segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Amor de Perdição


Á tempo Marcos notou algo especial em Ketlen, o seu jeito de ser, sua fisionomia, a maneira como ela lhe olhava e lhe tratava. Ele percebeu que ela era um tanto carinhosa com ele, e após pensar e repensar, não se agüentou e lhe perguntou, em plena sala de aula:
- Ketlen, você gosta de mim? Gosta, não gosta?
- Sim, Marcos. Eu gosto muito de você. – respondeu ela, toda sorrisos.
Ele não tocou no assunto durante semanas, na verdade, tudo estava confuso em sua mente, Ketlen parecia não ter levado a sério sua pergunta, ou respondido de forma a entender que ela gostava muito dele como amigo.
Não dava para acreditar que ela realmente gostava dele. Não podia ser verdade. Mas era, e depois de muito tempo, Marcos percebeu.
Marcos estava entre os dez mais bonitos da escola, então várias meninas ficavam lhe assediando e, aliás, por ser dócil e meigo, muitas já tinham se apaixonado por ele. Mas era sempre a mesma história, as suas quase-namoradas não agüentavam com a pressão e acabavam terminando tudo. Foi por isso que Marcos decidiu cultivar apenas amizade com as meninas, e prometeu a si mesmo que só ficaria com alguém quando estivesse apaixonado.
E eis que a Ketlen aparece na escola, e tudo ficou diferente. Ela era uma garota simples, e praticamente nunca arrastava a asinha pro lado dele, apesar de que, depois de tanto observá-la, ele notou alguns indícios de que podia ser correspondido. Mas Ketlen não facilitava nada, e sua mente estava sempre confusa com relação a ela.
Ele temia que ela não sentisse nada por ele, e tudo não passava de uma ilusão. Por isso, se aproximou aos poucos até ganhar sua amizade. Puxa, logo agora que encontrar alguém legal, só o que faltava era a menina não estar nem aí para ele! Esses pensamentos lhe perturbavam, ele precisava ter certeza dos sentimentos dela antes de se revelar.
O que ele não sabia é que Ketlen chorava em silêncio todas as noites, e morria de ciúmes das suas amigas, e aguardava quase que impaciente uma atitude dele. Temia ser apenas mais uma na vida do garoto.
Certo dia a campainha da sua casa tocou, e Ketlen se surpreendeu ao ver que era Marcos ali na porta de sua casa. Ela ficou tenta, sem saber o que fazer. O que ele, logo ele, viria fazer ali, logo ali? Nervosa, ela o convidou para entrar, nervoso, ele recusou e a convidou para darem uma volta, gaguejando de felicidade ela aceitou o convite.
Depois de voltas e mais voltas na praça central da cidade, ele resolveu tocar no assunto que lhe fez ir até lá, falou tudo de uma vez, traduzindo em palavras tudo o que sentia e lhe perturbava.
- Ketlen, eu gosto de você... Mas eu gosto de você de verdade!
- Eu sei Marcos, eu também...
- Mas eu quero ficar com você, Ketlen!
A garota ficou calada, olhando-o com os olhos arregalados, perplexa. Por um lado, queria mesmo ficar com ele, mas ela não entendia se o que sentia era apenas uma atração ou era mais que isso. Tinha medo de ficar com ele e ser apenas mais um número em sua vida. Mas naquele momento, tudo fugiu da mente, e ela deixou apenas o coração falar por ela:
- Eu não quero apenas um beijo seu, Marcos, eu quero mais que isso... Eu quero você!
A felicidade era tanta que nem havia espaço para mais palavras, e foi assim, sem nenhum som emitido pela boca, que os dois se envolveram e perceberam quanto tempo tinham perdido.

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