quarta-feira, 5 de junho de 2013

Oficina de Contos

A Academia Feminina de Letras e Arte de Jundiaí (AFLAJ) está promovendo uma Oficina de Contos ministrada por Jan Bitencourt, redatora publicitária, empreendedora e viciada em livros. Acontecerão quatro encontros com duração de duas horas nos dias de quarta-feira do mês de Junho na Casa da Cultura. O curso é gratuito é aberto ao público, sendo que foram formadas duas turmas de no máximo seis alunos cada com idade mínima de dezesseis anos. Ao final, todos receberão certificados.
Logo antes de começar o curso entraram em contato comigo solicitando duas atividades que deveriam ser levada prontas para a aula em duas vias. A primeira atividade era criar um nanoconto com até cinquenta caracteres utilizando uma característica minha como tema. A segunda era criar um miniconto falando um pouco sobre mim.
Todos sabemos que o conto é uma narrativa curta. Segundo Ana Paula do portal Info Escola, “o tempo em que se passa é reduzido e contém poucas personagens que existem em função de um núcleo. É o relato de uma situação que pode acontecer na vida das personagens, porém não é comum que ocorra com todo mundo. Pode ter um caráter real ou fantástico da mesma forma que o tempo pode ser cronológico ou psicológico”. Por vezes a crônica é confundida com o conto. A diferença básica entre os dois é que a crônica narra fatos do dia a dia, relata o cotidiano das pessoas, situações que presenciamos e já até prevemos o desenrolas dos fatos.
Os contos modernos são muito variáveis, como o próprio Mário de Andrade alega: “Conto será sempre aquilo que seu autor batizou de conto”. Segundo a Carta Capital escrita por Samir Mesquita e publicada em 2011, alguns teóricos definem os formatos de conto utilizando o número de caracteres como parâmetro – nanocontos teriam até 50 letras, sem contar espaços e pontuação; microcontos, até 150 caracteres e, minicontos, até uma página – mas ainda não há uma definição exata.
O que mais tenho são nanocontos publicados no twitter, mas como estava em casa sem acesso a internet tive que criar do zero. Fiz dois, ambos com assuntos já citados aqui no blog:

Passatempo

Destrinchando a complexidade da mente humana.

Incorrigível

Não me leve a mal, sou uma escritora romântica.




Quanto a segunda atividade, pensei em escrever um biografia em primeira pessoa no formato de conto, mas acabei preferindo criar um conto curto com introspecção psicológica em terceira pessoa:

A Arte da Palavra

Era uma garotinha solitária tentando compreender o mundo ao seu redor. Com lápis e papel, ela fez seu próprio mundo, descobriu amigos imaginários e encontrou um meio de matar seu grande tempo livre.
Era uma garota ingênua tentando descobrir o mundo ao seu redor. As noites ganharam vida, e as pessoas ficaram mais interessantes. Usando teclas e um monitor, ela reinventou o seu mundo, expandindo seus limites.
Era uma escritora publicada sendo descoberta pelo mundo ao seu redor. Tímida demais para falar em público, preferia o anonimato da internet. Contava suas histórias através de um diário virtual sem se deixar intimidar.
Um dia ela se cansou de ver suas palavras contorcidas pelo mundo ao seu redor. Encontrou na dança uma forma de se expressar sem a necessidade de usar palavras. Nunca mais parou.
O mundo ao seu redor começou a exigir mais e mais dela. Queriam que ela levasse a vida a sério, arrumasse um emprego digno, entrasse na faculdade e encontrasse um companheiro. Ela não quis.
Ela queria descobrir a si mesma através do mundo ao seu redor, definir uma identidade que a distinguisse dos outros, encontrar o seu lugar. Era uma sonhadora.

A primeira aula foi mais um encontro com trocas de experiências, indicações de leitura e apresentações informais por meio dos textos escritos. A Jan é muito simpática, e me parece uma ótima instrutora, já que ela fala o que precisa ser falado e nos estimula a fazer as atividades, melhorar nossos textos e, principalmente, passa dever de casa. Desde a escola, sempre admirei professores que passam dever de casa, não que eu goste muito disso, mas porque essa é uma forma do aluno exercitar o que viu em aula e trabalhar seu lado autodidata, já que não vai ter ninguém para lhe falar se ele está fazendo certo ou não, e ele não poderá simplesmente olhar para o lado e ver como o colega está se saindo.
Infelizmente, não fui muito bem nos meus nanocontos, mas eu já esperava isso. Quanto ao meu conto, todos observaram que eu gosto de escrever prosas poéticas, e apesar do meu textinho falar muito sobre mim, todos se atentaram ao fato de eu ter publicado um livro e me decepcionado um pouco com a experiência. Como já disse a vocês, não gosto quando ficam medindo minhas experiências pela minha idade. Tentei explicar que tenho facilidade para escrever histórias longas, e se escrevo bem é por que venho praticando essa atividade há muitos anos. Como sempre, eu era a mais nova da turma, ainda não entrei na faculdade e nem estou trabalhando, mas ficaria muito feliz em ser tratada com igualdade.
“Há dois tipos de idiotas: os que emprestam livros e os que devolvem”
A Jan tomou uma iniciativa muito legal de levar uma caixa de livros para comentarmos e pegarmos alguns emprestados. Sugeri de no próximo encontro levarmos nosso livros preferidos também. Além disso, todos ganhamos um livrinho de Contos Mínimos do qual a Jan é uma das autoras participantes, e a AFLAJ nos presenteou com um exemplar da coletânea que eles publicam anualmente. A Jan me indicou a leitura de Seminário dos Ratos de Lygia Fafundes Telles, do qual já li alguns contos, mas vou adorar reler. Também peguei Histórias Extraordinárias de Edgar Allan Poe e A gorda do Tiki Bar de Dalton Trevisan.
Pretendo levar para elas conhecerem os seguintes livros:
  • O Livro dos Manuais – Paulo Coelho: Textos simples carregados de ironia que não me canso de ler.
  • Raiz Forte – Lemony Snicket: Ótimos microcontos, um dos meus livros favoritos. Terei que pegar emprestado na biblioteca.
  • As Amoras – Lygia Fagundes Telles: No qual o primeiro conto é o original da Lygia e os outros são de outros autores usando o tema utilizado no conto da Lygia como ponto de partida.
Como dever de casa ela nos passou as seguintes atividades:
  1. Escrever um conto usando como base o texto lido (do livro que ela indicou).
  2. Transformar o seguinte microconto num conto: “Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá”Augusto Monterroso, autor deste primeiro, e talvez o mais famoso, microconto.
Em sala de aula fizemos uma atividade muito legal que era colocar-se no lugar de outra pessoa do grupo e escrever um microconto em primeira pessoa contando um segredo. Quem me conhece sabe que eu primeiro penso e depois começo a escrever – e não paro mais. Isso causou alguns risos na sala que me deixaram um pouco acanhada. Caramba, me senti na sala de aula do ensino fundamental de novo (no ensino médio todos já haviam se conformado).



Resumidamente, tínhamos uma publicitária amante de livros; uma advogada que em casa é maezona e adora ler lendas como as histórias dos Irmãos Grimm; uma mulher que inacreditavelmente trabalha na área de exatas, com contabilidade; uma moça que está cursando o último ano da faculdade e é muito boa com poesias e uma outra moça entre vinte e trinta anos que já tem certa facilidade para escrever contos. Ah, e eu.
Eis meu texto:

Reflexo

Sinto que cubro o rosto com uma máscara pelo medo dos outros descobrirem quem realmente sou, o que realmente penso e não gostarem.
Estudo a matéria e o conteúdo que expõem para mim e tento descobrir-me através da leitura, mas temo escrever sobre eu mesma, não quero que me estudem e descubram o que guardo na mente e no coração.
Meu segredo é tão cabeludo que nem eu compreendo inteiramente. Não sei ao fundo quem sou. Tenho medo de rebelar o que faz parte de mim.
Sou um amontoado de causos e tramas que ilustram um passado assombroso. Sou um homem com jeito de mulherzinha.

E, com isso, fico por aqui. Aguardo ansiosamente pelas quartas-feiras que virão, espero beneficiar-me muito dessa oficina, tenho como propósito reciclar-me através das ideias de terceiros. E como é gostoso receber instrução de pessoas mais experientes! Como é gostoso receber críticas construtivas. Logo nesse primeiro encontro pensamos em fazer uma exposição dos trabalhos feitos, vamos ver se essa ideia amadurece. Poderíamos publicar um livro com uma tiragem mínima de trinta exemplares, apenas para usar como lembrancinha. Ou poderíamos fazer um blog para publicarmos os escritos e um comentar o que o outro escreveu, como fez recentemente minha professora Valéria Lopes ( Blog Viajando na Leitura). Enfim, vamos deixar rolar.

Beijocas da Meh

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