sexta-feira, 7 de junho de 2013

Vestida de Noiva



Eu queria ter uma avó com um álbum de fotografias da sua época, com imagens desbotadas e pessoas sem sorrir. Curioso, por que as pessoas não tinham um hábito de sorrir ao tirar fotos? Quando queremos registrar um momento é porque é um momento feliz, e se estamos felizes o sorriso é voluntário, não?

Sempre rio ao pensar que um dia direi aos meus filhos/netos que eu sou do tempo em que se usavam máquinas fotográficas. Hoje as pessoas desfilam por aí com suas câmeras digitais de alta resolução que cabem na palma da mão. Eu ainda tenho uma máquina fotográfica linda que ganhei da minha mãe quando era criança. Usei uma vez apenas.

Bem, pelo menos não sou do tempo em que os celulares pareciam tijolões, com tampinha e antena.

Os homens usavam bigodes e costeleta cumprida. Como isso lhes enfeiecia, se é que existe essa palavra. As mulheres pareciam não fazer a sobrancelha. Usavam pouca maquiagem, e quando usavam era um batom marcante ou blush demais. Gosto dos cabelos delas, sem cortes complicados ou banho de tintura, totalmente naturais e bonitos a seu modo. E os acessórios quase neutros. Os vestidos eram tão cheios de adornos que não era necessário muito. Os sapatinhos pareciam de bonecas. Buquê de copos-de-leite na maioria das vezes.

Jundiaí era Jundiahy.

Gosto de ver exposições e geralmente não levo mais que quinze minutos para ver os quadros e ler as legendas. São coisas que despertam minha curiosidade. Gosto de passar o tempo olhando, decifrando, tentando compreender, questionando. Essa exposição em particular me chamou a atenção por tratar de noivas.

Recentemente li alguns livros onde as personagens se casavam. Toda a tradição da festa do casamento me pareceu tão bonito. Pena que tal tradição esta se perdendo. Hoje as pessoas nem se casam, ou preferem a simplicidade do civil, ou fazem uma grande festa com roupas alugadas.

Aliás, num ato de ousadia (ou rebeldia?) aboli a maquiagem do meu dia a dia. Penteio as sobrancelhas, os cílios e hidrato os lábios. Perfeito. Decidi que quero pintar o rosto somente quando tiver a intenção de me expressar artisticamente.

Na realidade, não sei quanto tempo isso vai durar.

Minha mãe me zoa: “Se maquiada seus namorados fogem de você, imagina com essa cara de fantasma!”. Mas não quero um namorado. Ainda estou apegada no outro. Levo em média seis meses pra esquecer alguém. Ou pra pelo menos guardar no cantinho do peito.

Depois eles dizem que essas garotas de hoje em dia não querem nada com nada. Eles que ficam procurando a mulher certa nos lugares errados. E, não é por nada não, mas homens são lentos para pegar sinais.

Ah, Deus. Sou uma desiludida.

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