quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Diário de Adolescente


Comprei minha agenda de 2013 em novembro. Ela é roxa e preta, da Gloss. É uma agenda de estudante, tem todas aqueles espaços frescurentos para anotações sobre mesadas, aniversários, provas, menstruação, favoritos do mês e blá blá blá. Mas isso não importa.
O fato de eu ter comprado a agenda significa que em novembro eu desisti do ano e comecei a esperar pelo próximo. O motivo de eu ter comprado a agenda é que contém citações literárias em cada página do diário.

Eu ainda escrevo diário. Acho que isso é uma característica de pessoas solitárias. Quando tenho companhia, escrevo menos. Quando me sinto sozinha, escrevo a todo vapor. Apesar de que o The Sims está arrancando um pouquinho da minha inspiração. Ao invés de escrever a história, eu jogo. Quando estou insatisfeita, jogo imaginando uma vida maravilhosa e me sinto melhor. Porém, iludida.
Enfim, sou uma viciada. LPTS de carteirinha. Já inclui na minha lista de desejos três pacotes de expansão: Gerações, Estações e Volta ao Mundo. Vou comprar no meu cartão de crédito. Aliás, o cartão de crédito é um caos para quem não tem renda fixa. Como eu.

É aí que eu queria chegar.

Quando penso que já sei o suficiente para lidar com o mundo e as pessoas, Deus me coloca numa situação que me faz sentir um tanto ignorante. 2012 tem tudo para ser classificado como um ano maravilhoso, se termos em vista meu progresso financeiro.
Consegui um primeiro emprego bom que me garantiu salário fixo por seis meses. Consegui um dinheiro extra maravilhoso do qual usufrui por três meses. Fiz um cartão de crédito. Risquei mais de metade da minha lista de metas.
Mas consumismo e comodidade não me levaram a lugar algum.

Duas coisas que me arrependo de não ter feito quando tive condições: 1) Entrar num curso de Inglês quando eu tinha 14 anos e 2) Tirar minha habilitação em agosto. Com esses dois itens, eu teria aumentado a minha renda em pelo menos 50% no mercado de trabalho atual.
Ah, que pena que minha mãe não me pressionou mais um pouco, como ela normalmente faria. Mas eu entendo a postura dela, afinal tive iniciativa para estudar exaustivamente por seis meses em 2010.

Atualmente, estou trabalhando na Associação Comercial de Várzea Paulista. Não me pergunte porquê. Eu também não sei. Acho que é um meio de me castigar por ser seletiva demais.
De qualquer forma, espero o melhor de 2013, apesar das condições em que me encontrarei. Espero pelo menos poder beijar bastante no Carnaval, comer ovos de páscoa na Páscoa, trocar presentes no Natal e viajar no Ano Novo.

Dia dos Namorados não entra no meu calendário. Por um bom tempo. Se depender de mim, vou namorar depois dos vinte, se eu tiver alguma renda pessoal pra ele não achar que dependo dele, que espero algo dele ou que ele tem alguma obrigação comigo. E, mesmo não dependendo de mim, não vou namorar, porque quero ser bem nerd na faculdade e estarei andando de um lado para o outro com aqueles aparelhos bucais/dentais/seilás externos (aquele que fica uma almofadinha no pescoço).

Por que tenho a sensação de que a faculdade vai acabar com a minha vida?

Ou será que é o aparelho? Eu disse para a minha dentista que isso ia acabar com a minha autoestima.

Poxa vida, me sinto tão adolescente. Ei, eu sou adolescente! Então tenho o direito de ficar assim. Melhor me aproveitar da idade enquanto ainda posso usar ela como desculpa.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Garota de Programa

A maneira como ela se agarrava àquele pedaço de metal, esfregando-se nele como se fosse mais do que isso, realmente não deixava a desejar. Tudo em si era um atrativo, a maquiagem valorizava os traços fortes de sua face, a lingerie destacava suas curvas. Mas, além desses apetrechos, ela tinha um jeitinho sedutor que excitava qualquer um, homem ou mulher. Ela sabia como dançar, para quem olhar e como olhar, como mover os lábios, como fazer para ser desejada.

Era ela quem escolhia seus clientes, mas eles não sabiam disso.

Cada gesto era uma armadilha, e quando dei por mim estava sob o seu domínio. Pelo menos era isso o que eu queria. Manoela, era esse o nome dela, pelo menos fora isso que me dissera. Era uma garota jovem e esbelta, que sabia e fazia bem a arte de encantar. Manoela sabia exatamente qual tom de voz usar e em que momento usar, sabia quando agir e como agir. Talvez sua experiência nas casas noturnas da cidade havia lhe ensinado a usar e abusar de estratégias.

Estratégia: uma palavra que estava entre as suas características. Todavia, noite após noite, de trabalho e diversão acabamos criando um romance. Pelo menos de minha parte, ela mantinha seu jeitinho profissional.

Quando nos tornamos mais próximos de alguém captamos costumes e manias que quem é de fora não é capaz de notar. Manoela era calculista, sabia exatamente como administrar seu dinheiro. Ela sonhava em fazer faculdade. Quando o cliente era bom, ela procurava não encontra-lo mais, para não se entregar demais, tinha que por limites em seus desejos, em seu ofício não era ela quem tinha que sentir prazer, seu papel era unicamente satisfazer.

Isto é como entre homens e mulheres, afinal são de sexos opostos, criados para se relacionar. Quando se correspondem na cama, nasce a paixão no cotidiano. Quando há afeto no relacionamento, nasce a apetite sexual. Todavia, a diferença é que os homens não precisam de paixão para sentir o desejo carnal, e para as mulheres sexo bom não basta. Os homens tem uma capacidade incrível de envolver-se sem estar envolvido. As mulheres tem uma capacidade incrível de fazer sexo com indiferença. São comportamentos distintos: eles valorizam demais a relação carnal, elas não. Para elas, sexo é consequência.

Os homens que se prostituem não são bons amantes. São artificiais demais. Elas se divertem, é claro. Realizam todas as suas fantasias perversas. Elas se divertem.

Ao contrário dos homens, vulneráveis aos desejos da carne, as mulheres sabem se conter, quando querem. Sabem envolver, quando querem. Cativar faz parte da natureza delas. Nós, meros humanos masculinizados, somos apenas brinquedinhos frágeis em suas mãos.

(N.A.) Momento eu com raiva da raça masculina.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Lar


O lar de uma pessoa é como um delicioso pedaço de torta que você pede no restaurante de uma estradinha campestre em uma noite agradável — o melhor pedaço de torta que você já comeu na sua vida — e que nunca mais encontra de novo.
Depois que você sai de casa, pode sentir saudades do lar, mesmo se estiver numa casa nova que tem um belo papel de parede e uma lavalouças mais eficiente que a da casa em que você cresceu, e não importa quantas vezes a visite poderá nunca realmente vai se curar da sensação palpitante de saudades no seu peito.
A saudade do lar pode atacar até quando você ainda está vivendo no seu lar, porém é um lar que mudou com o passar dos anos, e você sente falta do tempo — mesmo se esse tempo só existiu na sua imaginação — em que o seu lar era tão delicioso quanto na sua lembrança.
Você pode procurar na sua família e na sua mente — assim como pode procurar em estradinhas campestres escuras e sinuosas — tentando recapturar a melhor época da sua vida, para poder curar a sua saudade do lar com um segundo pedaço daquela torta de um sonho distante, mas a sua busca terminará em vão, pois você perdeu o mapa que lhe dizia onde virar, e o restaurante pegou fogo há muito tempo, e a cozinheira que fez a torta se cansou de esperar por você e em vez disso dedicou a vida a fazer massa de tomate, mas ela não é muito boa nisso, e agora você está perdido na vida, as trevas se fecham sobre você, sem nada a não ser uma palpitação triste no peito e um gosto amargo na boca.
Lemony Snicket: Raiz Forte

sábado, 3 de novembro de 2012

Marian Keyes

Obs. Esse texto contém muuuuito spoiler o.O


Marian Keyes. Eu adoro os livros dela, é mais fácil falar quais eu gosto menos, mas favoritos eu não tenho, amo todos.

A Marian escreve comédias românticas. Ela usa a comédia para narrar sobre temas muito sérios. Ela nos faz rir e chorar com a mesma intensidade. A gente se delicia com a leitura, mesmo quando se trata de um trecho que você sabe que não acrescenta nem subtrai nada na história.

Ela utiliza uma das técnicas que mais amo, quando o narrador tem essa introspecção psicológica. Ele narra e pensa. É muito bom. Todos seus livros são assim.

O primeiro livro que eu li dela se chama Sushi, o romance conta a história de três mulheres distintas, que vivem realidades diferentes. É narrado em primeira pessoa (mais ou menos como fiz em MDD). Uma, a Ashley, é uma mulher romântica, que trabalha numa revista de moda e tem tendência à depressão, ela se apaixona pelo editor. A outra é uma mulher independente, autoconfiante e fria, que está passando por um divórcio, editora da revista de moda. E a terceira eu não me lembro bem, mas era uma personagem mais normalzinha. O que mais me encantou na história é que num determinado momento as três se veem na mesma situação, vivendo o mesmo dilema, passando por um colapso nervoso de mesma intensidade, ainda que por motivos diferentes. Neste momento a gente se dá conta que, independente da classe social ou dos dramas de cada uma, são todas humanas, são todas mulheres frágeis e apaixonadas.

Ah, eu tenho que falar de Férias. Nesse livro, a família de Rachel a interna numa clínica de recuperação por dependência química. Ela era uma viciada em cocaína e não sabia. E o pior é que nem a gente se dá conta, realmente acreditamos na sua palavra, achando que cometeram um engano em colocar a pobrezinha no meio daqueles viciados. Mas ao longo da história ela vai alternando entre o presente (repulsa pelo lugar) e o passado (como conheceu o namorado, as festas com os amigos, seu envolvimento com a família). Mais para o final, numa das terapias em grupo, as mesmas lembranças se repetem, mas sob a versão de outras pessoas (seu namorado, sua amiga, sua irmã), e nos damos conta de como ela estava mal. No final ela ainda tem uma recaída logo depois de sair da clínica, mas depois se recupera novamente. É uma história de superação, e vi muito da autora ali.

Marian Keyes é uma escritora irlandesa formada em direito, sem, contudo, jamais ter exercido a profissão. Morou em Londres por muitos anos, trabalhando ora como garçonete ora em escritórios. Neste mesmo período começou sua luta contra o vício do alcoolismo e, inclusive, uma tentativa de suicídio. Depois de vencida a batalha, alcançou o sucesso como escritora e mora em Dublin com o marido. Seus livros exploram o universo feminino com muito humor e leveza. Seus temas centrais no entanto levam a tona muitos assuntos delicados. Fonte: Wikipédia

O que a fez estourar foi a publicação de um dos seus primeiros livros, Melancia, dá para ver nesse livro que ela ainda não estava a vontade para escrever. O livro conta a história de uma mulher cujo marido pede o divórcio no instante em que ela ganha o primeiro bebê. Ela passa o livro inteiro melancólica, sofrendo pelo casamento arruinado, se culpando. Então ela se apaixona novamente, mas assim que se marido lhe procura ela volta para ele. Ele aponta todas as suas falhas, diz que se ela quiser que fiquem juntos novamente vai ter que ser mais reservada, mais dona de casa, uma boa esposa.

E essa é a parte melhor: Ela se dá conta de que não quer isso. Não quer ser a pessoa que ele deseja, quer ser ela mesma. Então ela se dá conta de que não lhe ama mais, e termina com ele lhe falando coisas horríveis (que homem que é você que abandona a esposa grávida?), corta todas as relações com ele e volta para os braços do gostosão que ela conheceu em Dublin.

Seus personagens mais conhecidos são o da família Walsh, ou seja, há cinco romances, e cada um conta um fato importante que aconteceu na vida de uma das cinco filhas Walsh: Rachel, Claire, Magh, Annah, Hellen.

Vamos ao da Magh: ela era casada com um homem maravilhoso, e criticada pelas irmãs por sempre ter sido a mais certinha. O casal estava tentando ter filhos, sem sucesso, e eis que ela descobre que seu marido está lhe traindo. Amargurada, ela vai para Los Angeles, onde vive altas aventuras, digamos assim. Ela faz de tudo, até fica com uma mulher! É muito gostoso esse processo de libertação dela. Mas então seu marido vai até ela, implorando para ela voltar para casa, que ele lhe ama e será fiel a ela para sempre, e ela percebe que lhe ama o suficiente para querer voltar, e que acredita no seu amor o suficiente para perdoá-lo. Dois meses depois ela consegue engravidar. E o barato de tudo é que ela é roteirista =)

O último que li da família Walsh é o da Annah, a caçula, de trinta e poucos anos, chamado Tem Alguém Aí? Passei metade do livro perguntando-me por que seu marido foi embora, por que ele não volta - se lhe ama tanto, por que ele a deixou nesse estado deprimente... E eis que descubro que ele não vai voltar, nunca mais, pois ele está morto. Foi um choque daqueles, afinal ela havia narrado todo o desenrolar do romance dos dois, e eu estava rindo a beça até então, quando fui surpreendida por tal tragédia. O livro perdeu a graça para mim depois disso, entrei em estado depressivo como a personagem, rs. Ela não se apaixonou novamente, nem se esforçou para superar, o mais louco que fez foi ficar tentando se comunicar com o outro mundo.

A autora costuma usar citações de filmes e livros para descrever uma situação ou uma pessoa e até copia falas, expressões muito populares, deixando a história bastante interessante. Por exemplo, tem uma parte que a personagem estava num encontro com um cara e pensa: “Eu estava diante de um homem que assistira ao filme Chocolate pelo menos cem vezes. (...) Agora era 9¹/² Semanas de Amor. Isso era demais para minha cabeça.”, ou seja, ela presume quais filmes aquele cara curte para se comportar daquela maneira.Neste final de semana conclui a leitura de A Estrela Mais Brilhante do Céu. É engraçado os títulos que a Marian escolhe para seus livros, geralmente eles se justificam em uma linha, no máximo uma parágrafo, no meio das 600 páginas. No caso, este se chama assim porque em alguma parte o personagem diz, tentando conquistar uma moça: “Você sabia que a estrela mais brilhante do céu não é uma estrela, e sim um planeta? É Vênus, o planeta do amor”. O livro se baseia na filosofia de que morte e vida andam lado a lado.

O livro aborda cerca de 5 histórias paralelas, mas os personagens se encontram e desencontram de alguma forma. No início, achei que era narrado pela morte, mas é totalmente o contrário, o livro é narrado pela vida tentando localizar um casal que se amam de verdade para vir ao mundo como um bebê. O casal abençoado é um homem de 42 anos que trabalhava além da conta, mas renegou seu vício por Katie, uma mulher que acaba de completar 40 anos e se sente amarga por não ter casado e tido filhos.

Outro casal é o Matt, gerente de vendas numa empresa de software, e Maeve, uma mulher do campo que sofre abuso sexual pouco tempo depois de se casar com Matt, e sofre muito por ninguém ter acreditado nela, por que o cara que a estuprou era seu ex-namorado, um cara muito querido por todos. Esse abuso faz com que ela tenha uma fobia de homens, e ela praticamente para de ter relações com Matt. O coitado do Matt perde a vida social, vai mal no trabalho e ainda tem que aturar a pressão da família, pois ninguém sabe o que houve com Maeve a não ele, os policiais que não prenderam o cara, e as melhores amigas dela que não acreditaram nela. No final do livro ele tenta se matar, e isso faz com que Maeve desperta para o lixo que a vida dela estava, e eles são abençoados com um bebezinho. (Eles fazem uma rotina diária interessante que consiste em fazer uma boa ação para alguém e anotar três bênçãos no final do dia. É para estimular a motivação na vida).

E há uma senhorinha, me identifiquei muito com ela. Ela é bastante sensitiva, mas não se rotula vidente, diz que enxerga o óbvio devido aos seus anos de experiência. Apesar de solitária e um pouco ranzinza, ela é bastante respeitada pelos demais moradores, e tem um coração muito bom. Ela tem um cachorro com cara de burro que é muito esquisito e se chama Rancor. Quando foi no canil adotar um cachorro todos ficaram surpresos por sua escolha. Sua justificativa foi: “Cães equilibrados sempre encontrarão um lar, mas são os estranhos que realmente precisam de um”. Ela tem um filho adotivo que é jardineiro e se apaixona e desapaixona muito rápido. Ele atribui significados as plantas, ervas e sementes e é apresentador de um programa de jardinagem. Sempre se envolve com mulheres comprometidas. Sua mãe verdadeira morreu aos 30 de câncer, e ele nunca superou isso, por isso, mesmo tendo 27, prefere mulheres acima dos 30. Para ele, elas são mulheres vitoriosas.

E tem a Lydia, que é uma figura. Ela é baixinha, turrona e motorista de taxi. Descobriu que seu namorado saia com outras mulheres, terminou com ele, transou com o cara com quem dividia o apartamento mesmo odiando ele, começou a namorar um homem rico só porque ele era rico e terminou com ele quando percebeu que ele amava outra mulher, então começou a namorar um músico pobretão, não, namorar não, só transar com ele. Mas toda sua frieza tinha um motivo, Lydia carregava o fardo de uma família grande e inútil. Descobriu que a mãe não estava bem da cabeça, mas ninguém quis acreditar nela, nem o médico, e ela ficou praticamente em apuros por quase um ano. Somente quando a mãe quase morreu por puro descuido foi que seus quatro irmãos voltaram a atenção para ela e o médico reconheceu o erro. Sua mãe estava ficando demente. Todo livro tem forma de narrativa, logicamente, mas há 4 capítulos que contém somente uma lista: 1ª Coisas que lydia odeia, não necessariamente nessa ordem (segue uma lista extensa), atenção! Essa não é uma lista completa. A mesma coisa se repete na segunda lista. 3ª Coisas que Lydia ama, não necessariamente nessa ordem (segue uma lista de no máximo cinco itens), atenção! Essa é uma lista completa. E, finalmente, a quarta lista é mais uma continuação das coisas que ela odeia. Ri muito com isso.

Enfim, eu indico Marian Keyes, porque ela é fabulosa, e seus livros tem tudo a ver comigo, apesar de eu ser bem mais nova e viver situações completamente diferente das suas personagens. O próximo que lerei é Cheio de Charme.

Obs. Quem quiser acompanhar meu relatório de leitura, me adicione no Sckoob =)


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Oficina de Cenografia Teatral Contemporânea





As observações a seguir foram feitas com base nas minhas anotações da Oficina de Cenografia ministrada por Daniel e Marília na Casa da Cultura em Jundiaí. Corrijam-me se eu estiver errada.

O que é Contemporâneo

  • Entende-se por contemporâneo aquilo que causa forte contraste, seja nas cores, no ambiente, na disposição dos objetos, no figurino, na interpretação dos personagens, na música e etc.
  • Coetâneo é aquilo que segue a linha do tempo, ou seja, a arte é feita conforme a época em que se encontra. O contemporâneo vai contra ao que é moderno. Devido a isso, há muita relação com o realismo.
  • O modelo aristotélico de teatro opõe-se ao costumes sociais considerados normais. Zietgeist significa "o espírito da época". 

Elementos do Teatro Cotemporâneo

  • A encenação se mistura com a performance. 
  • Ele utiliza o corpo como objeto, e o tempo como linguagem. 
  • Na maioria das peças, o público se envolve com o teatro, participando e contribuindo na encenação. 
  • Nem todos que interpretam são atores, pois o teatro contemporâneo abre alas para a multidisciplinaridade na arte, ou seja, vários tipos de artistas se apresentam com dança, música, etc. 

Ferramentas Importantes

  • Iluminação, cores e música: Em conjunto (ou não) eles mexem com o inconsciente de quem assiste. 
  • A iluminação tem a função de revelar significados. Com luz podemos trabalhar intensidade, volume e dimensão. 
  • O tripé da equipe de criação consiste em encenação, espaço e luz.

domingo, 21 de outubro de 2012

Elementos da Dramaturgia



Abaixo, os principais elementos da dramaturgia, característica do uso da palavra que servem como importantes ferramentas para o dramaturgo. Não são impostas como regras, e é opcional usá-las ou não. Tal lista foi estudada e comentada durante uma oficina de dramaturgia ministrada por Tábata Makowski na Casa da Cultura em Jundiaí/SP.



1. Rubricas

  • Cênicas: O que acontece
  • Dramáticas: Como acontece
  • Como um diálogo criativo entre dramaturgo e encenador: Descrição psicológica

2. Falas

  • Palavra-ação: Exige uma resposta de quem ouve
  • Palavra-descrição: Descreve fisicamente ou psicologicamente o ato
  • Monólogo: Reflexão e/ou devaneio do personagem
  • Diálogo: Falas contidas - uma fala provoca a outra
  • Personagem-linguagem: Quando as palavras constroem o personagem

3. Contexto

Responsável pelo ruído causado pelo texto. Pode se referir a:
  • Lugar/Condições em que a ação dramática se dá
  • Contexto como potencializador e/ou modificador do texto

4. Instâncias

  • Cotidiana: Que descreve o que está acontecendo
  • Lírica/Poética: Que reflete sobre o que está acontecendo (ou não)
  • Transição entre Instâncias: Quando alterna entre fatos e devaneios/ilusões

5. Tipografia

Escrever peças é fazer arte com as palavras. O estilo de escrita define a personalidade do dramaturgo. Você decide se quer nomear ou numerar ou blábláblá os personagens. Você decide se quer descrever as ações ou não, se quer criar falas, se quer criar o ambiente. Você decide até onde quer definir o personagem, e como quer fazê-lo. Você decide como quer formatar seu texto. Todavia, para fazer uso de tipografia é preciso ser consciente de um(a):
  • Motivo
  • Estrutura
  • Conteúdo


Sabe o que eu notei? O roteiro é um texto regrado que auxilia na encenação. A dramaturgia é um texto livre que impõe regras na encenação.
A ferramenta do dramaturgo é a palavra. Cabe a ele deixar pistas para o encenador. Quem pegar o texto escolhe como quer responder à sua provocação.

Para acessar:

Para ler:

  • Blasted, Sarah Kane (Uma boa descrição dos personagens)
  • Dorotéia, Nelson Rodrigues (Forte descrição física dos personagens)
  • Pinokio, Roberto Avim (O cara viaja na tipografia do texto, constuindo estrofes poéticas)
  • Dias Felizes, Samuel Beckett (Num certo trecho ele descreve cada ação do personagem)
  • O Fim da Realidade, Richard Maxwell (Os personagens são enumerados)
  • O Programa de Televisão, Micel Vinaver (Esse cara não usa pontuação!)
  • Homem sem Rumo, Arne Lygre (Os personagens são diferenciados com iniciais)
  • Paisagem, Harold Pinter (Ele gosta de usar pausa)

sábado, 20 de outubro de 2012

Reencontro com o Teatro

Neste última semana (15-19/outubro) rolou a 5ª Mostra de Teatro de Jundiaí, que contou com apresentações de grupos de todo o estado na sala Glória Rocha (localizada no Centro das Artes), além da mostra paralela itinerante, no centro e nos bairros da cidade e oficina culturais gratuitas de Dramaturgia e Cenografia, na Casa da Cultura.

Participei de ambas as oficinas. Meus trabalhos não ficaram perfeitos, pois ando meio alienada ao teatro, mas só o fato de eu ter participado das oficinas - ao contrário de muitos que se inscreveram e não compareceram - significa que estou querendo me envolver em essa arte, e esse foi meu primeiro passo. Pena que nem todos compreendem desta maneira.
Aliás, essa foi minha principal dificuldade para me enturmar: a turma toda era bem informada, já eu era alheia ao que falavam. Muitas vezes me senti leiga no assunto.

Para concluir, assisti a última apresentação da mostra, na sexta-feira. Me arrependi de não ter ido nos outros dias, pelo muito que foi comentado, foi muito bom. Pena que há uma deficiência na divulgação de eventos culturais que faz com que nem todos os moradores da cidade fiquem sabendo o que está havendo de interessante. Se você não é do meio, a informação dificilmente chega a você.


Cenografia


Cenografia é a arte, e ciência de projetar e executar a instalação de cenários para espetáculos teatrais ou cinematográficos. Alguns autores confundem com um segmento da arquitetura. A cenografia é parte importante do espetáculo, pois conta a época em que se passa a história, e conta o local em que se passa a história, pelo cenário podemos identificar a personalidade dos personagens. Entre os profissionais envolvidos nas atividades de cenografia estão cenógrafo, cenógrafo assistente, cenotécnico, contra-regra, pintor, maquinista, forrador, estofador aderecista, pintor de arte, maquetista.
Fonte: Wikipédia



Os ministrantes (Daniel Sommerfed e Marília Scarabello) fizeram uma apresentação da Cenografia Teatral Contemporânea com base em imagens, fotos, vídeos e outros materiais. No final da oficina foi proposto uma atividade onde tínhamos que construir uma maquete com base nas impressões obtidas a partir de um objeto comum.
A Marília é um amor de pessoa, muito humana e atenciosa, adorei conversar com ela, ouvir suas reflexões e achei uma graça seu descontentamento com o espaço e o tempo, sempre preocupada em nos dar o melhor e o possível dentro dos limites impostos.
O Daniel é apaixonado pelo que faz e mostrava isso claramente no que falava e no que mostrava. Vi nele uma necessidade de transmitir essa paixão para a gente.
Um dos motivos que me instigou a conhecer cenografia é que eu danço. Para dançar é preciso sim um espaço que condiz com sua apresentação. E um espaço teatral com efeitos de luz e musicalidade é o sonho - imagino eu - de toda dançarina que quer se ver num espetáculo.

Dramaturgia


Dramaturgia é a arte de composição do texto destinado à representação feita por atores. O dramaturgo pode atuar na tragédia, na comédia, no drama histórico, no drama burguês, no melodrama, na farsa e até mesmo no gênero musical. Entretanto, a dramaturgia não está relacionada somente ao texto teatral, ela está presente em toda obra escrita para as artes cênicas: roteiros cinematográficos,telenovelas, sitcoms ou minisséries.
Fonte: Wikipédia


A oficina, ministrada por Tábata Makowski, teve como objetivo nos apresentar as principais caraterísticas da dramaturgia teatral, ferramentas de criação que não são necessariamente regras, a apresentação seguiu com base em referências de grandes dramaturgos. Além das leituras, construímos um texto através do tema proposto.
A Tábata é uma ótima ministrante de oficina, ela soube conduzir a turma, administrar o tempo e o espaço, fez um planejamento de conteúdo perfeito. Todo mundo participou, discutiu e se envolveu. Por mais que teve poucas pessoas, as poucas que tiveram absorveram bem o conteúdo e deram o melhor de si nas atividades propostas.
Mas meu negócio é romance, não há jeito. Todavia, que mal tem eu querer conhecer e aprender outras estruturas textuais? Sei que é irritante usar meus textos literários para justificar meu modo de escrever, mas meu potencial está ali, precisava usá-lo como modelo e comparação.

Ja que estava aprendendo dramaturgia, achei que seria complementar estudar o espaço onde o teatro acontece, por isso fui fazer cenografia. Se eu consigo montar uma cena em minha mente, então eu posso criar um texto para aquela cena.
O ministrante insistiu que para trabalhar melhor em qualquer área do teatro é preciso atuar, pisar no palco. Ele não entende que, como romancista, o personagem esta dentro de mim, e isso é tudo o que eu preciso para passa-lo pro papel.

Cinza


Último espetáculo da Mostra de Teatro de Jundiaí, direcionado ao público adulto.
Aborda de maneira poética os conflitos de uma mulher que vive entre lixos de papel, tratando de procurar alguma explicação, um motivo que justifique sua trágica história. Entre caixas de papelão cuidadosamente preparadas e mediante a manipulação de um boneco encontrado, ela irá mergulhando em seu passado até chegar a um confronto de seus próprios medos e conflitos que nunca se acabam.


Pelo que compreendi, a atual formação da companhia existe a pouco tempo,  e eles trabalham exclusivamente com teatro de animação.
Esta peça está em processo de aprimoramento, foi bastante criticada pelo público pela falta de contraste, mas eu particularmente adorei o propósito e a maneira como foi colocado no palco, abrindo um leque de ícones significativos para representar o realismo.

Fiquei tão empolgada com a experiência que até pensei em entrar para a comissão de teatro. Mas já mudei de ideia. Sou apenas uma admiradora do teatro, não cabe a mim discutir projetos de incentivo para a cidade, prefiro deixar essa parte política para quem entende do assunto e sabe o que está falando.
Devia ter pegado os contatos da Marília, Daniel e Tábata para vocês, né?


Às vezes me sinto perdida e confusa. Sempre com aquela sensação de deslocamento. Não sei se estou na cidade errada, se vim da família errada ou se ando com as pessoas erradas, só sei que sinto que não sou daqui, que esse não é o meu lugar. Preciso mudar de bairro.
Engraçado quando encontro alguém como eu, com quem converso de igual para igual, quando estou numa oficina de artesanato ou quando assisto uma peça de teatro em meio a pessoas que apreciam aquilo. Eu me encontro.
Talvez o errado esteja em mim, não?

Outubro

Poxa, preciso dar uma bela filtrada neste blog. Esqueço que tem gente que lê isso, e aqui contém muita informação inútil e muitos dramas particulares.
A ideia era personalizar meu blog e todas minhas redes sociais para ficar com um ar mais profissional, mas a designer que tinha começado a cuidar disso não pode mais me atender por motivos pessoais, então meus planos desandaram.
Depois pensei em criar um site central, com todas as informações principais e necessárias nele, sempre redirecionando para minhas demais redes. O site saiu (melissaart.net), mas não saiu como eu esperava, talvez porque fora feito numa plataforma de wordpress, um sistema que não abre muitas possibilidades de criação.
Agora estou pensando em criar um  novo blog onde eu possa tratar de diversos assuntos, anulando o site e meus dois blogs atuais (todos os posts iriam para lá). Se alguém souber de uma boa designer de Blogger me avise =)


Eu sou a mais pequena ¬¬
Não estou dançando - não regularmente. Tentei ensaiar com as meninas do Espaço Cidadania, recentemente fiz uma apresentação com a primeira turma da Sol, mas não estou fazendo nada fixo em relação a Dança do Ventre.
A verdade é que depois que minha amiga parou, me faltou incentivo para ensaiar.Além disso, a natureza das aulas mudaram, eu gostava dos exercícios, da explicação teórica e dos deveres de casa. Nunca parei de dançar de verdade, sempre estudei em casa e, como vocês sabem, até fiz aulas particulares e participei de workshops.
Minha principal dificuldade para acompanhar as turmas é que me sinto uma intrusa num grupo já formado, além disso eu gosto de estar sempre apreendendo conteúdos novos e prefiro criar minhas próprias coreografias. Sinto-me tão egoísta. É egoísmo querer fazer aulas em grupo, mas preferir dançar sozinha? Desse jeito, como é que vou me sentir segura para dar aulas?!

Quanto a ideia de trabalhar por conta e me registrar como micro empreendedora... Bem, quando você vive com a família, os problemas da família se tornam seus problemas, e isso meio que atrapalhou meus planos pessoais. Quero sair de casa e morar sozinha, mas me sinto tão dependente da minha mãe!
Vou prestar concurso público, e enquanto não der certo quero arrumar um emprego de meio período, assim não vai atrapalhar minhas atividades e poderei pagar minhas continhas.
Minha vontade mesmo é trabalhar com artes, mas aqui no Brasil artes é hobbye. Minha mãe mesmo não leva nada disso a sério.
Não tiro fotos em bibliotecas

Estou lendo a trilogia erótica que está na boca das mulheres: Cinquenta Tons. Assim que ler a última obra faço um post sobre a trilogia (!). Enquanto isso, estou me deliciando com algumas obras de Marian Keys, minha predileta.
Recentemente, assisti alguns filmes bastante filosóficos, entre eles O Homem que Copiava, Os 3, Antes do Amanhecer e O Palhaço. Obrigada Vlad =)
E, finalmente, agora estou com internet em casa, ou seja, deixarei de ser um zumbi. Se não fosse pela minha Gloss eu seria uma perfeita ignorante.
Visitando exposições...

Até o final do mês é para eu ter feito vestibular e entrado para um grupo de estudo que é a minha cara: Estudo psicológico dos clássicos da literatura.
Ando me inscrevendo em bastante oficinas, todas em relação a teatro, literatura, dança. Quando estou nesse meio eu me sinto em casa.
Em breve estará no ar (thesimstv.net) minha primeira história com The Sims em vídeo! Chama-se Alice, e conta o drama de uma jovem com seu emprego, sua família, seus amigos e suas paixões, ela tem uma gata muito fofa chamada Baronesa. Segue o teaser para vocês curtirem um pouquinho previamente:


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Podia ser assim...


Currículum Vitae

Mariana Lourenço da Silva


23 anos
Solteira

Objetivo

Atuar na área literária como escritora.

Formação

  • Criação Literária (graduação)
  • Humor e Criatividade (especialização em comédias românticas)

Experiência Profissional

  • Palestrante e ministrante de oficinas de literatura em diversas bienais brasileiras e internacionais
  • Contadora de histórias em bibliotecas e escolas públicas com foco em adolescentes e jovens
  • Assistente da secretaria de arte e cultura por 3 anos, desenvolvendo projetos literários para o benefício da comunidade

Principais Habilidades e Qualificações

  • Leitura Interpretativa
  • Domínio da Língua Portuguesa
  • Facilidade para Comunicação
  • Escrita criativa

Manuscritos

  • Trilogia Amor & Castigo



- Bom currículo. O que a traz em minha editora, exatamente?
- Estou procurando um emprego.
- Como escritora?
- Romancista, mais especificamente.
- E por que você escolheu esta editora?
- Diferentemente das demais, vocês são importância e apoio ao escritor em si, não somente a sua obra.
- Isso é profissionalismo, Mariana. A obra boa se encontra no escritor bom com um pouco de incentivo e treino. Mas vejo que a srta ainda não publicou nada...
- Me chame de você, por favor. Ainda não publiquei porque não acredito que meus manuscritos estão bons o suficiente para se lançar no mercado editorial.
- Mas se você não confia em si mesma, porque eu confiaria?
- O senhor é um editor experiente e poderia me orientar, visando minhas principais habilidades em constante aprimoramento.
- Certo. Mas, ainda assim, não deveria me enviar um resumo das obras para então comparecer aqui após meu consentimento?
- Como darão importância ao que diz minhas obras se não me conhecerem primeiro?
- Compreendo seu ponto de vista. Caso sua história e sua estória me agrade, podemos fechar um contrato válido por um ano para publicarmos a trilogia...
- Não.
- Como?
- A trilogia foi escrita há alguns meses, preciso de tempo para revisá-la e reescreve-la antes de encaminhar para publicação.
- E por que não fizera isso antes de se encaminhar à minha editora?
- Porque gostaria de contar com seu auxílio no meu processo de criação.
- Ok, posso opinar enquanto...
- Não.
- O que foi desta vez?
- Por favor, apenas acompanhe, deixe para opinar somente quando estiver concluído, se não você pode interromper minha linha de pensamento.
- Como quiser, Mariana. Pode me entregar uma sinopse das obras?
- As sinopses não são confiantes. Elas ocultam partes importantes da história que não podem ser reveladas previamente, e podem passar uma impressão diferente da impressão que cada leitor pode ter com a leitura.
- O que está dizendo?
- Posso construir uma sinopse, mas não estou certa de que o livro seguirá exatamente o rumo que eu traçar, e pessoas diferentes enxergaram o livro de maneira diferente, neste caso a sinopse só atrapalha.
- Então apenas escreva um rascunho, preciso ver se escreve bem.
- Ora, perdoe-me, mas eu poderia usar um vocabulário pobre, com erros ortográficos para narrar uma história clichê e ainda assim escrever bem!
- Impossível!
- Claro que não! As palavras não são importantes, e sim a maneira como são postas. A história não é importante, e sim a maneira como ela é contada.
- Está me dizendo que pode usar um conto tradicional como base, fazer uso de palavras coloquiais e ainda assim impressionar o público com o que escreve?
- Não é isso que os escritores atuais estão fazendo?
- Está contratada.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Etiqueta e Auto Confiança



Você dá descarga antes de usar um banheiro público? Segura o garfo com a mão esquerda ou direita? Limpa os lábios antes de levar um copo à boca? Usa a mesma roupa em diferentes eventos? Sabe como e onde guardar os pertences do seu convidado? Conhece os tipos de evento e qual é mais apropriado organizar conforme a ocasião? Sabe preparar um menu formal?




Etiqueta não se resume a bons modos, educação, higiene e classe. Uma pessoa que sabe se comportar é mais autoconfiante, sente-se disposta para abordar pessoas e ir a eventos sem preocupação aparente. Quantas vezes nós, mulheres, nos vemos paradas frente ao espelho com um montante de roupas sobre a cama indecisas sobre o que vestir naquela ocasião?

Etiqueta é aparência, mas nos dias de hoje a aparência é tudo: o que e como você fala, seu comportamento e sua imagem diz muito sobre você. A primeira impressão é a que vale, e a que fica. Uma má apresentação pode arruinar uma oportunidade profissional, uma gafe pode levar embora as chances daquele romance dar certo, um erro de conduta pode dar fim ao era para ser uma boa amizade.

Sempre me interessei em ler e aprender lições relacionadas à etiqueta pessoal e profissional. Minha mãe foi criada com tradições, e tentou manter esses hábitos familiares dentro de casa. Em meu emprego, cheguei ao ponto de imprimir uma lista de boas maneiras ao telefone e distribuir entre o pessoal porque não aguentava mais um ou outro comportamento erradio.

Mas nunca tinha assistido a uma palestra de etiqueta. No Maxi Shopping há uma central de cursos maravilhosa que oferece oficinas de qualidade quase que gratuitas sobre diversos temas, desde culinária, artesanato e... Etiqueta. Não conhecia a central, e nunca havia me interessado em saber mais porque não sabia da facilidade para participar dos cursos.

Fiquei um pouco receosa para ir à palestra. Primeiro porque muitas pessoas pensam que se a pessoa faz aulas de etiqueta é porque não recebeu educação suficiente em casa para ter boas maneiras. Mas a sala estava repleta de mulheres interessadas em saber mais, em aperfeiçoar-se, melhorarem como pessoa.

Havia uma senhora um tanto ranzinza que tudo criticava, mas só o fato de estar ali já nos dizia que ela estava tentando melhorar seus hábitos. Havia uma mulher de origem humilde, que casou-se com um homem “importante” e queria sentir-se a sua altura para não passar vexame nos eventos. Havia moças recém-casadas que queriam se preparar para receberem e organizarem suas próprias festas e reuniões em casa. Oh, sim, da mesma maneira que você precisa saber se comportar num restaurante, você precisa saber recepcionar e servir seus convidados em sua própria casa.

Meu segundo receio era quanto ao professor, sendo ele ex apresentador de um programa de televisão, palestrante e convidado a treinar equipes, imaginei se falaria somente para as classes elevadas ou faria seu discurso direcionando para todas as classes, inclusive a minha. Surpreendi-me com seus conselhos sobre simplicidade e discrição, dizendo servir para toda e qualquer pessoa, independente da faixa etária, da ocasião e da classe social.

Uma pessoa educada é uma pessoa evoluída e, portanto, superior. Uma pessoa de bons modos, que sabe se comportar, sente-se confiante o suficiente para ir a diversos eventos na companhia das mais variadas pessoas, sem fazer feio.

Dicas para não fazer feio

  • Tenha um jogo de pratos brancos em casa. São coringas, servem para qualquer ocasião.
  • Assustada com o número de talheres sobre a mesa? Este número equivale ao número de refeições que será servida.
  • Apesar de nós, mulheres, não apreciarmos muito, o correto é deixar que os homens nos trate como damas.
  • Repetir roupa? Só se for num evento diferente com pessoas diferentes. Caso contrário, espere uma terceira troca de roupa.

Frases de efeito

  • Poder pode, mas não deve.
  • Ainda há países onde os homens reverem as mulheres. Se a cultura brasileira é machista e  masculinizada é porque as mulheres vulgarizam suas imagens tentando igualar-se aos homens.
  • Quando a gente não joga o suor de cada dia no lixo estamos agradecendo a Deus. Reputa quantas vezes forem necessárias, mas nunca jogue comida no lixo.
  • Nunca haja com soberania, impondo-se às demais pessoas. A vida cobra e mostra mais tarde.
  • Vivemos num mundo incerto, não guarde suas melhores roupas e suas melhores peças para uma ocasião especial. Use como se fosse a última ocasião, portanto a mais especial.

Roupa é Motivo



As pessoas compram roupa, primeiramente, por necessidade. Precisam de uma peça para cada ocasião, para passear, sair à noite, nadar e dormir, para quando está frio e para quando está calor. Mas não basta ser uma peça simples - curta ou não, de tecido fresco ou quente – as pessoas, principalmente as mulheres, querem estampas diferentes, querem peças exclusivas, querem destacar-se entre as outras, querem qualidade e moda, não importa o preço.

A moda foi criada para que os mercados tirassem proveito da mente consumista humana. As pessoas querem novidade, querem surpresas, sentir-se vaidosas. Querem prever as tendências e usar o que todo mundo usa, mas com um toque de personalidade único.


Há quem gaste a toa com roupas e mais roupas sem necessidade aparente, apenas por luxo e vaidade. Eu, particularmente, não sou do tipo que sai para comprar roupas e volta cheia de sacolas, mas se o dinheiro me permite, gosto de ter uma peça nova em meu guarda-roupa toda semana. Não gasto aos montes, me contento com uma peça, às vezes uma peça qualquer. Mas o que me emociona mesmo é ter motivo para comprar.

Com motivo quero dizer comprar para uma ocasião especial. Gosto de escolher a roupa imaginando onde e porque estarei usando-a. É este critério que uso para não comprar, para que ter esta peça se não vou utilizá-la?

De nada adianta um closet cheio se você não tem motivo para usar as roupas que ali estão. O que os principais portais de moda ensinam é aproveitar cada peça do seu roupeiro. As revistas ensinam a transformar uma peça velha ou uma roupa de brechó num elemento de última moda. Os sites exibem fotos do que saiu nas passarelas, sempre relembrando de que aquilo já fora moda um dia, mas agora está aperfeiçoada; ou que já foi algo ridicularizado, mas que agora é moda.

A moda quem faz é a gente. Vestir-se bem é estar confortável e de acordo com o que a ocasião exige. Um look perfeito é aquele que contém criatividade, que traduz o que diz nossa personalidade. De nada adianta diversos coringas, preço e panos se não há estilo próprio.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Balada


Era quase três horas da madrugada, e eu estava começando a me entediar com a altura da música eletrônica e com a dancinha sensual que minhas colegas insistiam em fazer, na esperança de atrair um macho que tivesse carro para leva-las para casa.
Não que eu fosse uma garota sem o menor senso de humor. Mas queria mais da vida, mais do que noites e papos furados. Todavia, para isso, precisava abrir mão das baladas sem fundamento e me afastar daquelas cabeças ocas que se embebedavam sem motivo.
Por um momento, senti-me sozinha. Minha família só sabia me julgar, cada um a seu modo. Meus patrões não reconheciam meu esforço no trabalho. E as amigas... Bem, elas estavam presente quando o assunto era diversão, mas se ausentavam na minha semana especial, quando o dinheiro acabava e quando eu sofria uma dessas frustrações amorosas toscas.
Queria uma amizade sincera, para me acompanhar em meus passeios e viagens, me ouvir e contar comigo quando necessário. Queria um amor romântico, fiel e até meloso. Queria uma família unida, que me acolhesse e me deixasse acolher. E queria sexo, claro, sentir aquele prazer único que a gente não mede nem domina.
O som continuava se elevando à medida que o efeito da bebida passava. Estou cansada, quero ir pra casa, queria dizer, mas não me ouviriam. Riam a toa e me puxavam para dançar uma dança sem sentido. Peguei mais uma cerveja, vamos lá, anime-se, é sábado, você é jovem e bonita e inteligente, sabe disso. Não preciso disso, não preciso delas, a cama está bem mais confortável, sem polícia no final da noite...
Encarei as pessoas a minha volta. Um dançando, um beijando, um caindo, outro dando amassos contra a parede, um bebendo pela décima vez, o copo trocando de cor. Parei num deles, que me encarava de volta. Era bonito, esbelto, parecia sozinho, talvez os amigos se meteram numa briga, ou a namorada trouxa foi ao banheiro.
Virei o rosto, fiz cara de pouco caso, olhei-o novamente e ele continuava com os olhos parados em mim, o semblante cansado, mas feliz e sensual. Mexi a sobrancelha, um gesto leve e quase imperceptível, mas ele pegou, piscou de volta, fazendo pose. Não aguentei e sorri com aquela situação hilária. Não queria beijá-lo, estávamos no meio da noite, quantas mais havia beijado?
Mas o riso me entregou, como se houvesse correspondido a paquera, ele sabia que eu desejava. Quis dançar com as amigas, não queria parecer brega, elas nada percebiam o que rolava ali. O DJ trocou a música, era a batida perfeita. Um passo, dois passos em minha direção. Não, não queria beijar ali. Fui até ele, amassando-me contra a multidão esmagadora, quase perdi-o de vista, mas ele estava ali, ao meu encontro, usando uma camisa com uma leve estampa xadrez. Joguei meus braços em seus pescoços, sem tempo para conversinhas fiadas.
E nos beijamos. O gosto doce e gelado da bebida envolvendo os lábios e a língua, aquele aperto gostoso na cintura para não me perder na multidão, o carinho nos cabelos, fazendo-me amolecer o corpo e a feição. Fechei os olhos, e a música diminuiu, os murmúrios a minha volta diminuíram, tudo o que eu ouvia era sua respiração descompassada contra a minha.
A paquera, na balada, é curta e forte, ágil o suficiente para ser transmitida com olhares. Mas os beijos de balada são longos e inesquecíveis, como se soubéssemos que nunca mais fossemos nos ver novamente, por isso dávamos o melhor de nós naquele momento, para eterniza-lo. “Beijei um cara...”, contamos mais tarde.
A noite acaba ali. Depois de uma ficada sensacional, simplesmente perde a graça. No outro dia a enxaqueca nos faz reconhecer que não foi um sonho, mas a mesma enxaqueca nos traz de volta para a realidade. Para fugir dela, somente na próxima balada.

sábado, 18 de agosto de 2012

Relatório de Viagem

Cresci com meus pais separados. Minha mãe, uma trabalhadora de mão cheia, entre a cidade grande chamada Jundiaí e Várzea Paulista, empenhada em colocar comida na mesa. Meu pai, profissional autônomo, residindo na pequena cidade do interior de Minas Gerais chamada Extrema, curtindo sua vida de solteiro e gastando com coleções e restaurantes. Hoje ele está casado novamente, tentando ser um bom marido e vivendo o tiquinho que permitem da experiência de ser pai, ainda que a filha não seja dele.
Os dois me completam. E o mesmo digo das cidades, não sobrevivo sem o urbanismo de uma e sem o bucolismo da outra. E as viagens... Bem, esse é o tema do post.

Hoje, organizo minhas pequenas malas habilmente com tudo que posso levar e mais um pouco. Tenho meus truques para fazer tudo caber, truques que desenvolvi depois de tantas malas feitas: Substituo os frascos grandes por pequenos (tenho vários frascos de viagem), adéquo peças pequenas em saquinhos e necessaires, observo o clima para presumir quais roupas levar e faço rolinhos para caber mais e organizar. Depois, a parte trabalhosa. Manuseio as malas entre os braços e as pernas através das catracas, escadas e assentos miúdes que tenho que encarar, com certa facilidade. Vez por outra me deparo com uma pessoa educada disposta a ajudar. Se eu viajar bonitinha é mais fácil de encontrar essas pessoas.
Apesar de ser poucas horas de viagem, afinal as cidades são bem próximas, viajar de ônibus é um tanto cansativo. O ar abafado, os murmúrios e cochichos dos demais passageiros, o stress do motorista impaciente, a lentidão do tráfego e as voltas desnecessárias para quem tem um ponto em mente deixam qualquer um exausto. É isso que me desestimula a viajar mais vezes. Se não eu ficaria para lá e para cá com mais frequência.

Todavia, confesso que quando tiver meu carro sentirei um pouco essa aventura afobada. É gostoso ter histórias para contar quando se passa por algum imprevisto no caminho. É gostoso viver emoções inusitadas - dessas que a gente guarda só pra gente. É gostoso conhecer pessoas e tipos.
Sentirei falta disso.


Depois de tantos anos para lá e para cá, desenvolvi o hábito de fazer amizade com o passageiro do assento ao lado. Você toma conhecimento de histórias tão interessantes que dá vontade de anotar cada causo e registrar num caderninho.
Desta vez, tentei ajudar um senhor e levei bronca do motorista, aturei a conversa de dois soldados (porque eles só falam de batalhões e treinamentos e baterias e alojamentos e sei lá mais o que?!), conheci um cara simpático e cavalheiro que achei muito inteligente para trabalhar com produção (ele mora em Munhoz e tem família em Jundiaí), e conheci uma professora de educação infantil que mora em Camanducaia e trabalha em Bragança, que passou um bom tempo expressando seu carinho com os alunos, histórias de classe e a dor da separação ao final de cada ano.
Não lembro muito o que contar das outras viagens. Vivi experiências engraçadas e já fui mais atrevida para fazer algumas peripécias. Uma vez fiquei com um reggaeiro que vinha do Rio de Janeiro. Ele não era bonito, bem tão legal, mas falava engraçado e beijava muito bem. Parecia perdido, não quis me contar detalhes da viagem, mas falou a toa de coisas sem sentido que me fizeram rir a beça. Não sei o nome dele, nunca soube.

Que bom que as viagens nunca se cessarão (tenho certeza que meus pais nunca reatarão).

Escolhas

Não quero mais trabalhar para os outros. Parece uma ideia assombrosa para uma garota de 18 anos de idade prestes a entrar na faculdade, mas é encantadora. Ainda mais encantadora unida à ideia de mudar de cidade.
Até tempo atrás era uma ideia absurda, agora não mais. Porque? Porque consegui a base para poder trabalhar naquilo que gosto. Quero inteirar-me na área artística e cultural, que é o meu lugar. E, trabalhando na Monalisa, meu primeiro e último emprego, descobri que tenho empenho e capacidade para ser autônoma.
Há pessoas inteligentes que preferem a comodidade do emprego registrado, com salário fixo. Mas eu me aventuro com a ideia de estipular o meu próprio salário. Gosto disso. Por isso que fiquei com um tédio enorme quando meu trabalho caiu na rotina.
Tudo o que eu preciso para começar é fazer o dinheiro fazer dinheiro. Tenho um número, preciso multiplicá-lo. Ainda que em pouca quantidade, já fiz isso uma vez, sou capaz de fazer de novo. Só preciso ser esperta e saber investir, gastar com a coisa certa, procurar as pessoas certas.
Espero poder contar com aqueles que sempre disseram ser amigos. Espero ter maturidade o suficiente para ouvir e compreender os conselhos de pessoas mais velhas e experientes.


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A Arte da Fotografia


“Deixar-se levar pela composição de uma imagem é poder de alguma forma estar lá, no momento de sua captura” Clodoaldo da Silva
[foto: sala de jantar – museu histórico e cultural de Jundiaí]


Olha só, descobri que gosto de fotografar coisas inúteis, rs. Ganhei uma câmera digital linda no meu aniversário, um luxo que fazia tempo estava na minha listinha de ambições. Mas, estranho, sempre quis uma para registrar momentos, e de repente me pego especulando álbuns, assistindo um vídeo sobre o assunto, vendo cursos na área, contemplando uma exposição de flagras urbanos, registros de fotógrafos jundiaienses. Não que eu queira ser fotógrafa, mas gostaria que pelo menos as imagens do meu tumblr fossem feitas por eu própria.
Tudo o que não quero é ser jornalismo, mas confesso que como blogueira me sinto trilhando esse caminho, afinal já estou andando com cadernetas para tomar nota dos eventos que presencio, e agora deu para andar com a câmera na mão (nunca se sabe quando vai surgir a imagem perfeita). Esses dias mesmo eu fui assistir uma apresentação de dança, e senti uma vontade danada de registrar minhas impressões e descer até o palco (sim, o palco ficava embaixo, rs) para fotografar as meninas de perto. Na realidade, minha vontade ia um pouco mais além, eu queria era invadir o camarim e registrar um flagra.

[foto: flagra do ensaio de dança – espaço cidadania]

Até fiz uma listinha (eu e minhas listas) de coisas e momentos que gostaria de fotografar. Também presto atenção na roupa que vestirei para sair de casa, nunca se sabe quando encontrei aquela pessoa (amiga, professor, paquera), e com certeza vou querer bater uma foto com ela. Tomara que essa minha emoção não dure pouco.
Meu estilo de fotografar? Precisamos ter um, não? Defini o meu assim: Não quero mostrar o que todo mundo vê, a garota bonita, as manobras daquele rapaz. Quero que as pessoas conheça o outro lado... Retratos realistas do que acontece nas ruas escuras da cidade, aquele passado que pensamos ter deixado para trás, mas que continua presente; fotos estilo paparazzi no camarim da dançarina, para mostrar todo o nervosismo que antecede a entrada no palco, a expressão de satisfação ao sair, a agilidade em trocar de roupa, a careta do que fazer quando esquecer o passo, enfim, marcações de dança, ensaios e erros; flagras das coisas belas da vida, como o pensador oculto no garoto que estuda no parque, o artista que cresce na criança que brinca com as cores, o carisma de um vira-lata e o amor que nasce num beijo às escondidas; e fotos que permitem que as pessoas visitem os lugares belos menos conhecidos da cidade, paisagens que não são impressas em cartões postais, como aquela árvore isolada ao fim daquela rua estreita e a beleza da flor mais pequenina.

[foto panorâmica: realismo a grafite – em exposição no centro das artes em Jundiaí – blogirineuartes.blogspot.com]

Bem, voltando ao planeta Terra, agora poderei montar um portfólio no estilo, usando o pouco que conheço das técnicas de scrapbooking. Todavia, terei que estudar um pouco sobre ângulo, luz e contraste. O corte certo, aplicações de efeito. Tudo isto para a imagem soar o mais natural possível, afinal, a pessoa precisa se sentir no ambiente da fotografia, não é mesmo?
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