quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Juliana


Foi tudo muito rápido. Eu não esperava aquela notícia dela. Primeiro, o vexame de ela pagar o lanche ao invés de mim. Depois, a grande notícia: Ela balbuciou que cada vez gostava menos de mim, que não suportava mais aquela situação.
- Eu passei o dia dos namorados sem nenhum presente. Faz dois meses que estamos namorando sério e você ainda não comprou nossa aliança. E toda vez que sairmos juntos eu terei que pagar?
Eu permanecia calado, ouvindo suas lamentações com tédio. Estava cansado de repetir que eu não tinha dinheiro, que por mais que havia conseguido um emprego eu tinha que ajudar minha mãe. O suor descia pela testa e eu passava á imaginar toda a cena:
- Minhas colegas caçoam de mim por que eu estou com você. Eu não agüento mais essa situação.
Minha imaginação se tornou real. A diferença é que ela adicionou algumas frases, palavras que soaram como navalhas para mim:
- Está tudo terminado entre nós. E dessa vez não vai ter volta! Dei-lhe uma chance, mas você não soube aproveitar... Eu não sou obrigada á aturar esta relação sem futuro... Não mesmo.
- Você não gosta mais de mim? – Questionei. Se o amor tivesse desaparecido, então por que ela chorava tanto?
- Gosto. Muito. Mas eu vou fazer o possível para te esquecer.
Eu olhava no fundo de seus olhos, e ela dizia a verdade. Não chorei, não quis demonstrar fraqueza. Mas por dentro, minha alma se retorcia, meu coração queimava.
- Sai daqui Juliana. – Disse eu.
Ela me olhou assustada e fez o que eu lhe pedi, se retirando entre soluços. Fiquei só, encarando o nada. Outra coisa escorria pelo meu rosto, e dessa vez não era suor. Enquanto caminhava para casa, suas palavras se repetiam em minha mente, me atormentando.
- Não foi sua culpa, meu filho! Você sabe que mal temos condições para nos sustentar! Tentei te avisar que esse namoro não iria dar certo... – Dizia minha mãe, tentando me consolar.
Eu não queria seu consolo. Eu só queria ficar sozinho. Eu não sentia fome, eu não sentia vontade de fazer nada á não ser ficar deitado. Eu queria morrer. Mas não podia, tinha que trabalhar, tinha que ajudar a minha mãe.
Desde que meu pai morrera nossa vida só caminhou para trás.
Talvez isto não fosse motivo suficiente para vacilar com a minha primeira namorada. Ás vezes eu tinha ódio dela. Juliana não sabia nada da minha vida para queixar-se tanto. Será que ela era incapaz de enxergar que se eu pudesse lhe daria o mundo? Se eu pudesse, lhe daria a lua? Ela acha que eu não desejava colocar uma aliança em seu dedo e chamá-la de minha?
Eu á perdi. Minha mente não quer assimilar este fato. Tenho que me conformar, mas parece impossível.
O tempo passa, e nada. Minha vida perdeu o ritmo, se tornou monótona e triste. Tornou-se tediosa. Juliana era o meu sorriso, era a estrela do meu céu. Por mais que os dias avançassem, sua imagem e seu cheiro estariam vivos dentro de mim.
Saudade: sentimento doloroso que me faz sangrar. Aflição por sentir um buraco na alma. Um grito agudo de agonia dentro da mente.
Eu estava despedaçado. E cada vez que á via sair de sua escola acompanhada de suas amigas, me despedaçava mais. Cada ato relacionado ao seu nome me feria. Senti a ferida se abrir quando amassei o poema que fiz para ela. Senti a ferida se abrir quando queimei o ursinho de pelúcia que ela me deu. Senti a ferida cicatrizar quando lhe vi beijando outra pessoa.
Mas o excesso de toda a paixão permanecia ali, esperando o momento certo para reavivar. O momento certo chegou no dia em que ela caminhou em minha direção.
Não estava acompanhada de suas amigas. Sorria sem graça, mas sorria para mim. Acompanhei seus passos com o olhar sem saber ao certo o que fazer. Por que não estava me evitando?
Beijou-me no rosto, e voltei á me sentir vivo. Sabia que estava com uma expressão de bobo no rosto, mas não podia evitar. Ela me abraçou, e o calor de seu corpo aqueceu meu coração.
- Esqueça o que eu te disse. Não consigo ficar longe de você, é como se uma parte de mim estivesse fora do meu corpo. Por favor, não me veja como uma garota má... eu realmente gosto de você, mas pensei que isso poderia mudar se talvez nós nos separássemos. Má são aquelas garotas da minha escola, que ficam enchendo a minha cabeça. Mesmo que seu dinheiro faça falta ás vezes, é de você que eu gosto. Você ainda gosta de mim, não é mesmo? – Questionou ela, ao notar que eu ainda não tinha dito nada.
Eu não tinha dito nada por que nada passava pela minha cabeça. Naquele instante, estava tudo muito confuso para mim e acabei respondendo por impulso:
- Não Juliana, eu não gosto mais de você.
Ela ficou séria, perplexa. Aos poucos, dei-me conta da situação, e vendo que tudo aquilo era real, abracei-lhe com força, desejando que ela nunca mais saísse dos meus braços. Logo, as lágrimas começaram á rolar, fazendo meu rosto arder. Espremi meus olhos e imaginei a sua expressão. Sorri, e antes que lhe desse um beijo doce, sussurrei em seu ouvido:
- Eu te amo Juliana...

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