quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O Amor Acaba


Senti um grande desconforto ao perceber que as nossas mãos estavam apegadas. Sentei-me no chão e ele se deitou, apoiando sua cabeça em minhas pernas. Olhei para a movimentação do parque, sem nada ver ou ouvir, imaginando como eu ia fazer aquilo. Olhei para seu rosto, ele sorria para mim, e aquilo me deu tédio. Seu olhar sobre meu rosto fez pesar e me encontrei aflita para me desvencilhar daquele olhar. Pensava repetidamente em como pude ser capaz de perdoá-lo. Olhando os detalhes da sua fisionomia, pela primeira vez achei-o feio. Senti tremenda agonia quando ele começou a passar as costas da mão em meu rosto. Senti ódio.
- Júlio, levanta, está me incomodando.
Senti um alívio enorme quando ele se levantou. Logo vi que vinha em direção aos meus lábios e, de imediato, recuei.
- O que foi Marisa? Você está tão esquisita! Nem me deixa te tocar, te beijar... Está acontecendo alguma coisa?
Não respondi, nem consegui olhar para ele. Tantas coisas eu queria colocar para fora, mas as palavras haviam sumido da minha mente. Por que ele não me valorizou? Como posso confiar nele depois do que me fez? Como posso amá-lo como um dia eu amei, achando que nada poderia nos separar? Certo, ele disse que se arrependeu, mas é quase impossível esquecer. E se fizer de novo? Não posso acostumar meu coração a esse tipo de coisa. Eu realmente queria apagar tudo da memória, mas... não, não tem como continuar esse relacionamento.
- Fala, Marisa! – ele insistiu.
Levantei-me e me afastei dele, não queria que notasse as lágrimas em meus olhos, mas o suspiro profundo que dei me entregou.
- Nós dois... não dá certo Júlio, não dá pra continuar...
- Por quê? Você disse me perdoou droga! – disse ele. Parecia nervoso.
- Eu tentei, eu juro que tentei! Mas não dá.
- Por quê, Marisa? Eu já disse que te amo, que me arrependi, que não vou fazer de novo...
- Júlio, eu peguei nojo de você... – falei, já em prantos.
Não consegui encontrar outras palavras para traduzir o que eu estava sentindo. Ele levou um choque ao ouvir, passou as mãos nos cabelos agressivamente, fazendo sinais negativos com a cabeça. Eu ainda chorava quando ele me segurou pelo queixo e ergueu minha cabeça, para que eu pudesse olhá-lo nos olhos.
- Eu estava bêbado, Marisa. Não tinha noção do que estava fazendo.
- Você nem ao menos me falou que ia numa festa.
- Por que foi de última hora, os meninos passaram lá em casa e me levaram...
- Eu só fui saber disso dois dias depois, por que meu irmão me contou!
- É por que foi tão insignificante que eu achei que não tinha necessidade de te deixar triste, sei lá... não queria que a gente brigasse. Mas eu sei que vamos superar isso juntos, afinal, eu te amo e...
- Não, Júlio, não vou superar, não vou conseguir confiar em você de novo.
- Por que, você não gosta mais de mim?
- Sinceramente? Cada dia eu gosto menos.
Por fim, fui embora, deixando-o só. Eu simplesmente não suportava mais aquela conversa. O ódio que sentia por sua traição apagou todo o amor que antes tinha em meu peito. Sei, talvez eu estava sendo um pouco rude, mas era inevitável. Em minha mente até passou coisa pior, como me vingar antes de terminar tudo. Todavia não conseguia mais conviver com ele.
Um dia, eu acreditei que nada pudesse destruir um amor verdadeiro, mas incrivelmente, se não cuidarmos, este sentimento se desgasta com o tempo, até que, infelizmente, ele se cessa.

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