domingo, 2 de fevereiro de 2014

Para a Realização dos Sonhos

 Na minha casa todo mundo precisa contribuir de alguma forma com a renda da família. Seja arcando com as próprias contas, auxiliando no comércio ou pagando alguma conta mensal. De qualquer forma, independente de quanto eu ganho de salário, minhas condições não são favoráveis para que eu possa investir em algum projeto particular. Além disso, preciso priorizar outras coisas na minha vida, como meu estudo e a aquisição dos meus próprios patrimônios, o que não passa de necessidades, afinal, preciso ter uma profissão, aprender uma nova língua, tirar habilitação para dirigir, ter meu próprio carro e etc.
Enfim, não vale a pena investir dinheiro do meu bolso em projetos artísticos, até por que o retorno é muito lento, isso se houver um retorno. Conheço pessoas que se dedicaram à carreira artística, entregando-se a uma rotina maçante de trabalhos árduos para hoje, anos depois, poder colher um pouco dos frutos. Como por exemplo, o meu amigo que é ator profissional e somente depois de cinco anos elaborando projetos e apresentações, conseguiu vencer um concurso e recebeu um prêmio de estímulo para dividir com seu grupo, mas vale citar que durante esse tempo muitos integrantes abandonaram o barco.
E, uma das minhas maiores inspirações, minha professora Sol Gadaq, formada em danças folclóricas com ênfase em Dança do Ventre. A Sol é funcionária pública e professora voluntária de cerca de 100 alunas. Ela vai para São Paulo quase toda semana buscar material para ministrar aulas e tecidos para confeccionar trajes de dança, além de organizar eventos e levar as meninas para festivais e tudo mais. Tudo o que ela pede é a quantia da produção dos trajes e uma contribuição com a apresentação, que é para nosso próprio beneficio, e ainda assim sei que muitas vezes ela cobre os custos completando com dinheiro do próprio bolso, sem falar em todo o tempo que se dedica na aula e fora dela. Se eu pudesse fazer com que alguém reconhecesse todo o esforço dessa mulher! Um trabalho como o dela precisa e merece muito.
Se para projetos grandes, como os citados acima e, para complementar, o jornal laboratorial da minha faculdade, já é difícil conseguir patrocínio, imagine uma jovem como eu conseguir algum apoio. Difícil, mas não impossível. Há muito tempo atrás conheci alguém que me estendeu a mão. Mas eu estava sem foco e não soube aproveitar bem a oportunidade. Penso nessa pessoa todos os dias. Meu namorado me incentiva de todas as formas. Sei que se ele pudesse me daria o mundo, mas não acho justo atrapalhar seus planos pelos meus sonhos.
Opa, estamos falando de sonhos. Mas qual a definição de um sonho? Para mim, sonho é um desejo forte e distante, cuja realização nos faria alcançar os céus devido a tanto empenho dedicado a ele. Para uns, sonho é fazer uma faculdade, ter uma casa própria ou casar. Para outros, é poder entrar na escola, ter um lugar para morar e não ser um deficiente físico. Para mim, é ver meus livros publicados, e fazer da dança mais que um hobbie.
Isso não significa que meu sonho é seguir carreira artística. Mas fazer minha arte ganhar vida. Eu amo escrever, e não há nada mais prazeroso que ter um público leitor. Eu descobri que tenho uma queda forte pelo mundo do Tribal Fusion, que é uma vertente da Dança do Ventre conhecida como Dança Étnico Contemporânea, e não há nada mais prazeroso ter um público para apreciar a minha dança.
Todavia, eu preciso do apoio de pessoas físicas ou jurídicas para realizar meus sonhos. Nem sempre o patrocínio quer dizer investimento financeiro. Muitas vezes o auxílio na produção ou na divulgação ajuda muito mais. Por exemplo, se um anfiteatro disponibilizasse seu espaço gratuitamente para pequenos grupos de dança, teatro e música poderem realizar uma apresentação de qualidade estaria contribuindo para a melhoria do desempenho deste grupo nos palcos, eles estariam se preparando para grandes apresentações. Se recém-formados se unisse para trabalhar em equipe num projeto profissional, estariam ajudando um artista ao mesmo tempo em que desenvolveriam um portfólio para o mercado de trabalho.
Aprendi que o patrocínio nunca deve ser em vão. Pelo contrário, é uma troca: um pode investir, outro pode transmitir conhecimento, como o artista pode retribuir? Na publicação de um livro, já encontrei a solução: eu posso fortalecer a marca através da citação desta. Se uma empresa me patrocina, seu nome sai impresso em todo material impresso ou virtual. Se um profissional oferece seus serviços, seu nome é citado nos agradecimentos e na lista da produção editorial. Se uma pessoa custeia a produção, eu posso dar seu nome para um personagem. Mas e a dança? Como conseguir patrocínio para a dança? E que tipo de retorno eu poderia dar?
É difícil encontrar bons instrutores de Tribal Fusion que sejam acessíveis e não cobrem tão alto. Há um custo para se inscrever em festivais de dança que inclui figurino, transporte e, às vezes, hospedagem. Para publicar um livro com qualidade é preciso investir numa boa editora. Enfim, tudo requer verba.

Não quero ser uma dançarina consagrada, nem penso em grandes produções literárias, afinal meu objeto não é enriquecer e muito menos ganhar fama. Eu quero poder desenvolver meu próprio público, ensinar o que sei para iniciantes, mostrar que a leitura pode ser prazerosa. Eu quero alcançar os pequenos. Assim como eu, sei que tem fotógrafos que gostaria apenas de ter uma câmera profissional, ou músicos que sonham em entrar num escola de qualidade. Quando você sente que seu trabalho está sendo reconhecido de alguma maneira, perde a necessidade de ser “conhecido”. E é nesse momento que o sucesso bate em sua porta.

0 comentários:

Postar um comentário

Created By Sora Templates