quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Acomodados

Versos livres


Ele já não olha nos meus olhos com carinho e paixão. Não procura meus lábios no calor da meia noite. Nem segura minha mão quando caminhamos.

Ele já não se importa com as datas comemorativas. O último presente que me deu foi aquele que eu pedi. Nem fez surpresa.

Nenhum tem gosto de cozinha um para o outro: pedimos comida pronta e pronto. Jantar fora só se for em casa de família.

Meu cachorro me ouve mais do que ele. Por que ainda estamos juntos? Pela casa, talvez? Nem um nem outro tem condições de arcar com as contas sozinho. E quem iria ficar com o cachorro?

Somos dois acomodados, um casal desapaixonado, deixando a vida passar. Não fazemos mais planos para o futuro porque queremos sonhar com o passado.

É tempo de mudanças? Para que, se a rotina nos acolhe? É hora de colocar comida para o cachorro. O dinheiro que está no banco é para pagar boletos.

Se eu pudesse voltar no tempo, corrigiria apenas um momento: aquele em que abri mão de mim pra poder viver com ele e passar os dias assim. Á toa.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Semana de TPM



É quando os sentimentos aprisionados vêm à superfície e se libertam, exibindo uma face que eu tento, em fracasso, ocultar. É quando minha consciência fica menos lunática e mais realista, me obrigando a ver o que eu não queria enxergar. Tipo: eu estou usando palavras bonitas para enfeitar algo imundo.

Ódio, mágoa, rancor, inveja, medo, solidão, desespero, agonia... um misto de energias negativas que me puxam para a depressão, se eu não encontrar uma forma de reagir. Passei um longo tempo sem sofrer com os sintomas da minha tensa companheira, mas aí inventei de trocar minha pílula por uma mais baratinha e eis que ela bate a minha porta e diz “olá!”.

É horrível. Um desejo cruel de autopunição quase que inevitável. E não adianta me mandar ir para a igreja, a última vez que falei com alguém de lá sobre isso me disseram para procurar “ajuda, isso não é normal”. Desenvolvi meus próprios métodos. Dançar, comer chocolate, esconder os cartões de crédito, cancelar compromissos e evitar ver pessoas.

Mas nem sempre é possível assinalar todos os itens dessa listinha. Nesta semana, em especial, tive uma crise de choro ao cortar sem querer uma calça maravilhosa. Chorei horrores por que recebi duas ligações de cobranças na mesma semana. Depois eu chorei por que fui péssima na minha prova de inglês. Senti um ódio tremendo do meu professor que quase me deixou de exame numa disciplina. Fiquei morrendo de inveja de um personagem fraco e burro da animação que estava assistindo por que ele tem um final feliz mesmo depois de ter feito tanta merda. Enfim, são reações imprevisíveis e irracionais que não consigo evitar.

Agora estou sofrendo por uma motivação especial: sinto falta de ter uma amiga. As amigas fizeram parte da minha vida num passado tão distante que nem parece mais que foi real. Hoje eu tenho contatos. Grupos no whatsapp, troca de comentários maravilhosos no facebook e queridas companheiras em diferentes círculos sociais. Mas não tenho ninguém próximo o bastante para me enviar um sms ou postar uma foto comigo e me marcar num comentário no face.

Eu tenho uma família linda que amo de paixão e um namorado maravilhoso, mas não tenho uma amiga. É diferente. Meu namorado me vê de moletom, com o cabelo despenteado e a maquiagem borrada e ainda assim me diz que estou linda. Ele nunca me diria coisas do tipo “você realmente quer que eu perca um dia de trabalho para viajar com você por duas horas para você fazer uma entrevista de emprego que nem é certeza e que, se for, você vai ganhar menos que um salário mínimo só para realizar seu sonho de trabalhar numa revista?”, por que ele me ama.

Ou por que ele já está acostumado com as coisas absurdas que eu faço no dia a dia. Tipo me matricular num curso de inglês que custa o olho da cara, viajar um domingo por mês para passar o dia todo fazendo aula de dança, gastar oitenta reais para ter um tutu dark com várias camadas de tule e administrar quase dez mil reais em crédito sem pirar, mas não ter dinheiro para comprar elásticos pro cabelo. Essas coisas.

Sinto falta de uma amiga e confidente. Alguém com quem eu possa compartilhar minha vida sem receio nem preconceitos. Humm, súbita inspiração para uma lista:

Piores Momentos da Semana

  1. O evento final do meu curso de dança tribal foi maravilhoso, mas fui uma das primeiras a ir embora por que não aguentei o rodízio de fotos que se seguiu. Eu não tinha com quem tirar uma foto.
  2.  Na prova oral de inglês, o professor deixou que fizéssemos uma “preparação” em duplas. Eu havia entendido a atividade errado, mas minha dupla não se importou em me corrigir ou me alertar. Resultado: me senti uma idiota na frente da classe toda.
  3. Enviei um e-mail todo simpático numa tentativa forçada de puxar papo e adotar uma possível correspondente, mas recebi um e-mail curto e direto com frias palavras em resposta.

Se você for reparar, eu peguei carona nessa foto.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Por uma Vida mais Saudável: alimentos orgânicos caem no gosto dos jundiaienses


Reportagem por Melissa Souza apresentada em novembro de 2014 à disciplina de Técnicas de Pesquisa, Reportagem e Entrevista Jornalística, ministrada pela professora Cecília Luedmann, do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Faculdade Campo Limpo Paulista (FACCAMP)


O Brasil está no quinto lugar na Produção Agrícola do mundo, perdendo apenas para a China e o Japão. Todavia, esses dois países contam com um diferencial na plantação: a não utilização de pesticidas e/ou fertilizantes. Segundo um estudo da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), baseado em informações disponibilizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil é o país que mais consome agrotóxico no mundo desde 2008. Só em 2010, foi utilizado mais de 800 milhões de litros nas lavouras brasileiras.

Muito utilizado na agrícola brasileira para exterminar pragas e doenças que causam danos às plantações, o uso de agrotóxicos nos alimentos ainda gera muita dúvida no consumidor. Quando bem utilizado e dentro das quantidades adequadas, ele impede a ação dos seres nocivos, sem estragar os alimentos e causar danos à nossa saúde. Mas, quando ultrapassa a quantidade determinada pela ANVISA, o consumidor corre o risco de contrair três tipos de intoxicação: aguda, subaguda e crônica. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) afirma que o efeito do pesticida depende do principio ativo nele presente. Entre os principais sintomas temos dores de cabeça, dores no estômago, sonolência e problemas hormonais. Num nível mais elevado, a intoxicação crônica pode desengatar paralisias e doenças graves, como o câncer.

Para aumentar sua lucratividade e deixar sua safra imune a pragas, as grandes corporações brasileiras estão fazendo com que o país seja invadido por venenos agrícolas e alimentos transgênicos. A Anvisa já constatou o uso irregular de agrotóxicos nos alimentos produzidos em 15 estados diferentes, prejudicando o meio ambiente e a saúde do cidadão brasileiro. Esses venenos estão presentes na maioria dos alimentos: uma beterraba contém 32% de agrotóxicos, enquanto o tomate possui 33% e o alface 38%. Uma das alternativas para a substituição do uso de agrotóxicos seria as biopesticidas: termo referente a produtos feitos a partir de micro-organismos, substâncias naturais ou derivados de plantas geneticamente modificadas, que realizam o controle de pestes.

Mas qual seria a melhor solução para diminuir a ingestão de agrotóxicos? Conversando com a nutricionista Silmara Toledo Pastori, a melhor opção seria o consumo de alimentos orgânicos, pois são cultivados sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos. Apesar de não serem atrativos nem pelo valor e muito menos pela aparência, os alimentos orgânicos possuem mais vitaminas, carboidratos e sais minerais, além de serem naturalmente saborosos.


Para quem ainda não aderiu à compra de orgânicos, vale usar uma das receitas ensinadas pela Dra Silmara para lavar os alimentos, mas ela adverte que “apenas lavá-los não basta, já que nem todos os resíduos podem ser eliminados ou estão exclusivamente na superfície dos alimentos”, a lavagem serve apenas para diminuir a ingestão de agrotóxicos.

  • Detergente concentrado de casca de limão: descasque 4 limões orgânicos, corte finamente as cascas e misture-as com uma xícara (235 ml) de vodca em uma vasilha. Feche bem o recipiente e reserve por duas semanas. Para usar o detergente, misture duas colheres de sopa da solução e 950 ml de água.
  • Detergente oxigenado: misture 3 xícaras (710 ml) de água filtrada com 1 xícara (235 ml) de água oxigenada e aplique a mistura com um spray, esfregando os alimentos, ou deixe-os de molho. Lave-os antes de comer.
  • Tônico para lavar frutas e vegetais: misture 3 xícaras (710 ml) de água filtrada, 3 colheres de sopa de vinagre branco e 2 colheres de sopa de bicarbonato de sódio e aplique com um spray, esfregando os alimentos, ou deixe-os de molho. Lave-os antes de comer.

Jundiaí Orgânicos

Hortícolas, hortaliças, legumes e frutas, todas fresquinhas, além de produtos industrializados, como bebidas, grãos derivados, molhos, ovos, laticínios, temperos, conservas e outros, podem ser encontrados na Feira Orgânica de Jundiaí, que acontece sempre aos domingos das 7h às 13h, na Praça Enio Lotierzo, entre as avenidas Nove de Julho e Prefeito Luiz Latorre. Além da boa compra, o consumidor pode ser informado sobre os benefícios do alimento e sobre como prepará-lo.


De acordo com o engenheiro agrônomo Sérgio Pompermayer, a Feira Orgânica de Jundiaí é atualmente única entre outras 14 feiras livres e os 19 varejões da cidade por contar exclusivamente com produtores orgânicos. Voltada para os consumidores interessados em melhorar a saúde, a ação tomada pela Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Turismo do município também incentiva este tipo de agricultura entre os produtores.

O produtor Marcelo Zamboli trabalha com o filho na feira orgânica de Jundiaí desde que esta foi inaugurada, há um ano e sete meses. Além disso, mantém uma parceria com diversos sítios e feiras do estado de São Paulo. Segundo ele, os produtos já foram mais caros, consumidos apenas por pessoas da classe A e B, mas hoje está muito mais barato, uma família classe C também pode se alimentar bem: “As hortaliças duram mais, as frutas são mais saborosas e o valor é no máximo 30% mais caro do que as pessoas pagam no mercado, mas por causa de 50 centavos muitos acabam optando por alimentação que não é saudável”.

Com mais de 35 anos de experiência em agriecologia, Marli Ceccato é uma especialista na área, “minha faculdade foi a vida”. O negócio é de família: há muitos anos casou-se com um italiano e juntos começaram a produzir alimentos orgânicos em Jundiaí. A motivação levou-a a dedicar anos de estudo e pesquisa na área, “já viajei o Brasil todo, até participei de congressos!”, diz ela, com um sorriso de orgulho estampado no rosto.

Diversos profissionais já inspecionaram o sítio da família Ceccato para conferir as terras férteis e a pureza do ar: a água utilizada vem de nascentes, o solo é desintoxicado e preparado com recursos naturais para realizar a plantação. Marli explica: “nossa cenoura é 100% natural, enquanto a de mercado é apenas 20%, o restante é química. Eles usam agrotóxicos para tratar a plantação, enquanto nós fazemos todo o trabalho na mão”.

O processo saudável é o mais lento, pois é preciso esperar o tempo da natureza, mas em compensação, numa banca orgânica só se encontra hortaliças da estação. “Um alface leva em torno de 35 a 40 dias entre plantio e colheita, o não orgânico fica pronto em 20 dias, é mais vantajoso para o mercado, mas não é saudável”, alerta Marli.

Além de Marli Ceccato, José Roberto de Paula e Rosimeire Fonte Basso são mais dois dos integrantes da Organização de Controle Social (OCS), uma cooperativa que possibilita a certificação orgânica dos produtores para venda direta. Nomeada de ‘Jundiaí Orgânicos’, a OCS é formada agricultores, técnicos e consumidores, entre eles Ivan Salies Júnior, Felipe Oliveira Magro, Roberto Magieri, Jonathan Ceccato e Luiz Alberto Giassetti. O trabalho do grupo é mostrar aos jundiaienses como os produtos orgânicos beneficiam o meio ambiente do município e a saúde dos moradores pela sua forma de produção. A rotina alterna entre reuniões e visitas a sítios, sempre às segundas-feiras, onde um inspeciona o trabalho do outro. Quem tem interesse em participar da associação, basta entrar em contato com a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Turismo e verificar a data da próxima reunião ou visita.

Do Supermercado para a Mesa

A horta da família fortaleceu o crescimento de Eliza Aramaki, hoje casada e mãe de um menino na faixa dos dez anos, ela mantém a tradição de consumir alimentos orgânicos, “é mais saudável”. Já a jundiaiense Fernanda compra hortaliças orgânicas desde que se tornou mãe, preocupada com a saúde e bem estar do bebê. Mas nem todas as mães tem acesso à essa alimentação mais saudável.

Inaura Ferreira de Souza, popularmente conhecida como “Nina”, é mãe de três meninos – resultado de um casamento de mais de 20 anos – e administra um brechó montado na garagem do sobrado onde vive, em Várzea Paulista. Em entrevista cedida à nossa equipe, disse que sempre fez as despesas da casa na rede de supermercados Russi, com o apoio dos cartões-alimentações que o marido e o filho mais velho recebem como benefícios das empresas onde trabalham.

Neste mesmo supermercado, Nina compra um produto especial para a lavagem de vegetais. “Estou ciente de que lavar minhas frutas e verduras com desinfetante ortifruticulas não é o suficiente para deixá-las mais saudáveis, mas as feiras orgânicas não aceitam vale alimentação”, diz ela, confirmando a realidade da maioria das famílias assalariadas de classe média do Brasil que usufruem dos benefícios que as empresas oferecem para suprir as necessidades da casa.

Por outro lado, Vera Lúcia Lourenço de Souza não abre mão de fazer suas compras nos hortifruti’s do bairro onde mora, em Jundiaí, “acho mais confiável”, afirma. Quando questionada sobre a limpeza dos alimentos, ela disse que usa apenas água corrida, e completa: “geralmente as pessoas usam vinagre ou outro produto para desinfetar os alimentos, mas eu não gosto”.

Divorciada e mãe de um jovem casal, Vera está finalizando uma casa com seu futuro marido depois de cerca de dez anos de relacionamento e promete que dará um futuro melhor e uma vida mais saudável à família. “Claro que, se eu pudesse, daria preferência à alimentos orgânicos, mas é muito difícil encontrar esse tipo de alimento e, quando acha, é muito caro, não tenho condições de comprar”, afirma, com tristeza.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

“Aguirre, a Cólera dos Deuses” - O Desfecho

“Aguirre, a Cólera dos Deuses” é um longa-metragem alemão produzido em 1972 e filmado em locações no Peru e no Rio Amazonas. Considerada uma obra-prima do cinema mundial, este filme marca o início de uma parceria de 15 anos entre o diretor Werner Herzog e o ator Klaus Kinski.

Baseado em fatos históricos, o drama foi inspirado na expedição de conquistadores espanhóis em busca de El Dorado, a lendária cidade de ouro. Todavia, o filme se concentra mais nas teses do diretor Herzog, que procura mostrar os efeitos mentais e emocionais sofridos pelos homens em situações-limite, confrontados com a natureza primitiva e desconhecida.

A proposta deste trabalho é apresentar – por meio de uma narrativa pessoal por escrito – uma possível continuação para o roteiro de “Aguirre, a Cólera dos Deuses”.


O Desfecho

Com o cair da noite, sombria e fria, Aguirre tomou consciência de sua perdição em alto mar, em meio à vastidão da floresta que o cercava ameaçadoramente. De maneira alguma poria firmaria os pés em terra, visto que poderia ser morto por aqueles índios sem civilização alguma. Era o filho do Sol, temendo os céus e os mares.

O lorde delirante se deixou cair na jangada, mas não se permitiu fechar os olhos uma única vez. O cansaço da mente não alcançava o corpo, o que tornava impossível que cochilasse, mesmo que por pouco tempo. Olhos insanos percorriam o espaço e monitoravam cada movimento... Os macacos devolvem o olhar, atentos.

Mais um amanhecer, mas independente da fome que aperta o estômago, a expedição não podia chegar ao fim enquanto não alcançasse o que viera buscar. Apenas ele acreditava na jornada impossível, o véu da cobiça cobrindo seus olhos, o corpo rastejando pela jangada com a ameaça de uma cobra, aguardando mais uma investida das flechas que assolaram seu grupo de guerreiros.

O barco artesanal enfraquece conforme luta contra a forte correnteza do rio Amazonas, algumas partes cedendo à força da natureza. Cabeça erguida, peito estufado, Aguirre não baixa a guarda, mantendo o orgulho e o olhar soberano, até que, por fim, é engolido pelas águas.


Considerações


O clássico drama histórico “Aguirre, a Cólera dos Deuses” narra diversas guerras em um único episódio: a guerra entre diferentes tipos de civilizações, a guerra entre o homem e a natureza e, principalmente, a guerra do homem contra sua própria soberba e ganância, tratando de temas que refletem sobre a importância e eficácia da política, das tradições e da religião. 42 anos se passaram desde a sua produção, todavia vemos que nada mudou.

O que mais surpreende foi a ousadia do diretor em misturar as cenas com a realidade, não sabemos quando os atores estão interpretando e quando estão improvisando, dada às circunstâncias, fora os inúmeros obstáculos que tiveram que lidar durante as filmagens, refletindo o conflito presente no contexto do próprio filme.

Busquei, com minha narrativa, interpretar uma questão filosófica que aborda a humanização do Aguirre, num possível momento posterior às filmagens em que ele toma consciência de si e do vasto mundo que o cerca, absorvido pela natureza.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O Eleito

O mais velho dos quatro filhos de uma nordestina de sangue quente, José Aparecido era de um carisma inestimável: conquistou os professores do primário, as garotas do colegial e ingressou no mercado de trabalho antes mesmo de se formar na faculdade, tamanha era a lábia do sujeito.

Era de se esperar que, apoiado pela popularidade, seguisse carreira política assim que lhe foi concebido a oportunidade. Todavia, ser popular e falar bem não foram o suficiente para ganhar o público na primeira eleição, então lá foi José Aparecido aperfeiçoar-se para a chegada de 2014. 

Fazer pequenas caridades – como entregar uma cesta básica e levar uma criança doente ao médico – era preciso para mostrar solidariedade. Aparições públicas com discursos bem ensaiados e um bom terno era importante para manter a imagem de bom moço. O que falar? Simples: diga o que o povo quer ouvir, independente que a realidade seja outra e nem tudo esteja ao seu alcance.

Por fim, um golpe de sorte: comprar um perfil nas redes sociais com inúmeros seguidores para fazer sua ‘mensagem de luz’ ir longe... Bela noite de resultados, José Aparecido desfila no tablete armado na praça central com uma faixa dourada e brilhante, confeccionada sob medida para sua estatura mediana.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Teste para Estágio

Meu professor de Teorias da Linguagem proporcionou aos alunos de Jornalismo a oportunidade de participar de um processo seletivo para uma vaga de estágio no departamento de comunicação da prefeitura de Jundiaí. O diretor selecionou dois alunos com base num teste prático. Infelizmente, não fui uma das selecionadas, mas já fiquei feliz da vida em ter ficado entre as finalistas. Quem sabe na próxima?

Prefeitura de Jundiaí Realiza Cerimônia de Encerramento da Campanha Outubro Rosa

A distribuição de bexigas premiadas foi o destaque do evento

O evento aconteceu na tarde desta sexta-feira (31) no Paço Municipal e contou com a leitura de três poemas dos funcionários de diferentes secretarias, a distribuição de bexigas premiadas para todas as mulheres presentes e um breve discurso da coordenadora Marisa Campos, do secretário de esportes Cristiano Vecchi e da Dr. Renata, coordenadora do ambulatório da saúde da mulher.

A ação, realizada durante todo o mês de outubro, alcançou seu objetivo de impulsionar a procura pela prevenção do câncer de mama na região de Jundiaí. Somando todas as unidades de saúde, 5.819 pedidos de exames foram feitos entre outubro e novembro deste ano, superando os números da campanha anterior, que chegou a aproximadamente 3.500 pedidos. “Todos trabalharam muito duro para o aumento de pedidos de exames de mamografias”, disse a Dr. Renata.

Para finalizar, as bexigas distribuídas foram estouradas e diversos prêmios foram entregues às pessoas contempladas. Juliana de Oliveira, da Ouvidora do Paço Municipal, foi uma delas. “Essa campanha é muito importante para eu me lembrar de fazer exames regulares”, disse ela, feliz com seu kit de creme corporal. O histórico da família de Juliana conta com diversos casos de câncer: sua avó e sua tia tiveram câncer de mama e a mãe teve câncer de ovário, por isso, apesar de jovem, ela busca se precaver, “tenho 90% de chance de ter câncer”.

“Um cuidado muito fraterno no sentido de cuidar das mulheres foi realizado”, palavras do secretário de esportes, que ressaltou a missão da cidade em seu discurso. “Todas as secretarias se envolveram ativamente para que essa campanha desse certo”. A esperança é de que as mulheres continuem atentas a precaução do câncer de mama, reduzindo consideravelmente o número de casos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Onde está sua esperança?

Um garoto na faixa dos 15 anos foi baleado no ponto de ônibus onde eu estava, aproximadamente às 6h45, nesta terça-feira, dia 7. Tinha muita gente no ponto, esperando o ônibus que, para variar, estava atrasado. Entre essas pessoas, jovens estudantes, trabalhadores, idosos e crianças. Demorou um pouco até que todos se dessem conta do que estava acontecendo para começarem a correr. O rapaz foi pego de surpresa e, para nosso azar, correu na mesma direção que a multidão, mas conforme as balas eram disparadas contra ele, este perdeu a força, até que caiu morto no chão, ao meu lado.

Uma senhora tentou acalmá-lo enquanto corríamos, fiquei impressionada com a sua tranquilidade conforme dizia “calma jovem, calma jovem...”. Olhos assustados, corações a mil, “alguém chama a ambulância”, gritava a senhora. Levou poucos segundos para um homem chegar ao local e reconhecer o irmão. Ajoelhou, gritou e chorou, agonizando.

Tomei consciência de mim. Meu coração estava acelerado, minhas mãos tremiam, a perna ralada ardia, não sabia como reagir, o que fazer. Desastrada como sou, claro que tropecei e caí enquanto corria. Bati a cabeça em algum momento, provavelmente na parede, todavia não me lembro de como fiz essa proeza. Não importa. O que mais dói é a angústia incompreensível que eu estou sentindo.

A funerária só apareceu para retirar o corpo depois das 11 da manhã. A notícia foi publicada em jornais locais na manhã seguinte, com informações mal apuradas. Os policias estão rondando o bairro, mas ainda não chegaram a nenhum suspeito (?).

Gostaria que esse texto fosse mais um dos meus contos, mas infelizmente não é. Também não é a primeira vez que presencio alguém segurando uma arma. Não é a primeira vez que vejo alguém ser cruelmente baleado. E não estou falando de televisão. Nunca vou me esquecer da semana traumatizante que passei na casa de uma tia, em Guarulhos, quando eu tinha 9 anos. Além disso, não morei nos melhores bairros da cidade, se é que me entendem. Independente disso, posso afirmar que corremos riscos todos os dias.

Se fosse você que estivesse lá, como teria reagido? Eu poderia ter tomado o ônibus, como muitos fizeram, assim que ele chegou, mas não conseguiria retomar a rotina com essa normalidade. Eu poderia ter tirado uma foto e tentado falar com as pessoas do local para escrever uma matéria para o jornal da faculdade, mas senti que isso seria muito indelicado, não tenho essa frieza para atuar com jornalismo policial. Quando os tiros começaram a ser disparados, minha vontade era deitar no chão e colocar as mãos sobre os ouvidos, mas como todo mundo correu, resolvi fazer o mesmo. O que seria mais sensato?

Cessado o tumulto maior, fiz o que qualquer jovem da minha idade faria se se sentisse amedrontada e confusa: liguei para minha mãe.

“Mãe...”, falei e pausei, assustada com o tremor na minha voz.
“O que aconteceu?”, questionou, já alerta.
“Eu estava no ponto de ônibus e um cara chegou atirando.”, só então permiti que uma lágrima escapasse pelo canto do olho.
“Meu Deus... Vem pra casa agora!”
“Tá”, respondi e obedeci, recuperei a calma e caminhei para casa sem olhar para trás.

Eu senti uma necessidade imensa de falar com alguém. Pedi pro meu irmão tomar cuidado quando saísse para pegar o ônibus para o trabalho. Avisei meu namorado que não iria para o curso naquele dia. Enviei um sms para meu pai, agradecendo suas orações. Liguei para a escola para perguntar em que horário poderia remarcar a aula. Enviei um e-mail para o professor responsável pelo jornal da faculdade. E, por fim, escrevi esse post.

Ainda naquele dia eu teria uma apresentação de Dança do Ventre na faculdade Pitágoras, representando o Studio de Dança Vanessa Tâmega, onde dou aulas regulares. Perguntei-me se deveria cancelar, ligar para ela e dizer que não estava legal. Como poderia subir no palco, dançar e sorrir depois de ter presenciado um assassinato? Mas me dei conta de que não queria cancelar. De início, senti-me um pouco desumana em não querer cancelar.

A verdade é que, independente de quem fosse a pessoa que atirou e o que o rapaz tivesse feito para morrer daquele modo, não pude deixar de pensar que, se ambos tivemos recebido uma instrução acadêmica, espiritual e cultural talvez essa tragédia pudesse ter sido evitada. Não estou falando de base familiar, nível de escolaridade, classe social. Nossos jovens estão perdidos, sem distinção.

Não importa quantos traumas passamos, o lugar onde crescemos, se temos poder aquisitivo ou não, se seguimos uma religião: todos precisam de uma forma de vazão, uma maneira de externizar as frustrações, a raiva, a mágoa, a solidão e tudo aquilo que a vida nos traz. Eu quero fazer alguma coisa para ajudar. Eu quero que as pessoas se conscientizem de alguma forma.

Por isso, não cancelei minha apresentação, por que naquele palco (na verdade foi no chão) é onde eu desejava estar: expressando sentimentos em forma de movimentos num festival cujo público eram jovens estudantes que buscam uma orientação acadêmica e cultural. Buscam motivação.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Bastidores de uma Reportagem Policial


Mais do que falar de um caso policial, o papel do jornalista é contar uma história, traduzindo as informações apuradas para passar uma mensagem clara ao telespectador - Lívia Zuccaro
A reportagem policial é uma novela da vida real: essa frase sintetiza o discurso de Lívia Zuccaro, repórter do programa jornalístico Tá na Tela, apresentado por Luiz Bacci na TV Bandeirantes. A palestra – realizada em parceria com seu diretor, Murilo Cassio – abriu a 12ª Semana de Comunicação da FACCAMP (Faculdade de Campo Limpo Paulista) iniciada na última quarta-feira (24).

O discurso de Lívia teve foco no desempenho do repórter. Conforme suas palavras: mais do que falar de um caso policial, o papel do jornalista é contar uma história, traduzindo as informações apuradas para passar uma mensagem clara ao telespectador. Normalmente, o cinegrafista acompanha o repórter com um plano de filmagem conhecido como Plano Sequência, que nada mais é do que um modo dinâmico de reconstruir a cena enquanto os fatos são narrados. Esse estilo de linguagem – utilizado popularmente entre os repórteres atuais – evoluiu e se modificou conforme a necessidade do público.

Lívia também frisou a importância de uma boa apuração: “hoje em dia, só a palavra do policial não basta, é preciso ouvir todos os envolvidos, inclusive a vítima e, principalmente o suspeito/acusado, nem que seja para ele negar um crime – apesar de todas as provas”. Além disso, tem que ter estômago forte na hora de visitar o local do crime, “muitas vezes você vê coisas que não pode ser exibido na televisão”, disse ela. 

Mas Lívia afirma que, apesar de todo o trabalho árduo, a maior dificuldade em produzir uma reportagem policial está em usar as palavras certas para convencer alguém que está sofrendo a dar uma entrevista, pois essa atitude envolve uma série de questões éticas e morais, principalmente com relação ao lado humano que todos temos em comum: a empatia para com os demais.

Complementando seu discurso, Murilo Cassio contou-nos sobre toda a sua trajetória profissional e os principais desafios que teve que encarar em sua jornada para chegar onde está: como diretor de um programa que promete inovar o jeito de se fazer jornalismo na TV; sempre enfatizando uma importante lição que deixou para os futuros formandos: fazer bons contatos e saber aproveitar as oportunidades. Para ilustrar o que disse, ele usou a citação de um de seus educadores: “a partir do momento que você arrumar o primeiro emprego, pode rasgar seu diploma porque não vai mais importar o que você fez na faculdade”.

O conteúdo desta semana de atividades também contou com oficinas publicitárias para os alunos de Publicidade e Propaganda e mais palestras voltadas para os alunos de Jornalismo e Rádio e TV tendo como tema os bastidores de um programa de televisão e a produção de um livro biografia, além da exposição dos trabalhos dos discentes de comunicação e o lançamento do livroA Trajetória do Jornalista Gerson de Souza”.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Exposição de Trabalhos da Turma de Engenharia Civil na 12ª Semana de Cursos da FACCAMP (Faculdade Campo Limpo Paulista)

A Evolução da Casa do Homem
(muuuito criativo)

A Influência do Homem Branco nas Tribos Indígenas
(adorei os bonequinhos!)

Casa de Pau a Pique
(surgiu da necessidade de abrigar os escravos.
Minha mãe morou numa dessas quando criança, lá no Pernambuco)
Projeto Arquitetônico: Rodovia

Projeto Arquitetônico Sustentável: Canalização de Água e Reserva de Energia
(lembra muito minhas casinhas do The Sims =P)

Projeto Arquitetônico Sustentável: Casa Container
(meu namorado pira =P)

Projeto Arquitetônico Sustentável: Teto Solar
(fofa!)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Desejo Suicida


Já é nove horas da manhã. Quando o primeiro raio de luz entrou pela fresta entre as cortinas, me atingindo em cheio no olho direito, eu acordei. Não era nem seis horas da manhã. Me recusei a levantar da cama, me obriguei a voltar para meu sono. Ainda que estivesse tendo pesadelos, os pesadelos eram mais reconfortantes que lidar com a vida real.

Quero morrer, quero morrer, quero morrer. Deus, por favor, não permita que a depressão me consuma novamente. Esse sentimento é horrível. Sinto repulsa das pessoas, do mundo, de tudo. Quero ser engolida pela minha cama e esquecer que existe um mundo real lá fora. Quero dormir e não acordar nunca mais.

Detesto ter que levantar todos os dias pela manhã. Preferia me refugiar num lugar sem contato imundo-humano. Deus, por favor, não permita que eu desaponte mais ninguém. Quero sofrer sozinha, já me basta sentir esse desapontamento para comigo. Não quero ter de encarar os olhos frios dos outros. Ninguém merece minha presença.

Eu sei que não mereço uma segunda chance. Eu não quero tentar de novo. Para que? Para perder novamente e ficar me sentindo lixo? A vida é um rodízio de frustrações, com breves momentos de superação que denominamos felicidade. O que é a felicidade, se não um instante de contentamento? Para existir alegria, tem que haver primeiro o sofrimento. Para que haja a vitória, tem que existir as perdas e fracassos.

Eu me sinto derrotada. Não quero passar por isso de novo: sofrer uma grande decepção para então ter uma breve alegria. Não quero viver com essa dor. Não quero viver. Deus, por favor, eu não quero mais viver...

By Natasha

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Relato Pessoal

A faculdade deu início a um projeto muito legal para o curso de Comunicação Social, “A Cultura vai até Maomé”. A ideia é trazer uma atividade cultural diferente todo mês e promover debates sobre o assunto, estimulando a curiosidade, interatividade e tudo mais. Já tivemos duas atividades: a primeira foi uma peça de teatro pós-dramático e a segunda uma série de vídeos e clips sobre cultura e educação.

Este último mexeu muito comigo. Por que trouxe lembranças dolorosas da minha infância e juventude. Construí um relato pessoal como relatório da atividade, mas não posso entregar esse texto ao meu professor. Então resolvi publicar aqui.

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Meus pais se divorciaram quando eu estava com cerca de 4 anos de idade. Minha mãe foi trabalhar e fazer terapia em São Paulo, enquanto eu e meu irmão, um ano mais velho que eu, ficamos morando com meu pai, em Minas Gerais. Ele trabalhava direto, então minha avó e minha tia sugeriram que fossemos colocamos numa creche. Foram apenas 9 meses, tempo que a minha mãe levou para descobrir e se mudar para Minas Gerais para nos “resgatar”, mas esse período deixou grandes traumas.

Eu já estava abalada com o distanciamento da minha mãe, minha avó e minha tia não cooperavam, pois viviam maldizendo-a, insinuando que ela havia nos abandonado e outras coisas maldosas, e minha professora não era nada paciente: ela agredia os alunos por qualquer motivo. Fui vítima dos seus tapas, beliscões e puxões de cabelo muitas vezes e por motivos que não justificavam a violência.

A creche adotava um regime de autoritarismo e repressão. Tínhamos que seguir um sistema maçante de atividades, banho, merenda, parque, soneca. Eu não conseguia dormir a tarde, mas era obrigada a ficar com os olhos fechados se não quisesse levar bronca e ficar de castigo. Só podíamos ir para o parque depois de comer a merenda. Eu não sentia apetite para comer, então eu não brincava.

O problema era que ninguém conversava comigo para saber o que estava acontecendo. Minha mãe foi a única que percebeu que havia algo errado e imediatamente nos tirou da creche. Ela teve um trabalho árduo para me tirar da depressão. Eu estava arredia, vivia alerta e com medo. Fazer-me comer e falar eram tarefas impossíveis: tudo que eu comia, vomitava mais tarde e se me obrigassem a falar começava a chorar, em pânico.

No ano seguinte, aos 6 anos de idade, eu iria entrar para a primeira série. Tive um ataque de choro, desesperada com a ideia de me ver num ambiente escolar novamente. Minha mãe precisou me acompanhar e ficar presente durante as primeiras aulas até eu me sentir segura. Mas o papel da professora foi fundamental nesse processo de adaptação: ela me acolheu. Isabel era doce, incentivava a criatividade e estimulada a sociabilidade. Ela me levava para fora da sala de aula e conversava comigo sempre que eu me comportava de forma estranha. Então eu me apaixonei pela escola e, principalmente, por estudar. Chegava a ficar triste nos períodos de férias.

Com este relato pessoal quero mostrar como o educador e a família tem um papel social fundamental para a construção do indivíduo, seja positiva ou negativamente.

Meu irmão enfrentou problemas diferentes dos meus: ele era muito sociável, ativo e extrovertido. Mas apresentou grandes dificuldades para participar das aulas e acompanhar os colegas de classe durante o Ensino Médio. Isso por que ele possui um perfil sinestésico e visual, ele necessita de movimento e conteúdo multimídia para se manter atento. Ficar sentado, calado, lendo, ouvindo um professor falar é impossível para ele. Distraía-se fácil durante as aulas e os professores reclamavam de mau comportamento. Não demorou muito para que suas notas caíssem muito, colocando-o em risco de repetir a série. Terminado o Ensino Médio, ele simplesmente não quer mais saber de estudar. Abomina a ideia de entrar num curso técnico, numa faculdade ou até mesmo num curso livre. E isso me deixa muito triste, por que eu conheço a sua capacidade, mas ele não acredita no seu potencial, e não sei o que fazer para ajudá-lo.

Quanto à presença das atividades culturais em nossas vidas, na minha opinião, o interesse varia de pessoa para pessoa, independente de seu acesso ou classe social. Meu pai sempre me levou em programas culturais gratuitos do município e tanto ele quanto minha mãe incentivaram a leitura. Não fomos reprimidos para brincar, pelo contrário, minha mãe sempre incentivou a prática de atividades físicas, mas também o conhecimento das tecnologias modernas, como videogames e computadores. Ela estudou apenas até a quarta série, mas sempre acompanhou veículos de comunicação e informação. Meu pai tem 54 anos e sempre busca se atualizar, seja aprendendo a usar um smartphone ou ser ativo nas redes sociais.

A lição mais importante que me deram no momento em que escolhi minha profissão foi: comunicador social tem que entender de cultura popular. Não gosto de assistir televisão, das músicas atuais ou mesmo das tendências de moda e não sigo a doutrina de nenhuma igreja, mas compreendo e respeito todos os gostos, estilos e opiniões, pois sei que isso contribui com a nossa riqueza cultural, social e intelectual.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Rotina nos ônibus públicos

Durante os últimos dias, resolvi escrever a situação social do ônibus em que me encontrava, o qual enviava por mensagem de texto para meu namorado. Onde moro, depender de transporte público não é nada agradável, principalmente nos horários de pico...


29/08 (sexta-feira): 18h38 - indo para o ensaio de Dança do Ventre

Depois de quase quarenta minutos esperando no ponto, consegui pegar o bendito do ônibus. População: um evangélico de terno e ar superior, olhando a sua volta com desprezo explícito; um garoto na faixa dos 23 anos, mal arrumado, provavelmente operário, com a pele manchada pelo sol e os olhos fundos, com olheiras profundas e avermelhados, de tanto fumar maconha; um motorista mal humorado, estressado com a rotina de trabalho; e uma velha louca gritando palavrão no fundo do ônibus. Na verdade, ela está discutindo com o marido, mas só dá pra ouvir a voz dela. O pior é que tem crianças no ônibus, não me sinto à vontade com elas ouvindo aquele porre de besteiras.

30/08 (sábado): 9h23 – indo para a aula de Dança do Ventre

População do ônibus matinal de sabadão:
  • Um homem que me parece ser “cristão” nega um pedaço de coxinha para um cachorrinho faminto e ainda joga o papel no chão antes de entrarmos no ônibus. Se ele trata assim os animais e o meio ambiente, que dirá sua família, seus colegas de trabalho. Deus tenha piedade da sua alma, por que eu não tenho nenhuma.
  • Um cara alto e “grande” segura no cano de baixo ao invés de segurar no de cima para dar lugar aos menos favorecidos na altura. E ainda fica com as pernas beeem abertas para ocupar mais espaço. Pisei no seu pé e bati em seu joelho algumas vezes propositalmente durante o caminho, mas ainda assim ele não se tocou. Uma senhora está encolhida ao seu lado, fazendo todo o esforço do mundo para esticar o braço e segurar num pedacinho do cano.
  • Uma rockeira segue adiante com seu projeto de vida de ficar surda antes dos 30, já que ela ouve músico no fone de ouvido com o volume no máximo. Pelo menos ela está ouvindo música no fone de ouvido. Ainda assim, sinto uma necessidade horrível de fazer algo para salvar seus tímpanos.
  • Quase fui estuprada por uma bolsa. Uma garota baixinha com uma dessas bolsas transversal que fica na altura da cintura viajou atrás de mim, e sempre que o ônibus balançava sua bolsa batia com força em minha bunda. Tive que ficar meio de lado para amenizar o desconforto, já que ela não pretendia fazer nada que mudasse aquela situação.

02/09 (segunda-feira): 10h26 – indo para o centro procurar emprego.

Saindo de casa. Os ônibus atrasaram, o primeiro que apareceu está sofrendo por que todo mundo quer entrar nele, sendo que tem mais dois para descer. - Aqui passa uns quatro ônibus: um de Várzea Paulista, um para o centro de Jundiaí via marginal, um para o centro de Jundiaí via Várzea Paulista e um para Campo Limpo Paulista. Eu tenho que ir para o centro, mas o marginal só passa umas meio-dia, então tenho que ir nesse mesmo. Mas muitos aqui vai descer em Várzea Paulista, eles podiam esperar o próximo. -
Deu superlotação, não ta dando pra fechar a porta. Tem mãe irresponsável aqui dentro, asfixiando a coitada da criança. Deus, a criança! Por que ela não espera o próximo? Alguém que está na porta tem que descer, se não o ônibus não vai sair. Ninguém quer descer. Tem velha xingando o motorista pelo atraso.
Não vou sair daqui nunca.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Novas Resoluções

Finalmente, me matriculei num curso de inglês. Um grande intensivo que promete me tornar bilíngue em menos de dois anos, e assim espero, pois meu presente de graduação será uma viagem bacana. Além disso, começo meus estudos em Tribal Fusion no próximo mês, uma dança étnica contemporânea cujas aulas serão ministrada por Joline Andrade, bailarina reconhecida na área. Estou com os horários apertados para frequentar minhas aulas de dança do ventre, mas em compensação comecei a dar aulas para iniciantes no Studio de Dança Vanessa Tâmega, no Medeiros em Jundiaí.

Infelizmente, em meio a tudo isso, fui dispensada do meu estágio depois de nove meses de trabalho. É muito triste deixar um emprego quando você gosta dele. Lembro-me de como fiquei de cama quando saí da Monalisa, meu primeiro emprego. Desta vez, fui surpreendida: não esperava ser mandada embora. Eu já sabia que não havia chances de ser efetivada, mas esperava ficar pelo menos um ano no serviço. De qualquer forma, sei que não fui a funcionária que desejavam, sociável e tal.

Meu irmão diz que sou chata, meu namorado fala que apenas penso diferente da maioria, mas acho que sou meio antissocial mesmo. Tenho uma dificuldade enorme de desenvolver relacionamentos e não posso dizer que criei laços afetivos no trabalho, nem na faculdade, aliás. Muitas vezes confundem minha timidez com nariz empinado ou grosseria.

Não gosto de despedidas, mas gosto de escrever, acho que me expresso melhor. Fazer uma carta seria muito intimo, pensei em deixar um recado no grupo do facebook, mas não admitiram tantas palavras assim, né? Então fiz esse post. Passei mais tempo com as meninas, então nada mais justo que fazer um depo decente para elas. Baixei a demo do Criar um Sim de The Sims 4, e ainda estou aprendendo a lidar com a nova ferramenta, mas mesmo assim tentei reproduzir elas. Não ficou nada a ver, claro.

(clique na imagem para ver em tamanho original e conferir os traços de personalidade)

Camila, adorei trabalhar com você. Confesso que, a primeira vista, achei que fosse uma menina mandona e esnobe, mas ela não é nada disso, pelo contrário, é uma mulher madura e um doce de pessoa, admiro seu esforço e paciência.

Damaris, sua louca, você é demais. Adoro o modo como extravasa no trabalho e lida com os pepinos. Ela tem muitas responsabilidades, mas administra tudo muito bem, e isso me surpreende.

Fabi, valeu pelo apoio. Deveria considerar a ideia de trabalhar com marketing futuramente, ela é ótima com estratégias comerciais e a maneira como administrou seu brechó online foi genial, apesar de tê-la deixado esgotada.

Marcelo, por que você ainda não entrou num desses cursos de culinária e criou um vlog? Fico doida de vontade de comer as delícias que ele posta nas redes sociais =P
Chefes, vocês formam um par perfeito para administrar uma empresa. A Swamy cuida da parte burocrática e fica com a fama de (chefe) mau, mas como pessoa ela é muito legal. E tem um blog mor maneiro sobre viagens.

Fiquei triste por meu desempenho não ter sido satisfatório, até por que eu realmente gostava do meu trabalho =/

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Como presentinho, quem quiser um exemplar do meu livro é só pedir que darei de cortesia (quer apostar que ninguém vai querer?). E convido todas para uma aula experimental de Dança do Ventre para vocês relaxarem um pouquinho ;) Hahaha!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Projetos Fotográficos para o Instagram

Já era hora de eu fazer ter um instagram! Amo fotos, mas não sou muito de fazer selfies. Gosto de fotografar coisas e lugares, não de ser fotografa, entendem? Mas me identifiquei muito com um projeto fotográfico que está rolando na rede, e ele me motivou a "ativar" meu insta. Estou acompanhando alguns perfis criativos, como a blogueira do Faltou Açúcar, que indico totalmente.

A proposta é, por 100 dias, encontrar algo que te faz feliz, fotografar e postar em uma rede social (Instagram, Twitter, Facebook ou Tumblr) com a hashtag #100happydays. É um incentivo para encontrarmos coisas que nos fazem feliz e aprendermos a valorizar mais as pequenas coisas do dia-a-dia que nos fazem não surtar <3 Fonte: Faltou Açúcar

Além deste, também estou participando do manifesto Amo Quando, insta que derivou da fanpage Não Aguento Quando, que sigo há anos e adoro. Depois que conheci a proposta, me arrependo amargamente de não ter feito meu instagram antes. Toda semana eles lançam um desafio para você fotografar e postar com a tag #amoquando. A ideia é dizer não o preconceito e sim à vida e ao amor próprio.

Os “Não Aguento Quando” das nossas vidas só parecem crescer a cada dia. É por isso que o perfil do NAQ no Instagram vai ser dedicado à celebração das coisas lindas a nossa volta, que nos inspiram a continuar na luta diária contra o machismo! É com muito prazer que apresentamos nosso manifesto de otimismo e esperança: #amoquando

E, por último, tem o Festival Gastronômico Sabores de Jundiaí, que está em sua segunda edição neste ano. Achei a ideia muuuito legal, até por que eu e meu namorado adoramos conhecer coisas novas e temos o hábito de sairmos para comer. Recebemos um passaporte onde, cada prato que provarmos ganhamos um carimbo. Ao recebermos pelo menos 6 carimbos, ganhamos copos personalizados! Não estamos fazendo isso tanto pelo prêmio, mas pela emoção de participar do concurso.

Cada um dos 50 estabelecimentos participantes foi responsável pelo desenvolvimento de um prato para integrar o menu do evento. Os pratos foram nomeados com alguma referência histórica, cultural ou artística à Jundiaí. #SaboresdeJundiaí

Se você quiser acompanhar as fotenhas em tempo real, me segue aqui: @melissasouzaart 




quarta-feira, 30 de julho de 2014

Relatório de Leitura das Férias

Enfim, minhas férias estão chegando ao fim. Mentira. Peguei apenas 15 dias de férias do meu estágio, mas as minhas aulas retornam somente na segunda quinzena de agosto, imagino. De qualquer forma, pretendo começar a tirar a minha habilitação para dirigir – ainda não desisti de começar! rs – e não vou me surpreender se ficar mega exausta. Terei que tomar uma multivitamina e comer barrinhas de cereais todos os dias para não desmaiar por aí.

Quanto ao meu relatório de leitura, tenho que dizer que não li o quanto desejava, afinal me apeguei a certos autores e tenho dificuldade para encontrar novos que me agradam. Todavia, confesso que me surpreendi com algumas boas surpresas! Segue a lista: li os livros exatamente nesta ordem. Tirei um print da minha avaliação no skoob pra vocês verem.

Os Adoráveis

Jeane é blogueira. Seu blog, o Adorkable, é um blog de estilo de vida — na verdade, o estilo de vida dela — e já ganhou até prêmios na categoria “Melhor Blog sobre Estilo de Vida” pelo e Guardian e um Bloggie Award. Adora balas Haribo, moda (a que ela cria, comprando em brechós) e colorir (ou descolorir totalmente) os cabelos. Cheia de personalidade e meio volúvel, ainda assim Jeane é bacana — mesmo nos momentos em que se transforma numa insuportável. Mas, certamente, ela não olharia duas vezes para Michael. Porque Michael é o oposto de Jeane. Ele é o tipo de cara que namoraria a garota mais bonita da escola. E compra suas roupas na Hollister, na Jack Wills e na Abercrombie. Além disso, diferente de Jeane, que é autossuficiente, Michael é completamente dependente do pai, o Clínico Geral que condena açúcar, e ainda permite que sua mãe compre suas roupas! (Embora, para Jeane, o pior mesmo sobre Michael é que ele baixa música da internet e nunca paga por isso). Jeane e Michael têm pouco em comum, além de algumas aulas e uma maçante dupla de “ex” — Scarlett e Barney. Mas, apesar disso, eles não conseguem se desgrudar desde que ¬ ficaram pela primeira vez.
Os Adoráveis - Eles não têm medo de ser quem são... - Sarra Manning
Adorkable foi uma adorável surpresa, tanto que me senti inspirada a fazer um post sobre o livro e a persona: confira aqui. Entrou para minha lista de favoritos, claro! As 4 estrelinhas foi por que faltou fechar a história com chave de ouro, achei que o final ficou meio clichê.

A Caça de Harry Winston

Emmy estava a dois passos do casamento perfeito quando seu namorado a trocou pela personal trainer. Leigh é considerada o novo talento na editora onde trabalha, mas sua vida amorosa não anda tão bem quanto pensava. A brasileira Adriana odeia a palavra compromisso. Para ela, quanto mais homens melhor. As três amigas decidem fazer um grande pacto: mudar radicalmente suas vidas em um ano. Será que elas vão conseguir?
À Caça de Harry Winston - Lauren Weisberger

Apesar de ter citado o desastre de leitura de O Diabo Veste Prada neste post aqui, resolvi dar mais uma chance para a autora e... me surpreendi! A Caça de Harry Winston é uma ótima comédia romântica. Mas, mais uma vez, faltou fechar a história com chave de ouro. Parece que a autora terminou às pressas por que já tinha dado a quantidade de páginas ideal. Tipo, o ritmo da história muda totalmente no final.

Todo mundo que vale a pena conhecer

O delicioso "O Diabo Veste Prada", com suas alfinetadas no mundinho das revistas de moda, tornou-se best seller no mundo todo. Em seu segundo romance, "Todo Mundo que Vale a Pena Conhecer", Lauren Weisberger volta com mais uma saborosa sátira, mirando o restrito universo das festas mais badaladas de Nova York.
Bette Robinson só anda apressada pelas ruas de Manhattan, correndo pra baixo e pra cima, em seu emprego "semi-escravidão" no banco UBS. Ela já está cansada das 80 (!) horas de trabalho semanais, do cubículo claustrofóbico e das detestáveis frases-do-dia de seu igualmente detestável chefe. Aos 27 anos, a impulsiva Bette tem a certeza de que não vai sentir saudades do emprego. Ela decide se arriscar: simplesmente pede demissão, diz adeus e bye- bye.
Graças a um tio colunista social, Bette conhece a diretora da Kelly & Company, a agência de RP e Eventos mais bacana de Nova York. De uma hora para outra, ela tem um emprego novinho em folha, cuja principal exigência é ver e ser vista. As novas responsabilidades de Bette passam a ser - morra de inveja! - freqüentar as boates mais descoladas de Nova York e organizar as festas mais concorridas, de preferência as que atraiam celebridades como Jerry Seinfeld, Jay-Z e James Gandolfini.

Todo mundo que vale a pena conhecer - Lauren Weisberger
Além de pular muitos parágrafos onde nada acontecia (a Lauren é extremamente detalhista), fiquei um tanto desapontada com o final. Esperava muito mais da autora e, conheço seus outros livros, sei que ela tinha potencial de fazer algo melhor. De resto, o contexto é ótimo e as personas também! Fiquei super envolvida com a trama e tudo mais.

Toda Sua

Eva Tramell tem 24 anos e acaba de conseguir um emprego em uma das maiores agências de publicidade dos Estados Unidos. Tudo parece correr de acordo com o plano, até que ela conhece o jovem bilionário Gideon Cross, o homem mais sexy que ela - e provavelmente qualquer outra pessoa - já viu. Gideon imediatamente se interessa por Eva, que faz tudo o que pode para resistir à tentação. Mas ele é lindo, forte, rico, bem-sucedido, poderoso e sempre consegue o que quer - Eva acaba se entregando. Uma relação intensa começa. O sexo é considerado por eles como incrível. Capaz de levar os dois a extremos a que jamais tinham chegado. E, então, eles se apaixonam - o que pode ser tanto a chave para um futuro feliz quanto a faísca que trará de volta os traumas do passado.
Toda Sua - Crossfire - Livro 01 - Sylvia Day
Peguei o livro apenas por causa das ótimas resenhas sobre ele. Mas simplesmente me neguei a lê-lo depois da contra-capa, orelhas e agradecimentos (meu ritual de leitura), devido às inúmeras referências a Cinquenta Tons de Cinza. Não me importa se Sylvia desenvolvei melhor a história e os personagens e as cenas picantes, se a ideia original partiu da cabeça de L.J. James, então ela merece todo o crédito, e todo o resto não passa de uma cópia. Me recuso a ler cópias. Afinal, não ia gostar nada se alguém copiasse uma das minhas ideias mas escrevesse uma versão melhor delas.

Morte Súbita

Quando Barry FairBrother morre inesperadamente aos quarenta e poucos anos, a pequena cidade de Pagford fica em estado de choque.
A aparência idílica do vilarejo, com uma praça de paralelepípedos e uma antiga abadia, esconde uma guerra.
Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com os maridos, professores em guerra com os alunos… Pagford não é o que parece ser à primeira vista.
A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas? Com muito humor negro, instigante e constantemente surpreendente, Morte Súbita é o primeiro livro para adultos de J.K. Rowling, autora de mais de 450 milhões de exemplares vendidos.
Morte Súbita - J. K. Rowling
Morte Súbita é um ótimo livro de suspense que veio para provar que J.K. Rowling não é apenas a autora de Harry Potter. Mas, infelizmente, não faz meu gênero. Meu negócio é romances, histórias juvenis e histórias místicas. Mas, lá no fundo, confesso que adoraria ler mais sobre o Harry e garanto que muitos outros fãs também. Pottermore foi um jeito de suprir este desejo, mas nada seria melhor que novos livros de J.K.Rowling. Ela poderia escrever, por exemplo, um livro sobre a Hermione e sua família, quando descobriram que ela é bruxa e sua infância e tal. Eu ia pirar!

O Diamante

Cinco personagens, separados pelo tempo e aparentemente sem conexão entre si, contam a história da paixão das mulheres pelo diamante aliás, não só das mulheres! Revezando-se em uma ciranda de acontecimentos divertidos, infelizes, revoltantes ou surpreendentes, a extraordinária Frances Gerety que existiu de verdade e outros indivíduos muito especiais mostram que a história de uma sociedade é construída por meio das relações humanas, na intimidade dos lares. As transformações do mundo moderno nem sempre conseguem abalar aquilo em que se acredita com todo o coração mas as decepções com aqueles que amamos... essas podem mudar as nossas opiniões. Um livro diferente, que fala das muitas formas de viver o amor e que deixa no ar uma pergunta: os casamentos são mesmo feitos para durar?
O Diamante - J. Courtney Sullivan
Este livro me deixou meio estressada. Considerando que as histórias se passam no século passado, me revoltava a cada página com a personalidade e o comportamento das mulheres da época: machistas, submissas e preconceituosas. E pensar que ainda hoje tem pessoas com a mentalidade atrasada.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Reecontro

Com seu ar imperioso, ele adentrou a sala. Logo, o cheiro de Dove invadiu os ares, me deixando meio tonta. Não imaginava que fosse me sentir assim: tão vulnerável. Mais de um ano se passara desde que saímos juntos pela última vez, mas ele ainda mexia comigo daquele jeito. Quase desmanchei-me em meu assento quando abriu o seu melhor sorriso para a turma.

- Bom dia a todos. Disse ele, formal como sempre.

Homens de terno e gravata eram extremamente sexys, a meu ver. Ele usava um conjunto azul escuro, quase preto, que contrastava com sua pele clara e os cabelos negros. Estava lindo. E, mais do que nunca, arrogante. Certamente, o novo emprego estava lhe fazendo bem.

Claro que não contava que a empresa que ele agora gerenciava fosse uma das principais clientes da empresa onde eu trabalhava há três anos. Nunca havia lhe dito o nome da multinacional que me contrara, muito menos que fora promovida em menos de um ano, entrando para a equipe de marketing. Isto significava que teríamos contato direto a partir dali. Nos encontraríamos muitas vezes. Oh, Deus, nos encontraríamos muitas vezes!

- Meus cumprimentos. É um prazer vê-lo novamente. – tentei soar o mais profissional possível ao apertar sua mão, mas havia me entregado.

Quando um sorrisinho de sarcasmo lhe escapara pelo canto dos lábios percebi que era tarde demais: ele lêra nas entrelinhas. Naquele momento ele soube que eu ainda estava apaixonada, que eu sentia saudades do canto da cotovia e, pior: que eu estava em suas mãos.

Deus me perdoe, mas o amor deveria ser classificado como um pecado. Estava muito bem casada, satisfeita com meu relacionamento, não podia permitir que um sentimento me condenasse.

Todos começam a ser felizes quando entendem que é preciso buscar companheirismo num relacionamento, e não amor, por que o amor é traiçoeiro. Quando estamos apaixonados ficamos escravos deste sentimento.

Eu tinha medo de me envolver com alguém por quem estivesse apaixonada. Afinal, como poderia me sentir segura num relacionamento se quando estou apaixonada não posso confiar nem em mim? O amor é traiçoeiro. Não confie no amor.

Desviei meus olhos dos seus, mal suportando a pressão pairando sobre mim. Não podia permitir que o trem saísse dos trilhos novamente. Já havia sido perdoada uma vez, e estava claro que não receberia uma segunda chance. Largar tudo por um sentimento era viver uma ilusão, e ilusões deveriam ser trancadas a sete chaves.

Levantei-me discretamente ao fim da reunião, cruzando a sala num nervosismo só, sem olhar para trás. Em pensamento, fiz a promessa de que jamais olharia para trás. Talvez fosse a hora de ter um filho.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Lista de Desejos #20anos

20 anos é uma idade importante e bonita. É um número redondo, por isso que gosto tanto. Estou cheia de metas e objetivos, mas nada que eu possa pedir de presente, são coisas que preciso realizar através do meu próprio esforço e dedicação. Todavia, se tratando de lazer e passatempos, tem umas coisinhas que eu adoraria ganhar, #ficaadica:


Chá de Sumiço - Família Wlash, livro 5 - Marian Keyes - Bertrand Brasil

Todo mundo sabe que eu sou mega fã da Marian. Já li todos os livros da família Walsh, só falta esse!
"Helen Walsh não vive um bom momento. O trabalho como detetive particular não vai bem, o apartamento foi tomado por falta de pagamento e um ex- namorado surge com uma proposta de trabalho: encontrar o desaparecido músico da Laddz, a boy band do momento. Precisando do dinheiro, ela se vê forçada a aceitar, o que causa uma confusão em sua cabeça ao conviver com o ex e precisar acalmar o atual namorado. Ao tentar seguir suas próprias regras, Helen será arrastada para o mundo complexo, perigoso e glamoroso do showbiz, percebendo que seu pior inimigo ainda está por surgir. Irresistível, comovente e muito engraçado, Chá de sumiço é diferente de todos os romances do gênero, e a protagonista – corajosa, vulnerável e dona de uma língua afiadíssima – é a heroína perfeita para os novos tempos."

The Sims 4

Todo mundo sabe que sou uma simmer de carteirinha! O The Sims 4 será lançado em setembro e já estou roendo as unhas de ansiedade.
"The Sims™ 4 é o tão esperado jogo de simulação que permite jogar com a vida de um jeito inovador.
Controle Sims mais espertos, com aparências, personalidades, comportamentos e emoções únicas. Experimente níveis novos de criatividade ao esculpir seus Sims no poderoso Criar Um Sim e crie casas lindas com o Modo Construção tátil baseado em cômodos. Veja, compartilhe e acrescente conteúdo novo ao seu jogo na Galeria. Controle a mente, corpo e coração dos seus Sims e explore suas novas possibilidades de jogo em vizinhanças vibrantes que dão vida a suas histórias."

Hossam Ramzy in Brasil

Eu também sou bellydancer! E Hossam Ramzy é o principal professor mundial de dança egípcia, percussionistas, compositor e artista de world music.

Com o renomado estilo autêntico de Hossam e o magnífico sentimento de Serena e sua natural expressão da musicalidade, eles tornaram-se o mais procurado dueto do mundo. Suas performances variam do clássico para o tradicional folclore Baladi (folclore urbanizado), da dança moderna improvisada para shows improvisados ao vivo, com sua equipe egípcia que inclui os maiores virtuoses profissionais do Egito, capturando os corações e a imaginação de públicos ao redor do mundo inteiro.
Hossam & Serena estiveram à frente da primeira performance nacional de dança realizada por mulheres na história do Reino da Arábia Saudita, convidados pelas maiores autoridades do país para celebrar o centésimo aniversário de sua independência.

Livros da Sophie Kinsella

Apaixonei-me pelos livros da escritora inglesa Sophie Kinsella depois de ler sua série best-seller Os Delírios de Consumo de Becky Bloom. Além desta série, li também Menina de Vinte, Lembra de Mim? e O Segredo de Emma Corrigan, todos ótimos! Agora estou sedenta de mais títulos =O

A Lua de Mel: Ao se dar conta de que o namorado nunca vai pedir sua mão em casamento, Lottie toma uma decisão. Termina o compromisso com ele e diz o tão sonhado sim a Ben, uma antiga paixão, com quem ela havia prometido se casar se ambos ainda estivessem solteiros aos 30 anos. Os dois então resolvem pular o namoro e ir direto para uma cerimônia simples e seguir para a lua de mel em Ikonos, a ilha grega onde eles se conheceram. Mas Fliss, a irmã mais velha da noiva, acha que Lottie enlouqueceu. Já Lorcan, que trabalha na empresa de Ben, teme que o casamento destrua a carreira do amigo. Fliss e Lorcan então elaboram um plano para sabotar a noite de núpcias do casal e impedir que os noivos cometam o maior erro de suas vidas.

Fiquei com o seu número: A jovem Poppy Wyatt está prestes a se casar com o homem perfeito e não podia estar mais feliz... Até que, numa bela tarde, ela não só perde o anel de noivado (que está na família do noivo há três gerações) como também seu celular. Mas ela acaba encontrando um telefone abandonado no hotel em que está hospedada. Perfeito! Agora os funcionários podem ligar para ela quando encontrarem seu anel. Quem não gosta nada da história é o dono do celular, o executivo Sam Roxton, que não suporta a ideia de ter alguém bisbilhotando suas mensagens e sua vida pessoal. Mas, depois de alguns torpedos, Poppy e Sam acabam ficando cada vez mais próximos e ela percebe que a maior surpresa da sua vida ainda está por vir...


Samantha Sweet, Secretária do Lar: Uma advogada workaholic, que não tem tempo para família e amigos. Relacionamentos? Apenas os profissionais, obrigada! É assim até o dia e que dá a maior mancada corporativa da sua vida. Desesperada, vai dar uma volta e pára em frente a uma mansão deslumbrante. Após ser confundida com a empregada doméstica, a advogada se vê às voltas com máquinas de lavar roupas, ferros de passar e panelas...



Sapatilhas Ballasox

Sou apaixonada pelas sapatilhas Ballasox desde que vi os primeiros anúncios na revista Gloss, da Abril! Mas nunca tive a oportunidade de comprar uma =/ Quem quer me fazer esse gostinho, ein?

Dobrável, cada sapatilha vem em uma exclusiva embalagem-acessório. Diferente de todas as outras bailarinas dobráveis, a Ballasox vem com uma novidade: um forro macio em elastano, como se fosse uma meia, que proporciona muito conforto para os pés. Ideal para viajar, para passear e para dirigir.
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