quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A Entrevista Jornalística

Segundo o Manual de Redação da Folha de São Paulo, a finalidade da entrevista no jornalismo é permitir que o leitor conheça opiniões, ideias, pensamentos e observações do personagem da matéria, ou de pessoas que tem algo relevante a dizer. Conforme o tema da matéria procura-se buscar pontos de vista diferentes ou o conhecimento de um profissional no assunto.
O segredo de uma boa entrevista está na elaboração de um bom roteiro, ou seja, a preparação da entrevista, lembrando-se sempre de pesquisar as principais informações sobre o entrevistado e sobre o tema, focar no objetivo da entrevista e fazer uma prévia das perguntas pretendidas.
Além disso, é preciso agendar a entrevista com antecedência e procurar chegar adiantado, para evitar imprevistos. O entrevistado deve ser informado sobre o motivo da entrevista e porque sua opinião é importante para o veículo de comunicação para o qual o entrevistador trabalha.
Gravar a conversa se faz necessário porque apenas anotar as respostas não basta, a entrevista tem de ser transcrevida corretamente, e às vezes o entrevistador pode deixar passar um comentário ou uma entonação na voz do entrevistado que pode ser importante para sua matéria.
Para abrir a entrevista, o ideal é questionar sobre a definição do tema, assim tanto o entrevistador quanto o entrevistado se situam e eliminam as dúvidas sobre o assunto. As perguntas devem ser breves e diretas, de maneira a deixar o entrevistado a vontade para discorrer sobre o assunto sem se sentir intimidado. Não é errado levantar objeções diante de uma contradição identificada pelo entrevistador, pelo contrário, assim o entrevistado poderá argumentar sobre seu ponto de vista,  que enriquece a matéria.
Nenhuma pergunta pode ficar de fora, mesmo que seja um assunto sensível para o entrevistado. Se o entrevistado se recusar a responder qualquer pergunta, o jornalista pode (e deve) registrar isso na matéria. Uma resposta tanto pode servir para justificar um ocorrido como também para prejudicar a imagem de terceiros. Todavia, fica a cargo da ética do entrevistador se ele vai ou não respeitar a particularidade dos envolvidos.
Existem três tipos principais de entrevista: Exclusiva, Pingue-Pongue e Corrida. A entrevista é exclusiva quando o entrevistado fala com exclusividade para um determinado repórter. O estilo pingue-pongue serve para evidenciar o entrevistado, publicada na forma de perguntas e respostas e sempre acompanhada de um texto introdutório. E a entrevista mais comum é a corrida, quando a opinião do entrevistado serve como complemento para a matéria. A entrevista investigativa é muito utilizada em reportagens.
Quando a entrevista está inserida na matéria e é preciso citar algo relevante que o entrevistado disse, tal fala deve estar sempre dentro de aspas e nunca deve ser muito longa. A sigla em latim SIC significa “assim mesmo” e, usada dentro de parênteses, serve para justificar uma gíria ou uma força de expressão utilizada pelo entrevistado.
A liberdade de imprensa nos permite não citar o nome do entrevistado, conforma a matéria. Neste caso, ou ele é considerado uma fonte anônima, ou apenas as iniciais do seu nome aparecem no texto.
A opinião do jornalista aparece apenas quando ele escreve colunas, crônicas ou textos opinativos. Em outros casos, a entrevista deve ser impessoal.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Mapeamento Cultural no Município de Várzea Paulista

Várzea Paulista é uma cidade em constante desenvolvimento. Ainda que de forma lenta, ela vem superando obstáculos para melhorar a vida dos seus moradores. Do ponto de vista cultural, é possível concluir que nosso país possui muitas deficiências, principalmente nos pequenos municípios. Mas os cidadãos, ativistas culturais e artistas independentes vem se esforçando para ter seu espaço na sociedade.
Segue abaixo uma relação dos projetos artísticos e culturais da cidade de Várzea Paulista, que ocorrem respectivamente nos espaços disponíveis, nas escolas e até nos postos de saúde do município.

 

Espaços Culturais


  • Ginásios localizados no Jardim Maria de Fátima, na Vila Popular e no Jardim Promeca, entre outros pontos da cidade, incentivam a prática de esportes. Inclusive, o ginásio da Vila Popular foi reformado recentemente.
  • A cidade conta com muitas praças públicas como, por exemplo, a Praça da Bíblia, frequentada por jovens e skatistas.
  • O Espaço Cidadania (antiga Casa do Adolescente) é um espaço cultural com salas de aula, auditório, quadra de esportes, sala de dança, biblioteca e internet gratuita (Acessa São Paulo). Neste espaço há aulas de dança e artes marciais, eventos culturais e cursos profissionalizantes (resultantes de uma parceria de Várzea Paulista e o SENNAI Alfried Krupp, de Campo Limpo Paulista).
  • No Centro Cultural de Várzea Paulista também há eventos culturais e aulas de dança, teatro e música, entre outras atividades.
  • A Biblioteca Municipal – que apesar de ocupar um espaço pequeno e, consequentemente, ser um pouco limitada – organiza visitas agendadas com Contação de Histórias para os alunos da rede pública de ensino.


    Atividades

  • Atividades como Aerobox, Ginástica, Karatê, Tai-Chi-Chuan, Kung Fu e Capoeira são ministradas gratuitamente por profissionais voluntários em pontos públicos da cidade, como o ginásio, as escolas públicas e o Espaço Cidadania.
  • Aulas gratuitas e grupos independentes de dança, como Jazz, Ballet, Dança de Salão, Hip Hop e Dança do Ventre, se organizam em locais públicos da cidade, como os ginásios, o Centro Cultural e o Espaço Cidadania. Aliás, está previsto para esse ano o primeiro Festival de Dança aberto para grupos e dançarinos amadores da região.
  • Eventos tradicionais como a Folia dos Reis, o Orquivárzea e o desfile de Escolas de Samba da cidade no Carnaval, que ocorrem anualmente.
  • A Orquestra Sinfônica Jovem, promovida pelo Governo de Várzea Paulista, cuja instrução e prática são dadas na Escola de Música da cidade, organizada pelo departamento de Artes e Cultura - Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer.
  • O Observatório Juvenil, um projeto estadual que organiza atividades e eventos culturais na cidade.
  • A cidade participa de um projeto estadual chamado Viagem Literária, que traz a visita de autores brasileiros nas bibliotecas dos pequenos municípios.
  • Todo mês ocorre o Sarau Poético e Literário no Espaço Cidadania, aberto ao público.

    Entre os possíveis grupos culturais identificados na região se encontra:
  • Gadaq – Dança do Ventre
  • Breaking Dance
  • G&G – Axé
  • Maracabeça (Maracatu)
  • Orquestra Sinfônica Jovem
  • Orquestra de Violeiros Flor de Várzea
  • Bola 7: Dança Afro
  • Coral Municipal Várzea Encanto
  • Capoeira Brasil
  • Salada de Frutas
  • Quilombaque
  • Pandora
  • Trupe de Teatro

    Todavia, considerando a pouca disponibilidade de tempo para aprofundar esta pesquisa de campo, foi encontrado dificuldades para localizar os grupos e entrar em contato com os responsáveis.
    Os grupos que frequentam os pontos de cultura da cidade se encontram em horários diferentes entre segunda e sexta-feira.
    Foi pesquisado meios de contatos para se comunicar com esses grupos, mas tal trabalho ainda não foi finalizado devido à falta de resposta e às limitações encontradas, como poucas informações para localização de perfis na internet.
    Além disso, temos a informação de que muitos grupos surgiram em Várzea Paulista, mas se desfizeram ou se transferiram para cidades vizinhas por falta de condições apropriadas na cidade para execução de suas atividades, como a carência de um bom Anfiteatro para apresentações musicais, teatrais e de dança.
    Muitos jovens da cidade que se interessam por arte e cultura frequentam espaços públicos de outras cidades, como o Centro Educacional Unificado de Perus, que é o caso de grupos como Salada de Frutas e Quilombaque, citados neste trabalho de pesquisa.
    Há grupos que não ficam exclusivamente em Várzea Paulista, como os B.Boys que, apesar da maioria dos integrantes morarem em Várzea, encontraram mais facilidade para ocupar um espaço na vila Agapeama, em Jundiaí, para realizar seus treinos. Muitos deles preferem se reunir com os B.Boys de outras cidades, como Caieiras e Francisco Morato.
    O que conseguimos trazer a tona até então foi informações extraídas de grupos dos quais alguns de nós fazemos parte – como o Gadaq ou a Pandora – ou tem contato direto com um integrante, no caso da trupe de teatro. De qualquer forma, estamos avaliando a necessidade de cada grupo e pensando num meio de contribuir com a dificuldade de comunicação de cada um de um jeito unânime. Uma ideia é fundar um Sarau Cultural na cidade para arrecadação de verba.

    Segue abaixo o perfil das alunas de Dança do Ventre da professora Sol, para ilustrar o que foi dito:

    Grupos de Referência Cultural no Município

    • Atividade Cultural: Dança do Ventre desde: Agosto/2005 (8 anos)
    • Local(s): Espaço Cidadania, Centro Cultural e Posto de Saúde do América IV
    • Frequência: 1h semanal, por turma
    • Fundadores: Solange Aparecida Gonçalves
    • Descrição das Atividades: Aula de Dança do Ventre; ensaio; criação de coreografias para apresentações públicas e participação em concursos e festivais de dança.

    Participantes

    a) Quantidade: 10 turmas, cerca de 75 alunas
    b) Faixa Etária: Entre 8 à 60 anos
    c) Sexo: Feminino (obs.: Já houve interesse de meninos)
    d) Nível de Escolaridade: Indiferente
    e) Compromisso: Grupo Aberto
    • Conquistas: Em 2009, 2 turmas de nível iniciante foram classificadas em 3º lugar no Festival de Dança de Jundiaí. Várias participações em mostras e eventos.
    • Dificuldades: Financeira: Custo alto de materiais, gastos com participação em eventos característicos, etc. Necessidade de local apropriado na cidade para apresentações.

    • Relação com poder público: O poder público cede espaço para ensaio, transporte para eventos e permite a inclusão de apresentações nos eventos locais.
    • Relação com público/comunidade: O ex-vereador Sulimar ajudou financeiramente para dar início ao projeto. A academia Aquatitude de Jundiaí contribuiu com uma doação de roupas de dança do ventre. Algumas costureiras locais realizam serviços por preços muito abaixo do mercado.

    • Necessidades de Comunicação: Divulgação do trabalho e do grupo, patrocínio para os projetos, apresentações privadas para arrecadamento de verba.
    • Sugestão de Ação Comunicativa: Anúncios em veículos de comunicação (jornal, rádio, revista, internet). Criação de web site para apresentação e contato com as meninas.
  • quarta-feira, 4 de setembro de 2013

    Amor Próprio

    Em minha última aula de Estética e História da Arte o professor Cléber fez uma introdução ao período Renascentista. Para concluir a aula, ele pediu que a turma se dividi-se em grupos e discursasse sobre uma proposta de renascimento. Foi falado sobre a perda das brincadeiras infantis que não envolvem tecnologia, como as rodas e tal. Foi falado sobre a falta de contato com a natureza. Foi falado sobre a ausência de conteúdo nas músicas que estão em alta no momento. Foi falado sobre o amor ao próximo, sobre a base familiar que está se perdendo.
    Eu gostaria de renascer o amor próprio. Nos dias de hoje as pessoas estão vivendo em favor dos outros. As crianças querem impressionar os coleguinhas, os filhos querem se impor aos pais, os alunos querem mostrar que sabem mais que o professor. Justo neste momento em que a mulher vem ganhando a sua voz, vem conquistando seu espaço na sociedade, o que muitas delas fazem? Denigrem sua própria imagem de variadas formas. Acredito que essa moda de ostentação vem plantando uma ambição incomum nos jovens. Se eles por si só já pensam grande, imagina com esse modelo de luxúria e fama, como é que vão pensar!

    Enquanto umas pessoas dedicam seu dia acabando-se em diversão e prazer, sem pensar nas consequências que está trazendo para si mesmas; outras pessoas se preocupam tanto com o dia de amanhã e se empenham tanto em construir e construir que esquecem de cultivar os bons momentos. Ambas esqueceram de preservar sua integridade física e emocional. Ambas esqueceram a importância de valores humanos. E quanto à ética? À cidadania?
    Concordo plenamente que deveria haver uma reforma cultural na sociedade, mas se as pessoas não mudarem seu jeito de pensar, a maneira como agem e tudo mais, tentar impor uma cultura à outra de nada vai adiantar, principalmente se a pessoa não tiver uma base familiar, e com isso não quero dizer uma família grande e acolhedora, e sim um modelo de pais que ensinam o que é certo e errado, que saibam impor limites aos seus filhos.
    Foi falado algo à respeito no programa da Fátima Bernardes. Aliás, só por comentar, “Encontro com Fátima Bernardes” é meu programa preferido atualmente, adoro o modo como discutem um assunto, sempre levando em consideração a opinião de pessoas diferentes. Falam de temas atuais, mas de um jeito que além de me informar eu também me entretenho. E parece tão difícil criar uma dinâmica num programa! Mas eles conseguiram.

    Voltando ao assunto, eu me lembro que meu grande professor, o Nereu, passou umas atividades de auto-avaliação para a turma que eu continuo exercitando até hoje, pois é muito bom para nos ajudar a focar nos nossos objetivos e enxergar nossos impedimentos. A atividade consiste em escrever uma auto-biografia com a previsão de como você vai estar daqui cinco anos. É importante escrever em terceira pessoa, assim você vai ter uma visão melhor sobre si mesmo. Mas, caso não tenha paciência para escrever, eu adaptei a atividade me fazendo a seguinte pergunta: Como você quer ser lembrado? Ao responder tal questão, tente pensar no que você gostaria de significar para os outros e para si mesmo. Acredito que, tão logo você começa a refletir chega à conclusão de que o primeiro passo é não guardar rancor, é saber perdoar o passado, perdoar as pessoas e, principalmente, perdoar os seus erros. Quando aprendemos a nos perdoar, estamos prontos para perdoar os outros.


    Outro dia, conversando com meu namorado, estávamos fazendo um joguinho de perguntas de responder e rebater (por favor, não pense besteiras, eram perguntas comuns). E ele me perguntou: Se você pudesse, o que mudaria em mim? E eu respondi: Eu gostaria que você fosse mais apaixonado pela vida. E o mais engraçado é que eu não tinha noção disso até verbalizar a frase. Mas o que é amar a vida? Trabalhar e estudar é bom para construirmos coisas, mas mais importante do que amar os frutos desse esforço é saber amar os ensinamentos que obtemos dessas experiências, pois tudo o que é material pode se perder, mas o que você aprender não. Da mesma forma, é muito gostoso se descontrair numa festa com os amigos, mas é mais gostoso apreciar as boas lembranças que ficam deste momento do que apreciar o efeito do álcool no corpo naquele momento. Além disso, todo mundo deveria se dedicar aos seus hobbys com a mesma intensidade e seriedade que tem com o trabalho e o estudo. Por que? São os pequenos afazeres que gostamos de fazer que mantém nossa mente descansada e nosso corpo preparado para a correria do dia a dia. É tão bom acordar de bom humor numa segunda-feira
    Para concluir, gostaria de citar uma coisa que a minha mãe, uma mulher muito sábia, sempre me disse:
    Se você não se ama, ninguém vai te amar. Se você não se respeita, ninguém vai te respeitar. Se você fala mal da sua família lá fora vai estar dando motivo para falarem também.
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