segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Romance & Erotismo no Século XXI

Recentemente, conclui a leitura de Liberte Meu Coração. Confesso que – mesmo tendo me sentido atraída pelo livro na primeira vez que lhe vi – estava um pouco receosa se Meg Cabot conseguiria manter seu precioso jeito de escrever numa história que se passa no ano 1200. Ela conseguiu e me surpreendeu, o livro entrou para minha lista de favoritos.

Apesar de a história datar uma época onde os homens andavam a cabalo, as mulheres usavam vestidos e casavam virgens e conter aqueles nomes de tratamento que tive um pouco de dificuldade em entender no ensino fundamental, Meg manteve os traços juvenis do século XXI, fazendo com que mais uma vez eu me identifique com sua narração. Mas não foi só por isso que ela me impressionou. 
Eu nunca tinha lido uma cena de sexo picante narrada por Meg Cabot. E olha que já li uma lista extensa de obras dela, pois é uma das minhas autoras favoritas no meu gênero preferido (Meu gênero preferido é Comédia Romântica. Minha autora favorita é Marian Keyes, mas os livros dela não são juvenis). Até desconfiava que ela não levasse muito jeito para narrar essas partes, ou que evitava por causa do seu público. 
Mas lá estava três passagens muito bem escritas em Liberte Meu Coração. A última vez que tinha lido algo erótico foi na trilogia Cinquenta Tons de Cinza. O que, aliás, é o tema deste post. Sei, é hilário, mas o romance que se passa no ano 1200 me lembrou da moderna trilogia erótica de J.L. Smith. Isto porque consegui identificar muitos traços em comum entre essas duas histórias tão diferentes.

Não vou me dar ao trabalho de recontar a história desses livros, o que mais tem no Google são blogs literários que fazem isso, é só caçar lá e depois voltar aqui. Aliás, quem não conhece Cinquenta Tons de Cinza está meio por fora, o livro já está sendo adaptado para o cinema!! Apesar de que há sérias suspeitas de que só será permitido para maiores de dezoito anos.

A conclusão que cheguei é que, independente da raça, classe social, faixa etária, século, e outras condições em que a mulher se encontra, todas elas apreciam um pouco de cavalheirismo. Queremos igualdade entre os sexos, mas isso não significa que queremos ser tratadas como homens, note a diferença
Não é a submissão sexual e poder adquirido com a riqueza que encantou tantas mulheres em Cinquenta Tons de Cinza, mas sim o que isso representa: A liberdade de expressão que desejamos (na cama ou não) sem deixarmos de ser tratadas como as damas que sempre fomos (mesmo que algumas de nós sejamos um pouco feminista, como a personagem Finnula de Meg Cabot). 
Outro ponto forte de Cinquenta Tons é colocar o prazer da mulher em primeiro plano (ainda que de um jeito bastante exótico), quando no dia a dia é o homem que tem essa vantagem (nossa vaidade é tratada com muita superficialidade, e eles se contentam com muito pouco). Isso também se mostra através do filme brasileiro  De Pernas Pro Ar - cujo segundo filme está liderando o mercado brasileiro com u, onde prova que a feminilidade da mulher ainda precisa ser muito explorada. 
Os que criticam são os que ainda não se adaptaram. Mas cada mulher se reserva o direito de manter o estilo conservador. Que mal tem? Apesar de que no livro está bem claro que Anastasia não é uma masoquista, ela inclusive termina com Cristian porque uma vez ele lhe machucou, existe uma linha tênue entre a dor e o prazer que os não praticantes não compreendem. Aliás, a questão nem é essa. Estamos falando de valores femininos. E assumir um gosto excêntrico não altera esse valor. Sim, não somos tão frágeis quanto pensam, mas isso não significa que devemos ser tratadas com rudeza ou falta de respeito.

É difícil para um homem perceber que queremos ser cortejadas antes deles “caírem em cima”?! Que apreciamos o romantismo da mesma forma que a ousadia, afinal um não anula o outro? Que gostamos que nos deixem tomar a iniciativa para depois nos entregarmos (mais uma vez, peço que note a diferença)? Certamente, o carnaval está ao para provar que a arte da sedução está simplesmente se perdendo. Esses homens tem muito o que aprender, ou melhor, resgatar de seus antecedentes.

Um comentário:

  1. Achei perfeito seu post, muita gente vê o lado da submissão no amor como masoquismo ou auto-depreciação, mas a verdade é que existe uma linha que separa o jogo de amor estimulante e o que envolve humilhação e dor inaceitáveis. E penso que não é tão difícil saber onde encontra essa linha, acho que você encontrou o ponto certo, no cavalheirismo. No jogo saudável, o homem sempre está respeitando e adorando a mulher, jamais está agindo para humilhá-la ou se sentir superior; ou mesmo para ter prazer sádico em perceber a dor e o desconforto dela. Se o homem está com esses sentimentos é muito provável que a mulher não está na mesma página.

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