreendedores. Não mais um meio de entretenimento e sim um meio de persuasão. As pessoas querem convencer seus amigos, familiares, colegas de trabalho e inclusive a si próprias de que são especiais.



Como Mark Zuckerberg enfatizou numa entrevista em 2009, mesmo que um usuário de redes sociais queira separar as informações pessoais das profissionais, a partir do momento que expõe sua vida numa postagem, suas informações proliferam na internet e em outros lugares. E o mesmo serve para aqueles que trabalham gerando conteúdo na web, seja uma organização ou uma pessoa física – e a segunda categoria também envolve menores de idade.

Apesar de ter sido escrito em 2004, o que a dissertação de mestrado da jornalista Denise Schittine diz sobre blogs também se aplica as demais plataformas onlines que seguem o mesmo diretriz dos chamados “diários virtuais”, como os vlogs e as pages: “Num blog você é o seu Publisher, seu editor, não há censura, restrição ou imposição de espécie alguma para você manifestar seus pensamentos e opiniões. (...) O público-alvo vai determinar o que ‘deve’ ser escrito.”² O segredo é discernir o que deve ou não ser publicado.



¹ FRENDER, Camila. ; ROSA, Jana. Como ter uma vida normal sendo louca: dicas para lidar com as diversidade e situações do universo feminino. Rio de Janeiro: Agir, 2013.
² SCHITTINE, Denise. Blog: comunicação e escrita íntima na internet. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.

OBS.

Este artigo integra o paper "Análise da Influência das Redes Sociais nos Relacionamentos Interpessoais" desenvolvido no curso de graduação em Jornalismo da Faculdade Campo Limpo Paulista. << Arquivo original >>

0 comentários:

Postar um comentário

Created By Sora Templates