sexta-feira, 26 de abril de 2013

Uma Mensagem

Como vocês sabem, escrever é a minha maior paixão. Eu uso as palavras para brincar, desabafar e me expressar. Acho que o melhor jeito de organizar as ideias é colocando-as no papel. Além disso, sou amante da psicologia. Enfim, espero que compreendam minha necessidade de passar a mensagem que vem a seguir.

Vocês sabem que eu sou cristã e, apesar de não ser uma pessoa religiosa, gosto de conversar com Deus e costumo orar pelas pessoas. Sempre orei para Deus cuidar e proteger das pessoas que gosto e converter as pessoas más.

Ele nos deu o livre arbítrio para que pudéssemos tomar nossas próprias decisões, mas na maioria das vezes a gente acaba escolhendo o caminho mais fácil, que nem sempre traz bons resultados.

Na vida a gente tem que ter disciplina. Estamos praticamente sozinhos nesse mundo, e esse mundo pertence ao homem. É você que tem que fazer seus horários e arcar com seus compromissos. Se você não cobrar isso de si, ninguém vai cobrar e vai ficar por isso mesmo. Se você passa por cima da sua própria palavra, quem é que vai acreditar em você?

Minha mãe é uma pessoa muito sábia. Ela sempre me disse que se a gente não se respeita ninguém vai respeitar a gente; que a gente não pode ser ruim com os outros porque um dia podemos precisar daquela pessoa; que a gente tem que se amar antes de amar alguém.

Independente de qual seja seu sonho, você não pode idolatra-lo, não pode colocar isso acima de tudo na sua vida. Em primeiro plano – quanto a tudo e todos – tem que vir Deus. E nem sempre nossos planos são os planos de Deus. Ore, peça a ele proteção, sabedoria e livramento, peça para não deixar que você ceda à tentação, pois muitas virão.

Depois vem você, exclusivamente você. Você tem que prezar seu bem estar, sua saúde, seus sonhos e suas metas. Não permita que outra pessoa – seja amigo ou familiar – trace seu caminho por você. Temos que ser solidário com as pessoas, mas isso não significa colocar as necessidades dos outros acima das nossas.

Olhe para você: Quem é você? Você está bem física, mental, emocional e espiritualmente? Em outras palavras, você é uma pessoa equilibrada? Se continuar nesse ritmo, em que lugar vai chegar? O que você está fazendo para alcançar seus objetivos? Você está mesmo tomando as decisões certas?

Organize suas prioridades. Olhe para sua vida e para seu eu antes de julgar o próximo. Aceite a orientação de Deus, permita que Ele intervenha em sua vida por meio de outras pessoas. Nós precisamos dos outros, lembre-se disso.

Espero que a mensagem tenha utilidade a quem quer que seja.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Tequila

Eu precisava daquilo. Eu precisava daquilo para me sentir viva. Ou para não sentir os dores da vida.
Estava completamente escuro, a não ser pelas luzes coloridas e ofuscantes que embalavam a noite num ritmo frenético. Depois do terceiro copo de whisky eu já me sentia livre, leve e solta. Nada fazia muito sentido, e isso era bom, por que esse era meu objetivo: me perder. Me perder na noite, me perder na multidão. O DJ alternava entre sons eletrônicos pesados e leves, personalizando as músicas que estavam no topo da parada. Mas eu não me importava muito se minha dança seguia o ritmo ou não, queria apenas me mexer, relaxar os músculos com os olhos fechados.
Ainda bem que a Renatinha me fez o favor de arrumar ingressos para uma balada em outra cidade, assim não corria o risco de encontrar ninguém conhecido. Estava desimpedida para extravasar. Eu sentia calor, muito calor, depois de tanto tempo sem festejar esqueci-me de como a noite é quente e não vim com o top adequado. Sentia o pescoço e os seios ficarem suados, mas isso parecia não fazer diferença para os caras que eu beijava. Muitos deles nem usavam camisa, para exibir os músculos que acreditavam ser um atrativo. Eles não passavam de um objeto sexual e não se importavam. Queria eu mulher ter essa mesma liberdade.
Um moreno alto que usava somente uma bermuda caída na cintura – cueca branca a vista – se aproximou de mim, risonho. Sob a fraca iluminação mal dava para reparar sua fisionomia. Mas ele era gostoso. E era disso que eu precisava: homens gostosos e supérfluos para elevar a auto-estima. Viu só, Maurinho? Você não me da a menor bola, mas eu não me importo, posso pegar os gostosões das baladas. Haha.
Mas o moreno não beijava tão bem. Ficava girando a língua como se fosse… sei lá, um liquidificador? Um ventilador? Aquilo não estava me agradando. Se eu não abrisse a boca o suficiente ele me melecava toda. E, pelo amor, não da pra beijar e dançar ao mesmo tempo. Pronto, dispensei o inútil que não sabia beijar. Melhor assim.
A Renatinha estava se enroscando com garanhão por aí e me deixara sozinha. Eu já estava acostumada com isso. Ela sempre me dava um perdido nas festas.
O Maurinho não fazia o tipo musculoso. Mas ele não tinha gordurinha sobrando. Era um cara em forma, posso garantir. Ele não era alto. Mas sua altura era compatível com a minha. Eu não me intimidava de por um salto quando queria, mas também não ficava com o pescoço doendo de beija-lo com a sola do pé no chão. E ele era moreno, mas não bronzeado, tinha um tom de pele natural. Seus olhos eram castanhos como seus cabelos. Podia não ter fios lisos e sedosos, mas seus cabelos eram macios ao toque. E como ele beijava… A boca dele era perfeita contra a minha. Ele sabia o quanto podia pressionar sem machucar, ele sabia qual o ritmo certo. E ele tinha um cheirinho característico, que não consigo associar a nada, é um cheiro único, só dele, e que aparentemente só eu podia sentir. E o que mais me deixava louca era sua voz grave contra meu ouvido. O tom de sua voz era maravilhoso, ouvi-la era suficiente para me sentir perturbada.
Já não bastava meus estudos estarem ferrados. Já não bastava eu me sentir uma inútil na família. Já não bastava eu sentir falta da vida que levava em meu último relacionamento. Não, eu tinha que me apaixonar por um cara tímido, focado na carreira artística e com quem eu tinha certeza de que não haveria futuro. Pra que me envolver se eu sabia que não ia dar em nada? Por que me permiti ser beijada se eu sabia que isso só ia fortalecer o que eu estava sentindo? O melhor seria ter eliminado os vestígios da paixão assim que ela deu sinal, ter me afastado dele antes de me encontrar nessa situação… Desejando apenas seus lábios, enumerando as qualidades dele em comparação com os homens que se auto-admiravam.
Basta, eu precisava ir embora. Achei que uma noite de mulheres, bebida e sexo seria ótimo, mas isto aqui não esta ajudando em nada.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Palavras

Eu gosto de me expressar através da escrita desde que me entendo por gente. Mas sei que nem todos tem essa intimidade com a língua portuguesa. Ao contrário, nossos jovens parecem ter medo de usar o português. Se apegam em gírias e abreviações para evitar usar a palavra correta e errar, para ser compreendido entre eles mesmo. Ah, se usassem a mesma segurança que usam para falar nas redes sociais seriam tão mais claros e lógicos em seus textos!
Mas também, a gramática intimida. Livros antigos, textos técnicos, judiciários… Não dá pra entender nada, só quem é do meio que entende. E isso é errado: esses textos deviam ser mais compreensíveis para os leigos no assunto. Temos palavras lindas em nosso vocabulário, temos regras lindas que fazem parte da nossa comunicação, mas não posso negar que a língua portuguesa é um pouco complexa. Outro dia assisti uma entrevista no Programa do Jô onde ele falava com uma advogada que dizia exatamente isso: que as leis deveriam ser reformuladas para ser compreendida de acordo com a língua falada hoje.
O que estou querendo dizer é que a linguagem coloquial e a formal não deveriam diferir tanto uma da outra a ponto de alguém se impressionar por uma garota escrever bem e um adulto formado cometer erros bobos de português. Eu mesma confesso que nunca me apeguei as lições de gramática, sintaxe e sei lá mais o que ensinam na escola… Por que acredito que o correto seria isso: Escrever com segurança da mesma forma que falamos com segurança. No meu caso, gostaria de me sentir segura ao falar em público da mesma forma que me sinto segura ao escrever. Sempre soube que falar bonito não é falar difícil. Falar bonito é falar com clareza.
Escrever nunca foi difícil para mim. Desde pequena, as palavras me vinham com facilidade à mente quando estou com uma caneta posicionada. Se tenho ideias, tenho que coloca-las no papel, porque ali elas fluem. Escrevo sem hesitar, e isso é tão gostoso, tão libertador. Escrevo quando estou triste, quando estou feliz, quando estou apaixonada, quando estou estudando… Para tudo faço anotações, minha vida é um livro aberto. E por que gosto de escrever sobre amor? Olha, não sei. Acho que sou uma romântica assumida. Em outras palavras: especialista em sentimentalismo e desastres amorosos!
Quantas vezes me vieram com papos de “nossa, minha história de vida é tão trágica, as pessoas iriam se emocionar se lessem!” e coisas do tipo. Eu mesma já pensei em escrever algum drama que vivi ou assisti. Mas, sinceramente, prefiro usar a ironia e o humor para criticar a sociedade e narrar os dramas adolescentes através das personalidades dos personagens. Por que? Porque falar a realidade doi. As pessoas já vivem seus próprios conflitos, já se amarguram com o que assistem nos noticiários. Que mal escrever ficção e desejar que elas deliciem com um pouco de fantasia? Que mal tem querer vê-las sorrir com um final feliz?
Ler me faz sentir muito bem, obrigada. Ler me faz sentir que as coisas são possíveis, ou que pelo menos eu posso tentar. Ler me faz acreditar na sorte e confiar em Deus para seguir em frente. Então me deixa curtir a ficção de vez em quando e esquecer que esse mundo cruel existe. Me deixa criar meus próprios finais felizes. Me deixa reinventar aquele amor que vivi, me deixa imaginar uma continuação para meu namoro de três dias.
É um absurdo essa coisa dos pais não contarem histórias para as crianças antes d’elas dormirem. A ficção delas está nos videogames. Incentivam o filho de oito anos a ler livros de história e geografia, mas não incentivam a ler um livro infantil desenhado. Diversão? Assiste televisão. Os coitadinhos mal acabam de entrar na pré-escola, e já são desiludidos pelos coleguinhas que caçoam dele por ainda acreditar no Papai Noel ou na Fada do Dente. E aqueles velhinhos que contam sua lendas e superstições são dados como loucos.  Que mal tem deixar que as crianças acreditem em Contos de Fada e que os adultos sonhem? Crescer não significa que temos que deixar de gostar de histórias maravilhosas.
Bem, deixe-me explicar a inspiração para o post. Ele se chama Neil Gaiman e escreve histórias para crianças e adolescentes e trata de temas pouco comuns a esse universo, como morte, mitologia, psicologia e terror, sem subestimar a inteligência de seus leitores. Um dos meus livros preferidos se chama Coraline e conta a história de uma garotinha que se sentia muito sozinha e não recebia atenção dos pais. Coisas ruins acontecem.
Não é só a literatura gótica que me atrai nos livros dele, mas a verdade por trás da ficção. Até onde vai a compreensão de uma criança? Acredite, ela enxerga coisas que pensamos que ela não acredita, e não estou falando de fantasia, mas sim de realidade. Mas pensamos que elas não compreendem porque elas não demonstram. Elas não demonstram porque diferentemente dos desiludidos, elas tem esperança de um final feliz.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Tinto e Suave

Puxei a manga do paletó e consultei a horas, ansioso. Ela estava atrasada. Fiz sinal para o garçom e solicitei uma água com gás, para matar o tempo. Detestava quando ela se atrasava. Observei as obras de arte por entre as janelonas que decoravam o ambiente, ignorando os ponteiros que avançavam. Minha água com gás acabou. Mandei-lhe outra mensagem de texto, tentando não demonstrar minha impaciência. “Calma, meu amor, estou chegando” disse ela, em resposta.
Aquele era meu horário de almoço, que eu prolongava um pouco quando me encontrava com sua companhia, mas tinha outros compromissos ao longo da tarde. Dali a três horas teria uma conferência online e precisava me preparar. Ela parecia não se importar. E era esse seu jeito despreocupado, livre, leve e solta, que me encantava. A vida parecia outra quando eu estava com ela. Não nos víamos com frequência, eu trabalhava muito. Mas quase toda semana escolhíamos um restaurante diferente para nos encontrar.
Enquanto pensava com meus botões, uma moça linda entrou no restaurante, dirigindo-se ao metre. Os cabelos longos e negros estavam soltos e volumosos sobre suas costas. Usava um macacão cor-de-rosa e calçava um escarpem com pele de cobra. Ela tirou os óculos escuros para falar com o metre, ele apontou para a mesa onde eu me encontrava e ela voltou-se para mim. Suspirei aliviado e meu melhor sorriso veio a face, toda aquela aflição desaparecendo de imediato. Era impossível ficar bravo com aquela morena.
Levantei-me e puxei uma cadeira para ela se sentar, como bom cavalheiro que eu era. Um garçom nos trouxe os cardápios, citando os pratos especiais com um sorriso no rosto. Pedimos uma refeição a lá carte e solicitamos a cartela de vinhos. Era um restaurante italiano com o qual já estávamos familiarizados, o preferido de minha acompanhante. Ela adorava massa e carne vermelha. Adorava coca-cola e vinho. Adorava ser tratada como princesa. O vinho era para descontrair e caracterizar o momento. Sempre pedíamos o da casa ou o que o metre sugerisse para marcar o restaurante.
Enquanto nossa refeição era preparada, o garçom serviu as entradas. Ela colocou seu guardanapo sobre o colo com delicadeza, e guardou a bolsa no outro assento. Ignoramos o buffet de salada e avançamos sobre os palitinhos integrais com gergelim, a mussarela de búfala e os pãezinhos de alho sobre a mesa. A conversa rolava solta e descontraída, e isso era o que eu mais apreciava em nossos encontros, a maneira como o papo fluía naturalmente.
As taças foram postas na mesa, e o garçom sacou o rolha da garrafa de vinho e me ofereceu para sentir o aroma. Em seguida, colocou uma pequena quantidade em minha taça, para que eu provasse. Fiz movimentos circulares com a taça e bebi, o líquido fresco e vermelho desceu pela minha garganta. Estava na temperatura correta, o cheiro e o gosto da uva sobrepondo-se ao álcool. Tinto, suave e doce, do jeito que minha acompanhante preferia. Seguido o ritual, o vinho fora servido, um pouco acima da metade da taça para ambos.
Como sempre, o desejo falava mais alto e ela experimentava o vinho antes de brindarmos. Ria, sentindo-se culpada.
- A que brindaremos hoje?
Sua viagem, seu aniversário, suas realizações. Sempre havia um motivo. E o motivo sempre era ela. Colocou sobre a mesa os livros que lhe comprei de presente. Ela era uma leitora nata, rata de biblioteca. Não se encantava com flores e joias. Apreciava um bom romance, uma boa tela de cinema e consumia chocolate todos os dias. Nossos pratos foram servidos, e o garçom nos desejou bom apetite. A orquestra ao fundo embalava nossa conversa, não sentíamos o tempo passar.
- Gostei da mensagem de hoje – disse ela, sincera.
Eu me aproveitava das minhas habilidades como poliglota para todo dia desejar-lhe bom dia numa língua diferente. Amantes da língua portuguesa como éramos, gostávamos também de enumerar nossas palavras favoritas entre os e-mails. Um entretia o outro no quesito cultura. Nunca nos faltava assunto. Para mim, ela estava sempre linda, digna de adoração. Para ela, eu estava sempre elegante e charmoso, eu sabia pelo modo como ela me media quando nos encontrávamos. Eu lhe embebedava de versos, citações, elogios. Seus olhos pretos brilhavam, deliciando-se, esbaldando-se com tudo aquilo.
Mas aquilo tudo não passava de aparências.
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