quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Rotina nos ônibus públicos

Durante os últimos dias, resolvi escrever a situação social do ônibus em que me encontrava, o qual enviava por mensagem de texto para meu namorado. Onde moro, depender de transporte público não é nada agradável, principalmente nos horários de pico...


29/08 (sexta-feira): 18h38 - indo para o ensaio de Dança do Ventre

Depois de quase quarenta minutos esperando no ponto, consegui pegar o bendito do ônibus. População: um evangélico de terno e ar superior, olhando a sua volta com desprezo explícito; um garoto na faixa dos 23 anos, mal arrumado, provavelmente operário, com a pele manchada pelo sol e os olhos fundos, com olheiras profundas e avermelhados, de tanto fumar maconha; um motorista mal humorado, estressado com a rotina de trabalho; e uma velha louca gritando palavrão no fundo do ônibus. Na verdade, ela está discutindo com o marido, mas só dá pra ouvir a voz dela. O pior é que tem crianças no ônibus, não me sinto à vontade com elas ouvindo aquele porre de besteiras.

30/08 (sábado): 9h23 – indo para a aula de Dança do Ventre

População do ônibus matinal de sabadão:
  • Um homem que me parece ser “cristão” nega um pedaço de coxinha para um cachorrinho faminto e ainda joga o papel no chão antes de entrarmos no ônibus. Se ele trata assim os animais e o meio ambiente, que dirá sua família, seus colegas de trabalho. Deus tenha piedade da sua alma, por que eu não tenho nenhuma.
  • Um cara alto e “grande” segura no cano de baixo ao invés de segurar no de cima para dar lugar aos menos favorecidos na altura. E ainda fica com as pernas beeem abertas para ocupar mais espaço. Pisei no seu pé e bati em seu joelho algumas vezes propositalmente durante o caminho, mas ainda assim ele não se tocou. Uma senhora está encolhida ao seu lado, fazendo todo o esforço do mundo para esticar o braço e segurar num pedacinho do cano.
  • Uma rockeira segue adiante com seu projeto de vida de ficar surda antes dos 30, já que ela ouve músico no fone de ouvido com o volume no máximo. Pelo menos ela está ouvindo música no fone de ouvido. Ainda assim, sinto uma necessidade horrível de fazer algo para salvar seus tímpanos.
  • Quase fui estuprada por uma bolsa. Uma garota baixinha com uma dessas bolsas transversal que fica na altura da cintura viajou atrás de mim, e sempre que o ônibus balançava sua bolsa batia com força em minha bunda. Tive que ficar meio de lado para amenizar o desconforto, já que ela não pretendia fazer nada que mudasse aquela situação.

02/09 (segunda-feira): 10h26 – indo para o centro procurar emprego.

Saindo de casa. Os ônibus atrasaram, o primeiro que apareceu está sofrendo por que todo mundo quer entrar nele, sendo que tem mais dois para descer. - Aqui passa uns quatro ônibus: um de Várzea Paulista, um para o centro de Jundiaí via marginal, um para o centro de Jundiaí via Várzea Paulista e um para Campo Limpo Paulista. Eu tenho que ir para o centro, mas o marginal só passa umas meio-dia, então tenho que ir nesse mesmo. Mas muitos aqui vai descer em Várzea Paulista, eles podiam esperar o próximo. -
Deu superlotação, não ta dando pra fechar a porta. Tem mãe irresponsável aqui dentro, asfixiando a coitada da criança. Deus, a criança! Por que ela não espera o próximo? Alguém que está na porta tem que descer, se não o ônibus não vai sair. Ninguém quer descer. Tem velha xingando o motorista pelo atraso.
Não vou sair daqui nunca.

0 comentários:

Postar um comentário

Created By Sora Templates