segunda-feira, 9 de junho de 2014

O Brasileiro Pedrês


“A rotina gera o medo de que a rotina seja quebrada. E desse medo surge a mediocridade. Que, por sua vez, mata a imaginação... e as pessoas pensam pensamentos antigos... que geram mais rotina... e assim vamos, encolhendo a capacidade de criar do brasileiro.”- Luciano Pires

Entre as cruzadas da cidade grande, pessoas se trombam sem dizer “bom dia” ou “licença” umas às outras. Elas tem pressa, tem hora para chegar, tem tarefas para cumprir. Os prédios assolam a paisagem com sua sombra devastadora. Olhos desinteressados atravessam as janelas e observam a movimentação natural de uma manhã de terça-feira. A semana só começa na terça: segunda-feira é apenas um aquecimento. Sobre os muros, pichações pedintes de um Brasil melhor, anúncios de emprego e moradia, cartomantes vendendo a esperança do futuro desejado.

Elas tomam seus táxis, ônibus, metrô ou carro próprio e rumam à vida rotineira. Colocam seus fones de ouvido para ignorar as pessoas à sua volta. Outros, na maioria jovens, desrespeitam o bem-estar público com suas músicas prediletas num volume incômodo, entre elas: funk de baixaria e subsertanejos. As vitrines anunciam promoções: parte de seus lucros é engolido pelos impostos, a outra parte é reduzida para poder superar o concorrente.

Uma manifestação desponta no horizonte, pois sempre aparece um novo motivo para protestar. Se não houver motivo, eles inventam. A fórmula é sempre a mesma: é só colocar a culpa em líderes políticos e judiciários. Não há nada que podemos fazer, a culpa será sempre do presidente.

Do outro lado, sedentários com o colesterol lá no alto entram num Mc Donalds para pedir o hambúrguer do dia, sem se preocupar com o atual índice da diabete e obesidade. As crianças se obrigam a frequentar as aulas, de olho no relógio para voltar ao seu Tablet, Smarthphone ou Playstation, não importa: desde que as mantenham quietas, os pais não se importam.


Alguns se encontram no conforto e segurança de seu apartamento no 12º andar, presos às suas televisões de 32 polegadas, assistindo notícias superficiais e sensacionalistas, conformados com o baixo nível da programação e crendo em estatísticas imbecis.

Um homem de 30 anos comparece à entrevista de emprego bem vestido, preparado para pleitear a vaga oferecida. Ele é preguiçoso, trabalha pela necessidade, mas também é ambicioso. Sua busca por resultados rápidos fez dele um malandro, abusando do bom-humor para tirar suas vantagens.

Ele é apenas mais um brasileiro com “jeitinho”, ou seja: com potencial para a resolução criatividade de problemas, mas, ao mesmo tempo, com capacidade engenhosa de agir corruptamente para obter benefícios pessoais.

O brasileiro está perdendo personalidade. Seja na escola, na faculdade, no trabalho, na igreja ou qualquer outra instituição: um conteúdo padronizado que deve ser decorado é despejado sobre a massa. Toneladas de inutilidade que não provocam sua inteligência crítica, sua criatividade, sua opinião própria. O brasileiro está perdendo cor: se misturando entre os outros, seguindo o que a mídia dita sem questionar seus conceitos e fundamentos. Estamos nos afogando e não percebemos.

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