segunda-feira, 18 de junho de 2012

Workshop de Roteiro para Curta Metragem

Ministrado por Diogo Gomes dos Santos, cineasta, historiador, educador de oficinas audiovisuais, especialista em roteiro e velho. Vocês acreditam que eu senti um tom em sua voz de “santa ignorância, vocês nem ao menos tem noção do que é um cineclube!”?

A oficina foi realizada no Senac Jundiaí, neste sábado (dia 16) com duração de 5 horas. Eu me perdi e quase não me achei para conseguir chegar lá. Mas o lugar é lindo, muito bem estruturado e etc. Foi uma aula gratuita, mas a sala tinha internet, projetor, assentos confortáveis e até lanchinho. Adorei. Tal oficina é um projeto do Cineclube Consciência, que exibe filmes todas quarta-feira na sala Glória Rocha. A Tânia, produtora, é uma mulher super bacana. Ela também apresenta o Cinecurta TV todas as terças às 20h, que pode ser visto na NET (22), VHF (14) e na internet: www.tdredepaulista.com.br

Nos meses anteriores houve a compreensão do que é documentário e do que é ficção. Tá legal, nós muito bem o que é isso, mas a realidade e a ficção podem ter compreensões diferentes dependendo do plano em que se encontra. Na literatura, a realidade é aquilo que acontece no nosso mundo, com os humanos que aqui habitam, no seu mais puro egoísmo e ambição. Numa pintura, a realidade consiste em retratar o real de modo a causar a ilusão de se trata de uma fotografia e não um monte de tinta. E numa curta metragem, a realidade está presente quando o filme editado foi realizado com pessoas normais, do cotidiano, da história em si.

No workshop que presenciei, recebemos o desafio de criar um curta metragem que mesclasse documentário e ficção. Eu saquei que o Diogo tinha todas as ideias em sua mente, mas ele apenas dava a pista para estimular as mentes há trabalharem juntas, como se fossemos nós que estivéssemos tendo as ideias.

No próximo mês colocaremos o curta criado em prática. Sim, criaremos um filmes de no máximo 12 minutos! Para isto será necessário equipamentos, atores, voluntários, edição de vídeo, direção, produção, arte, análise técnica, pesquisas, imagens iconográficas, decoupage, e outras expressões bonitas que aprendi.

Confesso, o único termo que me atraiu para lá foi a ideia de aprender a escrever roteiros (que eu descobri ser bem diferente de texto de teatro). Não imaginava que fosse ficar tão encantada com aquelas pessoas envolvidas na arte, ainda que não seja a mesma arte que a minha. Confesso também que senti muito dificuldade em fazer minha mente trabalhar no ritmo das dele, afinal eu penso como romancista, e faço uma ideia bem mais profunda de imagem do que apenas o que a imagem transmite. A noção deles, apesar da maioria ali presente trabalhar com vídeo, era bem diferente da minha. Achei que faltou um pouco de definição, de plano de ação, muito papo para pouco resultado... Ou será que é porque vídeo foge um pouco da área de artes e humanas?

Darei um exemplo. Num certo momento, o professor ressaltou que precisávamos analisar o que estávamos criando com diferentes olhares, o olhar feminino, o olhar masculino, o olhar infantil. Alguém sugeriu de mudar o sexo do personagem principal, para adequar ao contexto. Primeira fala que me fez perder o fôlego: “Mudar o sexo não altera nada no conteúdo.”!! Como assim?? Muda tudo! Imagine um moleque magricelo de pé no chão subindo numa árvore para colher maçãs. Agora imagine uma garota magricela de pé no chão E vestidinho subindo numa árvore para colher maçãs. Sacou? Muda tudo! Segunda fala que me arrepiou meus cabelos: “Mas uma mulher independente, bem sucedida e realizada profissionalmente não é muito realístico. Mulher não é assim”!! Foda-se, e se fosse uma mãe solteirona punk e executiva? Diferente né? Mas, confessa, você não ficaria interessado em ver qual é a dessa mulher? Terceira fala, aí eu já estava roendo as unhas: “Se ela é tão bem realizada, porque ela sente um vazio?” Porque ela é MULHER! Mulheres não se sentem preenchidas com dinheiro, filho criado e corpo enxuto e homem gostoso para chamar de seu! Não é, mulheres? Mulheres?

Entre outras coisas que soltaram que me deixaram P da vida. Tipo: Como assim começar a história com um pedaço do meio? Vamos quebrar a ordem cronológica, a sequência correta que aprendemos a fazer quando estamos na quarta série, composta por começo, meio e fim?

Mas, enfim, foi divertido. Depois de um tempo, abandonei minhas ideias surreais e comecei a pensar como eles, opinando aqui e ali. Percebi que eles não conseguiam mesclar ideias, para aderir uma precisando abandonar a outra. Comecei a seguir este ritmo, e senti que estava sendo melhor aceita.

O gosto de participar de oficinas é isso: Situações propostas, desafios, ideias forçadas, imaginação aflorada, trabalhar a agilidade da mente, estimular a auto confiança para expor o que você pensa sobre o assunto, adequar-se aos outros perfis para poderem trabalhar juntos.

Nunca tive muita experiência na área de vídeo. Mas, quando criança, costumava reunir as amigas e assistir vários filmes seguidos, ou fazer uma sessão pipoca durante toda a semana. E eu sempre gostei de ver o making off dos filmes. Agora, estou querendo me aprofundar mais neste meio. Aprendi bastante coisa interessante na oficina... Vamos a elas?

Roteiro

Dificilmente é colocado em prática da maneira que foi proposto. O roteiro é apenas uma base para o filme, durante a produção ele é modificado várias vezes, principalmente pelo diretor, para que se possa encaixá-lo na filmagem de um modo que proporcione uma visualização melhor, uma ideia diferente na cabeça das pessoas.

Modelo de Roteiro

Sequência nº - Local interno/externo – período manhã/tarde/noite – cenário
(situação, citando todos os nomes e detalhes necessários para que a cena e o personagem sejam caracterizados depois)
Personagem: Fala
Personagem: Fala

Como podemos observar na primeira parte do modelo do roteiro, ele precisa ser escrito na ordem em que as coisas acontecem, não seguir uma ordem cronológica comum. Se no meio do texto passa um noticiário na TV, a próxima sequência deve ser o que acontece na TV.

Complementos e anexos

É comum dar indicações de como você, como roteirista, quer que a cena fique. É comum enviar fotos e etc para ser usado como referência no trabalho do grupo de arte. O roteirista precisa ter essa preocupação em passar exatamente o que ele imagina.

Documentário

Para criar um documentário é preciso pesquisar, entrevistar pessoas, recortar trechos de vídeos, filmes, músicas, livros e imagens. O interessante é incluir fotos, mostrar a história popular e usar personagens da vida real.

Ficção

Um roteiro rígido e consistente, onde nossa imaginação pode fluir. Todavia, é bem mais provável de sofrer diversas mudanças no conteúdo, na ideia proposta.

História

Toda e qualquer história tem que ter compatibilidade lógica, sentindo, evolução. Toda ação tem que ter um motivo. 

Personagem Principal

Nos dias de hoje, é normal encontrar mais de um. Mas, para focar o principal, siga esta ideia: O personagem principal é aquele que evolui dentro da história, ou seja, é aquele que faz acontecer, ou com quem acontece as coisas.

Determinante

Sãos as ações postas na história, são as visões diferentes que a gente tem. Um homem de saia beijando uma pessoa que parece mulher tem quantos determinantes? Reflita.

Cineclube

Grupo de pessoas que apreciam cinema e participam de festivais e debates e apresentações, tem um olhar crítico sobre os filmes. O Diogo nos contou basicamente qual a história do cinema. Ele contou que foi uma evolução muito rápida e marcante, mas somente um tempo depois que começaram a envolver outras artes e usar a câmera em movimento, que a ditadura prejudicou esse comércio, que os “efeitos visuais” eram feitos com ilusionismo.

Filme

Assistir um filme é um ritual: A gente se prepara para recebê-lo.

Filmagem

A cena é rodada, no mínimo, 3 vezes, para ser escolhida 1. Além disto, é gravada em ângulos diferentes, muitas vezes usando mais de 2 câmeras, para criar efeito visual. Charles Chaplin, para chegar na simplicidade de seus filmes, ele abusava da técnica.

Meta Linguagem

Um filme dentro de um filme. Tipo filmar um homem filmando um gato. Tendeu?

Doc Ficção

Documentário fictício

Texto Off

Quando o texto do roteiro é ilustrada com imagens, e as palavras em si não aparece no vídeo.

Imagens Iconográficas

Fotografias de época, antigas.

Análise Técnica 

Analisar o que é preciso para montar cada cena, desde quantidade de pessoas à materiais e tal.

Decoupage Técnica

É o plano de página, ou seja, o roteiro precisa mostrar exatamente o que acontece no vídeo.
Compreensão do vídeo
É preciso considerar todos os olhares, feminino, masculino, infantil...: O que essa cena quer transmitir? Se eu fosse um homem, de que forma eu veria o que está acontecendo?
Ás vezes uma imagem pode falar mais que as palavras, afinal, o que é dito e como é dito pode proporcionar diversas compreensões de quem assiste.


Estou super ansiosa para ver como vai ficar o curta que eu, de certa forma, estou ajudando a construir.

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