quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O Segredo da Lua


No momento em que todas as crianças se ausentavam, ela estava lá: Sentada em um das balanças do pequeno parque, admirando as árvores monstruosas á sua volta, enquanto a Lua ocupava o lugar do Sol no céu. Usava sempre o mesmo vestido preto e volumoso, que destacava sua pele pálida, em contraste com seus olhos negros e vívidos. Seu longo cabelo loiro se sacudia com o balanço do vento, que esfriava na medida em que o tempo avançava.
Assim, a noite chegava, e ela permanecia intacta em seu refúgio, a pele delicada sendo arranhava pelo sopro do vento cruel, os lábios opacos sem sorrir, imersa na escuridão enquanto se perdia em pensamentos e ilusão.
Eu mal dormia, incomodado com o barulho da balança, imaginando o que se passava pela mente da jovem solitária que havia me cativado com seu silêncio perturbador. Estava certo de que, ao olhar para o alto das árvores, ela avistava a janela da minha casa, e encontrava o meu olhar confuso sob seu rosto angelical.
Foi então que numa certa tarde, me pus em sua balança esperando a chegada da Lua e da noite. Como previsto, a garota chegou e caminhou em minha direção com passos inaudíveis. Um sorriso se formou em seus lábios, o que foi suficiente para revelar que me correspondia, e nada mais foi necessário para expressar o que desejávamos.
Senti seus lábios frios contra os meus e aspirei seu doce perfume, aliviado por saciar meu desejo mais profundo. Enquanto meu coração pulsava desnorteado, sua respiração mostrou-se completamente tranquila.
Só então pude compreender que, sua presença constante no bosque escuro e enigmático se dava por que, durante todo este tempo, ela estava á minha espera.
Nada mais foi dito naquela noite. Voltei no bosque outros dias, todavia, nunca mais lhe vi. Intrigado, questionei ás crianças que ali frequentavam:
- Por acaso vocês têm notícias de uma garota loira que costumava vir aqui?
Surpreendi-me com a resposta. Atordoado, tentei apreender a ideia de que a garota que beijei havia morrido naquele bosque anos atrás.
- Ouvimos dizer que sua alma ainda vagava por aqui... – Dizia-me as crianças, entusiasmadas e, ao mesmo tempo, assustadas. – Todos os dias, ela se isolava no bosque á partir do momento em que o Sol se punha. Acho que ela esperava alguma coisa... Ou alguém.

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