sábado, 7 de julho de 2012

Eu danço ♪♫♪

Ligo o som e insiro meu único CD. Encaminho-me até o lugar mais espaçoso do quarto e fecho os olhos, tentando absorver a música. Estou descalça, sentindo a maciez do carpete. Uso apenas lingerie preto e um véu de veludo escuro, comprido e grosso, com renda nas pontas, amarrado na cintura.
Lembro-me nitidamente de como conheci esta dança. Minha mãe me levou para participar de algumas aulas, tentando me convencer do quanto seria boa para mim. Ela queria que eu aprendesse dança de salão. Segundo a psicóloga, trabalhar minha expressão corporal me ajudaria a me livrar da timidez.
Naquele dia eu fui cativada pela dança do ventre, justo a dança que eu guardava um certo preconceito, julgava ser muito careta.
É lógico que não compartilhei essa estranha paixão com ninguém. Mas sempre que me encontrava sozinha e a vontade, eu ligava o som para extravasar. Eu sentia o ritmo percorrer minhas veias, eu me entregava àquela sensação maravilhosa, tentando compreender o que a música me dizia.
Anos depois, aqui estou eu: dançando sob o ritmo gótico, mas ao som de Beats Antique, entrando em contato com meu interior. Dançar é a minha terapia. Eu não preciso pensar, eu não preciso criar coreografias, a música me diz o que fazer. Apesar do tempo passado, apesar de ter parado de frequentar as aulas, eu guardo cada movimento comigo. E é só ouvir esse som que meu corpo inteiro pulsa, que eu sei o que fazer.
Os sentimentos mais profundos despertam com os movimentos fascinantes, revelando minha mais pura essência. Ondulo os braços, caminho nas pontas dos pés, relaxo o pescoço e deixo meu quadril se descolar e minha barriga se contorcer, estabelecendo harmonia, sensualidade e mistério entre os movimentos.
Uma verdadeira dançarina dança inclusive com os olhos. Você sente sua feminilidade aflorar com a naturalidade dos seus passos. Você sente em seu olhar que sua alma esvoaçou e que ela se entregou ao devaneio.
Todas as pressões relaxam, passo a fazer parte de um universo só meu. Pinto o rosto, pinto as unhas, encho-me de acessórios metálicos, faço um penteado simplório com os cabelos amarrando-o com meu laço. É preciso adotar o estilo fisicamente para senti-lo emocionalmente.
Assim, me perco em horas com a atividade lúdica, dançando delicadamente gótica, deixando meu corpo expressar o que minha alma está ouvindo através das vozes e sonidos reproduzidas nas músicas que mistura ocidental e oriental...

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