segunda-feira, 10 de junho de 2013

O Dinossauro Lex

Obs. Dever de casa da oficina.
Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá, todo pomposo em seu tom esverdeado com a gravatinha preta. Ganhara o bicho do pai quando era apenas um bebê, a mãe lhe costurou a gravata conforme ele pedira e o irmão arrancou-lhe um pedaço do rabo com os dentes, por pura maldade. Chamou-o de Lex.
Ultimamente parecia haver algo de errado com o Lex, afinal toda noite ele se esgueirava para a janela do quarto e abria as cortinas. O menino acordava no meio da madrugada com a claridade batendo em seus olhos e aterrorizava-se com a sombra assustadora que tomava conta do quarto, quando na verdade era apenas a luz da lua contra o bicho de borracha sentado na janela e sorrindo para ele.
Espreguiçou-se enquanto se arrastava para fora da cama. Pegou o bicho, afagou sua cabeça e guardou-o na caixa de brinquedos. Depois calçou suas pantufas e foi tomar seu café da manhã.
Como sempre, a mesa estava posta, o pai já saíra para trabalhar e o irmão mais velho atacava a cesta de pães enquanto a mãe lava a louça.
- Bom dia meu filho – disse a mãe, sem olhar para trás.
- Dormiu bem? – completou o irmão com um sorriso zombeteiro no rosto.

Obs: O conto poderia ter terminado aqui.

O garoto resmungou algo em resposta e começou a preparar seu leite com chocolate. Dali a pouco teria que ir pra escola, depois para o curso de inglês e em seguida para o futebol. Teve um dia cansativo, tanto que não esperou entardecer para ir dormir, ignorando o computador e deixando o dever de casa mal feito.
Apesar de o cansaço tê-lo vencido, se pegou revirando-se na cama perturbado com um pesadelo. O dinossauro vigiava seu sono, mas ao invés de seus olhinhos vermelhos o menino via os olhos do pai.
De repente, um alto estralo lhe fez abrir os olhos e levantar da cama num susto, com o coração em disparada. Deitado no chão do quarto estava seu irmão, urrando de dor. Com a mão esquerda segurava o tornozelo, e com a direito apertava um bicho de borracha que cantarolava alegremente: “Sou um dinossauro, um dinossauro mau, se não se esconder, vou pegar você...”

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