quarta-feira, 3 de abril de 2013

Palavras

Eu gosto de me expressar através da escrita desde que me entendo por gente. Mas sei que nem todos tem essa intimidade com a língua portuguesa. Ao contrário, nossos jovens parecem ter medo de usar o português. Se apegam em gírias e abreviações para evitar usar a palavra correta e errar, para ser compreendido entre eles mesmo. Ah, se usassem a mesma segurança que usam para falar nas redes sociais seriam tão mais claros e lógicos em seus textos!
Mas também, a gramática intimida. Livros antigos, textos técnicos, judiciários… Não dá pra entender nada, só quem é do meio que entende. E isso é errado: esses textos deviam ser mais compreensíveis para os leigos no assunto. Temos palavras lindas em nosso vocabulário, temos regras lindas que fazem parte da nossa comunicação, mas não posso negar que a língua portuguesa é um pouco complexa. Outro dia assisti uma entrevista no Programa do Jô onde ele falava com uma advogada que dizia exatamente isso: que as leis deveriam ser reformuladas para ser compreendida de acordo com a língua falada hoje.
O que estou querendo dizer é que a linguagem coloquial e a formal não deveriam diferir tanto uma da outra a ponto de alguém se impressionar por uma garota escrever bem e um adulto formado cometer erros bobos de português. Eu mesma confesso que nunca me apeguei as lições de gramática, sintaxe e sei lá mais o que ensinam na escola… Por que acredito que o correto seria isso: Escrever com segurança da mesma forma que falamos com segurança. No meu caso, gostaria de me sentir segura ao falar em público da mesma forma que me sinto segura ao escrever. Sempre soube que falar bonito não é falar difícil. Falar bonito é falar com clareza.
Escrever nunca foi difícil para mim. Desde pequena, as palavras me vinham com facilidade à mente quando estou com uma caneta posicionada. Se tenho ideias, tenho que coloca-las no papel, porque ali elas fluem. Escrevo sem hesitar, e isso é tão gostoso, tão libertador. Escrevo quando estou triste, quando estou feliz, quando estou apaixonada, quando estou estudando… Para tudo faço anotações, minha vida é um livro aberto. E por que gosto de escrever sobre amor? Olha, não sei. Acho que sou uma romântica assumida. Em outras palavras: especialista em sentimentalismo e desastres amorosos!
Quantas vezes me vieram com papos de “nossa, minha história de vida é tão trágica, as pessoas iriam se emocionar se lessem!” e coisas do tipo. Eu mesma já pensei em escrever algum drama que vivi ou assisti. Mas, sinceramente, prefiro usar a ironia e o humor para criticar a sociedade e narrar os dramas adolescentes através das personalidades dos personagens. Por que? Porque falar a realidade doi. As pessoas já vivem seus próprios conflitos, já se amarguram com o que assistem nos noticiários. Que mal escrever ficção e desejar que elas deliciem com um pouco de fantasia? Que mal tem querer vê-las sorrir com um final feliz?
Ler me faz sentir muito bem, obrigada. Ler me faz sentir que as coisas são possíveis, ou que pelo menos eu posso tentar. Ler me faz acreditar na sorte e confiar em Deus para seguir em frente. Então me deixa curtir a ficção de vez em quando e esquecer que esse mundo cruel existe. Me deixa criar meus próprios finais felizes. Me deixa reinventar aquele amor que vivi, me deixa imaginar uma continuação para meu namoro de três dias.
É um absurdo essa coisa dos pais não contarem histórias para as crianças antes d’elas dormirem. A ficção delas está nos videogames. Incentivam o filho de oito anos a ler livros de história e geografia, mas não incentivam a ler um livro infantil desenhado. Diversão? Assiste televisão. Os coitadinhos mal acabam de entrar na pré-escola, e já são desiludidos pelos coleguinhas que caçoam dele por ainda acreditar no Papai Noel ou na Fada do Dente. E aqueles velhinhos que contam sua lendas e superstições são dados como loucos.  Que mal tem deixar que as crianças acreditem em Contos de Fada e que os adultos sonhem? Crescer não significa que temos que deixar de gostar de histórias maravilhosas.
Bem, deixe-me explicar a inspiração para o post. Ele se chama Neil Gaiman e escreve histórias para crianças e adolescentes e trata de temas pouco comuns a esse universo, como morte, mitologia, psicologia e terror, sem subestimar a inteligência de seus leitores. Um dos meus livros preferidos se chama Coraline e conta a história de uma garotinha que se sentia muito sozinha e não recebia atenção dos pais. Coisas ruins acontecem.
Não é só a literatura gótica que me atrai nos livros dele, mas a verdade por trás da ficção. Até onde vai a compreensão de uma criança? Acredite, ela enxerga coisas que pensamos que ela não acredita, e não estou falando de fantasia, mas sim de realidade. Mas pensamos que elas não compreendem porque elas não demonstram. Elas não demonstram porque diferentemente dos desiludidos, elas tem esperança de um final feliz.

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