segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Mais que Amigo


Fabiane me olhou espantada e exclamou:
- Você vai deixar de ir pra uma festa super mara com sua amiga pra estudar biologia com o Felipe?
- É, Fabi! Já te disse, prometi para ele que iria ajudá-lo em matemática e biologia toda sexta-feira... Mas dá pra gente sair juntas no sábado...
- Humm... Não sei não! Esse seu colega de classe quer mesmo só estudar? Pra mim, esse papinho é só para te pegar... Olha lá, garota!
Ciúmes, ela estava com ciúmes de mim. Era sempre assim, era só eu fazer um programa que, para variar, não fosse com ela e a Fabi se sentia como se estivesse me roubando dela. Quando se tratava de homens então, ela não compreendia mesmo, simplesmente não acreditava que podia haver amizade entre homens e mulheres.
O que a Fabi não sabia é que era eu que estava super afim dele. Só que ele me tratava da mesma forma que tratava todo mundo, então eu estava crente que ele não sentia nada por mim. Mesmo assim, ficava desconcertada em comentar isso com minha melhor amiga, pois receava a maneira como ela iria reagir.
Fazia certo tempo já desde que os estudos extras de sexta haviam começado. Conforme o tempo foi passando, passei a sentir falta dos risos que eu e o Felipe dávamos juntos das nossas brincadeiras, da simplicidade de uma amizade perdida que se transformou em amor. Ás vezes eu tinha a leve impressão que ele estava me olhando de um jeito diferente, mas ele me respeitava tanto que, se sentia algo por mim, não revelaria isso tão cedo.
Mas depois que larguei as festinhas de fim de semana para estudar, a Fabiane começou a desconfiar. E, falando sério, já fazia tanto tempo que escondia o que sentia que não suportava mais. Neste dia, porém, Fabi me pegou de surpresa.
- Você vai ter que conversar com ele.
- O que?!
- Tenho certeza que depois de dois o caderno dele está com a matéria toda em dia. Ou ele gosta de você, ou é muito burro mesmo. Conversa com ele e resolve isso, por que eu não agüento mais ficar dentro de casa a sexta todinha.
- Mas Fabi... Não posso, ele... – fiquei procurando as palavras, mas não encontrei nenhum argumento bom.
- Nem vem. Ou você fala, ou eu falo.
Naquela noite, eu chorei. Não podia me afastar dele, simplesmente não iria conseguir. Mas se revelasse o que eu sentia... e se ele não me correspondia? E se me rejeitasse? E se ele se afastaria de mim? Não suportava a ideia da nossa amizade se perder assim... Eu podia não tê-lo como namorado, mas pelo menos tinha sua amizade.
Mas pensando melhor, mais cedo ou mais tarde eu sofreria, afinal, se ele não viesse para os meus braços, iria para os braços de outra, e eu sofreria muito, muito mesmo.
Decidida, esperei que o dia seguinte chegasse. Exatamente às 3 horas da tarde, ele chegou. Jogou sua mochila em cima da mesa e se deitou no chão da sala, espalhando os cadernos para revisarmos o conteúdo daquela semana, como sempre fazíamos. Mas, ao notar que eu não tinha feito o mesmo, ele se levantou e me olhou confuso. Deve ter notado alguma coisa diferente em meus olhos, pois questionou:
- O que houve, Mariana?
- Não dá mais.
- Não dá mais o que?
- Nós dois, estudando juntos de sexta-feira.
Ele me olhou num misto de susto e angústia, e desviou seus olhos do meu. Não era bem assim que eu tinha planejado, mas as palavras tinham fugido da minha mente, e eu passei a falar tudo o que estava no coração.
- Por quê? – perguntou ele, olhando para o chão.
- Por que eu me apaixonei por você, Felipe.
Silêncio. Ele olhou para o meu rosto rapidamente e tornou a desviar o olhar. Minhas mãos suavam, o coração batia rapidamente, eu sentia vontade de abraça-lo, ou de sumir, ir pro meu quarto, ou então, o pior de tudo, eu temia que ele partisse. Passei a fitá-lo, aquela poderia ser a última vez que lhe via assim, diante de mim. Ele olhava além da janela, com um brilho nos olhos e um sorriso brotando na ponta dos lábios. Pronto, pensei entrementes, ele vai caçoar de mim.
- Por que sorri? – perguntei, aflita.
- Por que demorou tanto, Mari?
- Hã?
- Por que demorou tanto para me dizer isso?
- Por que, er, eu...
Não terminei de falar. Naquele momento ele grudou seus lábios no meu, e todo o resto perdeu sentido.
Putz, como é que eu ia explicar isso para a Fabi?

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