sexta-feira, 28 de junho de 2013

Editora-Chefe

Prendeu-lhe num beijo longo de despedida, sentindo a maciez dos seus cabelos loiros entre os dedos.
- Bom trabalho, linda.
- Obrigada meu bem, até amanhã. – sorriu para ele seu sorriso mais bonito e logo após entrou no escritório pelas portas de vidro e seguiu em frente, sem olhar para trás.
Cumprimentou a recepcionista e subiu a escada circular até chegar ao seu departamento. Todos já tinham começado a trabalhar, inclusive sua amiga e assistente, que esperava ansiosa em frente à sua sala.
- Ele ligou. Disse que precisa falar com você.
- Estava olhando pela janela?
- Não tirou os olhos dela nem por um minuto.
- Ótimo. Peça para vir a minha sala daqui a dez minutos. Preciso retocar o batom.
- Ok, boa sorte! – a jovem sorriu para ela, contagiada pela sua esperança.
Encontrava-se sentada profissionalmente à sua mesa quando ele entrou. Convidou-o a se sentar sem tirar os olhos do computador.
- Preciso de uns toques seu no projeto. Pensei em almoçarmos juntos para discutirmos alguns pontos.
- Humm, hoje não dá. Eu e o Mauro já reservamos uma mesa num restaurante italiano.
Olhou para ele pelo canto do olhou e notou que mexia muito as mãos. Estava nervoso. Perfeito.
- Então, já faz um tempo que estão saindo juntos, não?
- Ah, ele me viu dando uma palestra e se apaixonou. Disse que sou muito dinâmica e carismática. Enfim, me cativou com suas lisonjas. Eu não estava a fim de continuar sozinha, então pronto, to curtindo. Nada sério. – disse, explicando mais do que o necessário, e depois ficou encarando as unhas bem feitas, à espera de uma reação.
- Eu te convidei pra sair, Priscila. Você disse que...
- Eu aceitei, e nunca marcamos uma data. Não podia ficar te esperando.
- A sede por diversão era tanta assim?
Chocou-se, e sem se conter olhou-o nos olhos por cima do aro dos óculos. Estava lindo com os cabelos castanhos escuros rebeldes, a barba por fazer e a testa franzida. Ficava mais do que lindo quando estava preocupado. Erro fatal. Alerta. Ela estava prendendo a respiração. Piscou algumas vezes e voltou a si.
- Você é diferente, Leandro. Não é o tipo de homem com quem eu me envolveria por diversão. Primeiro porque eu já tenho um carinho especial por você, eu que te indiquei para essa vaga, não foi? Já conheço um pouquinho de você e gosto desse pouquinho.
Ele não esperava por isso. Remexeu-se desconfortavelmente na poltrona e, sem palavras, levantou-se.
- Tenho trabalho para terminar.
- Claro. Podemos continuar a conversa depois. Agendarei uma reunião com toda a turma da redação para discutirmos o projeto juntos, tudo bem?
- Tudo ótimo. – concordou, já se virando para sair, mas antes de atravessar a porta ela pode vislumbrar um sorriso de satisfação brotando em seus lábios.
Levou o telefone ao ouvido e discou o ramal da assistente. Segundos depois, a jovem pálida e ofegante esperava ansiosa por respostas.
- E então? Ele se declarou?
- Ainda não, tímido como sempre. Mas o lance com o loirinho ta funcionando.
- Mas, Priscila, você não ta iludindo o coitado do Mauro?
- Faz-me rir, Jéssica. Ele é um jovem tolo louco para curtir a vida, não vai se apegar a mim tão facilmente. Já o Leandro, não. Ele é maduro o suficiente para ter sentimentos. Mas ainda é inseguro como um universitário.
Jéssica caiu em gargalhadas, jogando os longos cabelos sedosos para trás num movimento gracioso. Ela ria, mas por dentro se encolhia de vergonha da inveja que sentia da loira platinada majestosa à sua frente, ocupando a cadeira que ela tanto cobiçava e usando um terninho requintado lilás que ela já havia procurado por todo o centro de São Paulo sem sucesso. Jurava que naquele momento ela estava pensando em quantas artimanhas mais seria necessário para deixar o moreno mais gato da redação de quatro aos seus pés.

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