quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Os Amigos


Estávamos todos reunidos: Eu, minha amiga Flávia, meu namorado e os amigos dele. Gostaria que o meu namorado estivesse abraçado comigo, como o namorado da Flávia, mas não, ele estava do lado dos amigos sem se quer me notar. Estava frio, e eu não conseguia evitar que a pele se arrepiasse e gritasse por um abraço. Foi então que um deles percebeu e disse:
- Puxa, Maurício! Vai lá com a sua mina!
Ele corou um pouco e veio para perto de mim, me abraçando. Senti-me confortável em seus braços, mas não pude conter a amargura na garganta em pensar que ele só estava ali por que seu amigo lhe falou para estar ali, ele não fizera aquilo por vontade própria, por ele eu nem estaria presente.
- Então, Maurício, você vai ir lá no ginásio com a gente? – perguntou outro.
Maurício olhou para mim, e eu fiz que não com a cabeça.
- Acho que não. – disse ele, tristonho.
Logo, começaram a caçoar.
- Fala sério, você deixa a sua namorada mandar em você? – disse um moleque baixinho e magricelo, contorcendo-se de tanto rir.
Irritado, Maurício me levou para casa, que ficava ali na mesma rua. Sentamo-nos na rede que havia no quintal, e nenhum dos dois puxou assuntos. Era sempre assim, seus amigos sempre interferiam em nosso relacionamento, e eu sabia que a opinião deles era importante para Maurício, mas me sentia mal por a minha não ter nenhum valor. Odiava quando a gente brigava por causa de idéias contrárias, e fazia o máximo para evitar isso, inclusive ceder às vontades de Maurício, mesmo sabendo que isso me deixaria infeliz.
O pior fio quando nós demos um tempo, de tanto seus amigos insinuarem que eu estava dando bola para um garoto da minha escola. Mas assim que nos afastamos um do outro, aquele me sempre estava ao seu lado foi o primeiro a dar em cima de mim, dizendo que eu merecia coisa melhor do que Maurício, que nem ao menos confiava em mim. Cheguei a contar-lhe tudo quando reatamos, mas ele acreditou que tudo aquilo era somente mais um pretexto para separar-te dos seus amigos.
- Maurício, não liga para o que eles dizem não.
- Tá bom.
- Você ficou o dia inteiro com eles, não custa nada dar um pouco de atenção para sua namorada.
- Tá.
Eu sabia que não adiantava cogitar a ideia de ir junto com eles, afinal, fiz esta experiência uma vez e detestei. Simplesmente por que só tinha eu de garota, e aquele monte de homens falando bobagens. Maurício sempre sugeria que eu fosse passear com minhas amigas, mas essa ideia não me animava nem um pouco, afinal, é com o meu namorado que eu queria passear.
Ele fingia me escutar, mas mal ouvia o que eu dizia. Prova disto era suas respostas vagas. Estava hiper concentrado com o que acontecia lá fora. Beijei-lhe a fim de distraí-lo, mas de nada adiantou. Então, me dei por derrotada.
- Você quer ir lá com eles?
“ Diz que não, diz que não...” pensei comigo.
- Por que, você quer entrar para casa?
- Se minha presença estiver incomodando, eu entro.
- Não, Mariana, não foi isso o que eu quis dizer...
- Deixa para lá.
Sentia uma saudade tremenda de quando começamos a namorar, há uns seis meses atrás. Ele era tão atencioso, vivia me paparicando, mas com o tempo, as discussões começaram, e ele revelou sua verdadeira personalidade. É claro que, quando brigamos, ele tornou a fazer tudo de novo, para me conquistar. Mas hoje em dia ele não me presenteia mais, não me leva para nenhum lugar. Minhas amigas já me disseram que ele não gosta mais de mim, mas se ele não gostasse terminaria comigo, ou não faria nada para reatarmos.
Em minha opinião, o problema estava na influência dos seus amigos em nosso namoro.
- Er, acho que estou cansado, vou para casa. – disse ele, levantando-se.
- Tudo bem. Vou entrar então.
Ele morava ali perto, e sempre usava a desculpa de que estava cansado para se livrar de mim. Ou talvez estivesse mesmo, afinal, trabalhava o dia inteiro. Despedimo-nos com aquele selinho sem graça, e ele se foi. Entrei para minha casa, um pouco desolada. Logo notei que meu celular não estava meu bolso, e saí novamente a fim de procurá-lo. Vasculhei por toda a rede e não lhe encontrei.
Já iria sair na rua, para perguntar aos meninos se tinham visto meu celular, mas o que vi fez-me voltar para dentro rapidamente. De trás do portão, fiquei lhe observando silenciosamente enquanto a dor crescia em meu peito. Lá estava Maurício, entre os meninos, dando boas gargalhadas. Não parecia nem um pouco cansado.

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