sábado, 20 de outubro de 2012

Reencontro com o Teatro

Neste última semana (15-19/outubro) rolou a 5ª Mostra de Teatro de Jundiaí, que contou com apresentações de grupos de todo o estado na sala Glória Rocha (localizada no Centro das Artes), além da mostra paralela itinerante, no centro e nos bairros da cidade e oficina culturais gratuitas de Dramaturgia e Cenografia, na Casa da Cultura.

Participei de ambas as oficinas. Meus trabalhos não ficaram perfeitos, pois ando meio alienada ao teatro, mas só o fato de eu ter participado das oficinas - ao contrário de muitos que se inscreveram e não compareceram - significa que estou querendo me envolver em essa arte, e esse foi meu primeiro passo. Pena que nem todos compreendem desta maneira.
Aliás, essa foi minha principal dificuldade para me enturmar: a turma toda era bem informada, já eu era alheia ao que falavam. Muitas vezes me senti leiga no assunto.

Para concluir, assisti a última apresentação da mostra, na sexta-feira. Me arrependi de não ter ido nos outros dias, pelo muito que foi comentado, foi muito bom. Pena que há uma deficiência na divulgação de eventos culturais que faz com que nem todos os moradores da cidade fiquem sabendo o que está havendo de interessante. Se você não é do meio, a informação dificilmente chega a você.


Cenografia


Cenografia é a arte, e ciência de projetar e executar a instalação de cenários para espetáculos teatrais ou cinematográficos. Alguns autores confundem com um segmento da arquitetura. A cenografia é parte importante do espetáculo, pois conta a época em que se passa a história, e conta o local em que se passa a história, pelo cenário podemos identificar a personalidade dos personagens. Entre os profissionais envolvidos nas atividades de cenografia estão cenógrafo, cenógrafo assistente, cenotécnico, contra-regra, pintor, maquinista, forrador, estofador aderecista, pintor de arte, maquetista.
Fonte: Wikipédia



Os ministrantes (Daniel Sommerfed e Marília Scarabello) fizeram uma apresentação da Cenografia Teatral Contemporânea com base em imagens, fotos, vídeos e outros materiais. No final da oficina foi proposto uma atividade onde tínhamos que construir uma maquete com base nas impressões obtidas a partir de um objeto comum.
A Marília é um amor de pessoa, muito humana e atenciosa, adorei conversar com ela, ouvir suas reflexões e achei uma graça seu descontentamento com o espaço e o tempo, sempre preocupada em nos dar o melhor e o possível dentro dos limites impostos.
O Daniel é apaixonado pelo que faz e mostrava isso claramente no que falava e no que mostrava. Vi nele uma necessidade de transmitir essa paixão para a gente.
Um dos motivos que me instigou a conhecer cenografia é que eu danço. Para dançar é preciso sim um espaço que condiz com sua apresentação. E um espaço teatral com efeitos de luz e musicalidade é o sonho - imagino eu - de toda dançarina que quer se ver num espetáculo.

Dramaturgia


Dramaturgia é a arte de composição do texto destinado à representação feita por atores. O dramaturgo pode atuar na tragédia, na comédia, no drama histórico, no drama burguês, no melodrama, na farsa e até mesmo no gênero musical. Entretanto, a dramaturgia não está relacionada somente ao texto teatral, ela está presente em toda obra escrita para as artes cênicas: roteiros cinematográficos,telenovelas, sitcoms ou minisséries.
Fonte: Wikipédia


A oficina, ministrada por Tábata Makowski, teve como objetivo nos apresentar as principais caraterísticas da dramaturgia teatral, ferramentas de criação que não são necessariamente regras, a apresentação seguiu com base em referências de grandes dramaturgos. Além das leituras, construímos um texto através do tema proposto.
A Tábata é uma ótima ministrante de oficina, ela soube conduzir a turma, administrar o tempo e o espaço, fez um planejamento de conteúdo perfeito. Todo mundo participou, discutiu e se envolveu. Por mais que teve poucas pessoas, as poucas que tiveram absorveram bem o conteúdo e deram o melhor de si nas atividades propostas.
Mas meu negócio é romance, não há jeito. Todavia, que mal tem eu querer conhecer e aprender outras estruturas textuais? Sei que é irritante usar meus textos literários para justificar meu modo de escrever, mas meu potencial está ali, precisava usá-lo como modelo e comparação.

Ja que estava aprendendo dramaturgia, achei que seria complementar estudar o espaço onde o teatro acontece, por isso fui fazer cenografia. Se eu consigo montar uma cena em minha mente, então eu posso criar um texto para aquela cena.
O ministrante insistiu que para trabalhar melhor em qualquer área do teatro é preciso atuar, pisar no palco. Ele não entende que, como romancista, o personagem esta dentro de mim, e isso é tudo o que eu preciso para passa-lo pro papel.

Cinza


Último espetáculo da Mostra de Teatro de Jundiaí, direcionado ao público adulto.
Aborda de maneira poética os conflitos de uma mulher que vive entre lixos de papel, tratando de procurar alguma explicação, um motivo que justifique sua trágica história. Entre caixas de papelão cuidadosamente preparadas e mediante a manipulação de um boneco encontrado, ela irá mergulhando em seu passado até chegar a um confronto de seus próprios medos e conflitos que nunca se acabam.


Pelo que compreendi, a atual formação da companhia existe a pouco tempo,  e eles trabalham exclusivamente com teatro de animação.
Esta peça está em processo de aprimoramento, foi bastante criticada pelo público pela falta de contraste, mas eu particularmente adorei o propósito e a maneira como foi colocado no palco, abrindo um leque de ícones significativos para representar o realismo.

Fiquei tão empolgada com a experiência que até pensei em entrar para a comissão de teatro. Mas já mudei de ideia. Sou apenas uma admiradora do teatro, não cabe a mim discutir projetos de incentivo para a cidade, prefiro deixar essa parte política para quem entende do assunto e sabe o que está falando.
Devia ter pegado os contatos da Marília, Daniel e Tábata para vocês, né?


Às vezes me sinto perdida e confusa. Sempre com aquela sensação de deslocamento. Não sei se estou na cidade errada, se vim da família errada ou se ando com as pessoas erradas, só sei que sinto que não sou daqui, que esse não é o meu lugar. Preciso mudar de bairro.
Engraçado quando encontro alguém como eu, com quem converso de igual para igual, quando estou numa oficina de artesanato ou quando assisto uma peça de teatro em meio a pessoas que apreciam aquilo. Eu me encontro.
Talvez o errado esteja em mim, não?

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