segunda-feira, 25 de março de 2013

Primeiro Encontro

Depois de passar os últimos anos me esquivando de romances, não me dei conta de que havia esquecido como era estar apaixonada. Passei a noite em claro com os traços de sua feição perturbando minha mente depois do nosso primeiro contato. Esperava ansiosamente em agonia à beira da janela para ver se lhe via passar por minha casa. Passei a olhar a tela do celular de minuto em minuto depois que trocamos nossos números, esperando ver seu nome. E naquele primeiro encontro, torcendo para que tudo fosse perfeito, passando um batom, me perfumando e vestindo minha melhor roupa apenas para que me desejasse. Não podia permitir que a paixão me dominasse, mas antes que me desse conta já estava envolvida, não tinha como voltar atrás, não queria voltar atrás.

Seus olhos procuraram os meus, e não pude evitar encará-lo a fundo. Eram castanhos escuros, quase negros. E me olhavam com tal intensidade que senti como se estivesse vendo através da minha alma. Minha respiração ficou descompassada, obrigando-me a entreabrir os lábios imperceptivelmente. Desviei meus olhos para outra coisa qualquer antes que perdesse o fôlego, mas não sem antes perceber que ele também parecia meio desnorteado.

Um sorriso bobo dominava meus lábios, qualquer movimento era de tamanha importância, eu sabia que ele me observava de soslaio. Eu também lhe observava com cautela. Deliciava-me com o formato dos seus lábios, imaginando sua boca na minha. Ouvia atentamente seu sotaque nordestino me esforçando para decorar o tom da sua voz. Sua pele morena era tentadora e provocante, quase não me continha de vontade de toca-la, sentir a textura nas pontas dos dedos, sentir o gosto na ponta da língua... Podia eu ceder à ousadia? Estava claro que me correspondia, mas não podia assusta-lo, queria conquista-lo.

Céus, nem sabia seu nome, desconhecia sua origem, mas cada palavra que saia de sua boca me tomava à admiração. A maneira como arqueava as sobrancelhas demonstrando surpresa era tentadoramente sexy. Mal dava para acreditar que podíamos ter uma conversa civilizada sem atacar um ao outro. A tensão sexual se fazia presente ali, a química eletrizante pairando sobre nós, uma vontade profunda e infinita de ficar mais perto, mais próximo, mais junto...

As palavras se fizeram desnecessárias, ficar a toa contemplando um ao outro já bastava. Não conseguia desviar minha atenção dele. A maneira como ele me olhava, com tamanha veneração, adorando-me... É como se pudesse me comer com os olhos.

De repente me dou conta de que matar a fome e a sede que tenho deste homem é suficiente para que minha felicidade seja completa.

Nada mais importa.

Quero apenas me entregar,

 me descobrir em seus braços,

  ouvir meu nome em seus lábios,

   soprar o amor para dentro de ti

    e preencher o vazio que há em mim.

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