domingo, 11 de dezembro de 2011

Buscando me compreender através dos mestres de literatura

Ontem eu assisti uma série de documentários sobre os mestres da literatura. Entre eles se encontravam Lygia Fagundes Telles, Carlos Drummond de Andrade, Raquel de Queiroz e Machado de Assis. Esses vídeos me reconfortaram muito, sabe porque? Porque tinha uma autora maravilhosa - não me lembro ao certo qual - que sonhava em ser escritora desde a infância e só publicou seu primeiro livro - que aliás era de contos - aos 40 anos. Então eu me perguntei: Putz, eu tenho a vida inteira para publicar minhas histórias, por que essa ansiedade toda?Eu te digo porque. Eu tinha quase 5 livros inteiros escritos no meu computador quando ele foi formatado e eu perdi tudo. Desde então, um medo crescente de perder minhas preciosas histórias me obriga a publicá-las na internet e salvá-las em tudo quanto é lugar, mas só me sinto suficientemente segura se ela é publicada e impressa.
Mas vou dar fim a essa fobia. Vou enviar todas minhas histórias para a Biblioteca Nacional, onde não há como perdê-las. Vou, calmamente, salvar Sob os Olhos de Natasha e dar uma olhadinha nela com mais calma daqui alguns meses. Vou começar a escrever meu livro educativo Rabiscando e voltar a reescrever Bate Forte o Coração. Não tem necessidade de pressa em publicá-los. Posso fazer isso depois que terminar a faculdade, depois que comprar meu laptop, meu carro e tal. Há coisas mais importantes primeiro. O tempo passa, o corpo envelhece, mas a mente não: ela amadurece. Ou seja, quanto mais tarde melhor, pois minha escrita estará mais madura, eu vou poder revisar meus livros e, quem sabe, reescreve-los novamente, eu terei condições para publicá-lo e as chances de ser ouvida serão bem maiores.

Permita-me fazer algumas análises dos documentários. Já disse que adoro assistir entrevistas e coisas do tipo? Eu adoro porque me identifico completamente com o escritor, eu sinto minha alma vibrar, porque as palavras deles são as minhas. Entre os autores que estudei ontem, identifiquei-me mais com a Lygia Fagundes Telles. Ela é maravilhosa. Por isso vou roubar sua frase:
Quando escrevo eu espalho um pouquinho de mim em cada personagem, assim entrego minhas angústias e temores aos outros e, por fim, me livro desses sentimentos ruins.
Sabe quando comecei a ler? Quando comecei a adorar as palavras. Eu gostava tanto delas que queria que tudo se resumisse a elas.

Por isso andava com um caderno e uma caneta onde quer que fosse, algo que chamavam de Diário. Por isso meus cadernos escolares acabavam tão rapidamente, as folhas eram muito poucas para mim.
Na 4ª série eu conheci uma garota chamada Vanessa que também escrevia diário. Todos os dias, depois das aulas, a gente se sentava numa viela para uma ler o seu diário para a outra. Então, durante o dia, eu escrevia pensando qual seria a sensação da Vanessa ao ouvir aquilo. Era uma sensação maravilhosa.
Hoje, quando pego meus diários para ler, não sei dizer o que é real e o que foi inventado.

Aos 12 anos li O Diário de Anne Frank simplesmente por ser um diário real. Eu não conhecia a história por trás daquelas palavras, comente compreendi o que houve com aquela garota 3 anos mais tarde, quando li A Menina que Roubava Livros, de Markus Suzak. Ambas as histórias me encantaram por serem tão semelhantes entre si, exceto por um detalhe: uma era ficção e a outra não.

Agora deixe-me comparar-me a Raquel de Queiroz. Quando jovem, ela não compreendia muito bem essa coisa de sintaxe e morfologia, mas ela sabia escrever e escrevia bem.
Sinceramente, eu sei que se me dedicasse a aprender essas regrinhas erraria menos, mas não tenho a menor paciência para isso.

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